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13.11.15

Aviso à navegação

O Agostinho Neto dizia que as mãos dele tinham carregado pedras para os alicerces do Mundo e que merecia o seu pedaço de pão. A minha mãe queixa-se que os alicerces do Mundo são muito fundos.
Eu acho que enquanto a muitos assobiam para o lado, alguns de nós (muito até) andamos a ajudar o Agostinho Neto na tarefa de alicerçar o Mundo, o Mundo que queremos. 
Outros, no entanto, fingindo cavar as fundações, aprofundam e alargam a vala comum em que pretendem enterrar as vidas de quase todos. A esses resta-me dizer que quanto mais funda cavarem a vala, mais forte e mais alta se erguerá a torre da nossa Vitória.

1.5.14

Acham que o Canadá é um país civilizado?

Em muitas coisas sim. As pessoas são habitualmente simpáticas, pedem desculpa se dão conta que estavam a estorvar e essas coisas geralmente apreciadas na convivência.

Mas...

o 1º de Maio não é feriado. Labour day é em Setembro, em data móvel, assim como nos Estados Unidos da América.
Não é que a comemoração do Dia do Trabalhador faça com que um país seja ou deixe de ser civilizado, mas é um indicador considerável da importância que os direitos laborais assumem nele.

Ainda assim algumas considerações devem ser feitas.

Bem antes do massacre de Haymarket a 4 de Maio de 1886; onde a polícia matou 4 trabalhadores em luta pela jornada de 8 horas em Chicago, e que é motivo para a instauração do 1º de Maio como Dia internacional do Trabalhador; lutas sindicais cresciam em Toronto.
Os tipógrafos lutavam em 1872 pela jornada de 9 horas e a 25 de Março fizeram greve parando toda a imprensa de Toronto. Os tipógrafos obtiveram o apoio de outros trabalhadores e a 15 de Abril dois mil trabalhadores manifestaram-se iniciando uma marcha até Queen's Park. Pelo caminho a marcha foi engrossando e quando chegou ao destino contava 10 mil participantes (um décimo da população da cidade).
A constituição de sindicatos era proíbida e as retaliações rapidamente se fizeram sentir, mas a batalha foi ganha. O primeiro-ministro John Macdonald legalizou os sindicatos e os líderes foram soltos das cadeias.
Claro que não foi assim tão simples (nunca é), muita gente perdeu o emprego, mas a luta estendeu-se ao resto do país e a jornada de 9 horas acabou por ser ganha.

A manifestação de 15 de Abril repetiu-se nos anos seguintes e, por pressão popular o primeiro ministro Sir John Thompson declarou, em 1894, Labour Day feriado nacional.
A modificação de data ocorre mais tarde e faz com que o Dia do Trabalhador seja confundido como uma última celebração do Verão (lá se vai a civilização), mas há que reconhecer importância aos tipógrafos deToronto nas lutas pelos direitos laborais. Não hão de ter tido pouca importância na inspiração das lutas nos EUA que levam à instauração do 1º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador.

Parece que tudo acontece em Abril, não é?




PS: Hoje foi a primeira vez que fui trabalhar no 1º de Maio e, francamente, espero bem que a última!

23.4.14

Um cravo de Janeiro
















Ana Martins, Coimbra, Janeiro 2013

Um cravo de Janeiro. Porque os cravos vermelhos florescem no mais frio dos invernos desde que nos esforcemos.

15.6.13

Os professores

Eu fui à escola no tempo em que ela já era boa e ainda só começava a ser violentada.
Eu tive aulas com professores que gostavam de dar aulas e tinham tempo. Nem todos foram bons, mas tive uns quantos muito bons professores.
Por exemplo a minha professora de História do 5º ano fez-me gostar muito de História. A de Inglês do quinto ano também fez-me saber uma das línguas que me são mais úteis hoje em dia e a do 11º fez-me descobrir a literatura anglófona.
O meu professor de matemática do 7º ano fez-me sentir-me mal por ter preguiça de fazer os trabalhos de casa, mesmo quando eram muitos e estava a dar um programa mesmo fixe na televisão.
A minha professora de Português do 12º ano discutia Saramago comigo embora não fizesse parte do programa (só não conseguiu fazer-me gostar de Vergílio Ferreira, mas sisso era uma missão impossível)
A minha professora de Biologia mostrou-me o fascinante mundo das plantas e hoje sou bióloga.

Como à maioria das pessoas da minha geração, os professores foram enchendo a minha vida.
Hoje, ao encherem a Avenida da Liberdade em defesa da Escola Pública, encheram-me as medidas!

16.2.12

A Luta continua!

Porque no Terreiro do Paço éramos imensos, mas não suficientes.



Dia 22 de Março é dia de Greve Geral!

Em breve retomaremos as "Pessoas bonitas" cá na Eira. Há uma grande fila só à espera de entrar.

18.11.11

Pessoas bonitas # 7



Não menosprezando o trabalho revolucionário dos homens, hoje trago à Eira "pessoas bonitas" que são mulheres do Couço.

Trago-vos mulheres que lutaram activamente pela jornada de oito horas nos campos do Alentejo.

Trago-vos:
Madalena Henriques
Maria da Conceição Figueiredo
Maria Galveias
Maria Rosa Viseu
Custódia Chibante
Olímpia Brás

Deixo cá também um relato de Maria Rosa Viseu, de um episódio de luta bem sucedido:

"Naquele tempo trabalhávamos de sol a sol. Saiamos de casa de noite, entrávamos em casa de noite.Outras vezes trabalhávamos de empreitada. Chegávamos ao trabalho os manageiros talhavam as empreitadas, quando as acabávamos íamos para casa. O patrão para quem nós trabalhávamos, não deixava o manageiro talhar as empreitadas, era ele que as talhava. Talhava-as muito grandes que nós quase nunca as acabávamos. Era ele que ia sempre despegar-nos do trabalho. Começámos a ver que o patrão nos queria enganar.Nenhuma de nós tinha relógio. Começamos a guiar-nos pela camioneta da carreira, que passava sempre às 5 h da tarde, era branca, toda branca, pensámos que não podíamos trabalhar mais tempo. Uma das mulheres sobe ao cabeço, vê passar a camioneta e diz para as companheiras: - a noiva já lá vai.Uma delas, mais idosa, pergunta ao manageiro: - então não nos despega? Olhe que já são horas!– Não tenho ordens para as despegar!- Ah não? Pois então despegamo – “se” a gente.Ela saltou de dentro do canteiro do arroz para o “combro” (parede de suporte de terreno em socalco) e 70 mulheres fizeram o mesmo e viemos para casa.No outro dia, ao nascer do sol, lá estava o patrão e nós negociamos com ele. Se não nos viesse despegar a horas, não trabalhávamos mais. O arroz estava cravadinho de erva. O patrão, como precisava da gente, concordou.Foi sempre assim, tínhamos de lutar por tudo, até para ter a cozinha à sombra. O patrão queria que a cozinha ficasse o mais perto do trabalho, para não perdermos tempo no caminho. Não se importava que comêssemos ao sol ou à sombra. Sofremos muito!"

Levadas pela PIDE, espancadas e torturadas por lutarem pelo direito à família, ao descanso, ao convívio, à recompensa do seu trabalho, à igualdade, à dignidade ao fim ao cabo.
Eram todas operárias agrícolas do Couço. Todas menos letradas do que quase toda a população portuguesa, mas com consciência de classe e com a certeza de que tinham direitos e tinham razão! Todas muito mais sabedoras do que a maioria da população portuguesa!

São todas "pessoas bonitas". São lindas!

Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!


29.5.11

Trabalhinho, muito trabalhinho para fazer

Não é que tenha andado longe daqui. Até cá tenho passado várias vezes, mas entre trabalho, campanha, luta (não que a nossa campanha não seja também ela luta) e associativismo, não me tem sobrado tempo para mais do que visitas de médico. Lá vou visitando os blogs amigos, lendo coisinhas interesantes, umas bonitas outras revoltantes; umas mais cínicas que puxam o cantinho do lábio naquele sorriso assimétrico meio torcido, outras mais directas e pedagógicas, mas quase sempre sem tempo para comentar.

Mas agora arranjei um bocadinho para escrever aqui para a Eira e posso enfim contar-vos que em Coimbr se pintaram as Escadas Monumentais (historicamente pintadas por diverssíssimas pessoas e organizações que as tentaram fazer mais nossas e menos salazarentas). Escadas que ficaram (e isto também será uma questão de gosto, mas enfim) claramente mais bonitas (até porque pintadas com brio além de tinta de água). Ficaram profundamente reivindicativas como poderão constatar aqui, porque não é só um apelo ao voto na CDU o que lá se pintou. É a denúncia, a exigência, enfim, a demonstração clara de que Portugal precisa urgentemente de uma política de esquerda, precisa de quem vote na CDU.



Posso contar que no círculo de Coimbra ninguém precisa de ter amargos de boca depois das eleições porque o Manuel Rocha, cabeça de lista da CDU não desilude, como se observa facilmente ao ouvir as suas intervenções políticas e poderá confirmar qualquer pessoa que o conheça.



Posso contar que, apesar das provocações de indivíduos mal-intencionados (e alguns diminuídos mentais também) filiados nas juventudes partidárias da triste e subserviente troika nacional o concerto e o comício de dia 24 de Maio correram bem.



Sobre isto, cabe sobretudo frisar o enorme civismo demonstrado pelos apoiantes da CDU presentes no comício, que perante provocações claramente com a intenção de levar a cenas de pancadaria por parte dos defensores do "bota-abaixo" da alta de Coimbra, mantiveram a calma e organizaram um cordão de segurança para evitar problemas maiores. Substituiram mesmo a polícia que chamada pela CDU não compareceu ao local de boicote de um acto de campanha eleitoral, na manutenção da ordem e da tranquilidade.







Mas isto é tudo coisas que já foram e importa o que está para vir. E o que está para vir é uma semana de campanha, de distribuições, de contactos, de conversas. Sobretudo de conversas, porque o papel é a desculpa para entabular a conversa. E sacudir as pessoas desse amodorramento, dessa depressão que se lhes colou à pele. Dessa pegajozice que prende o pensamento de tanta gente e a leva a pensar que as coisas não podem mudar, que "sempre foi assim" que "sempre houve ricos e pobres", "oh menina, e a gente lá pode fazer alguma coisa?! Eles é que mandam na gente!".
É preciso convencê-las "que somos um rio que vai dar onde quiser", "que somos um mar que nunca mais tem fronteiras e havemos de navegar de muitíssimas maneiras".

É preciso convencê-las a levar a luta até ao voto!


Agora CDU!

21.5.11

19 de Maio no Porto

Manifestação convocada pela CGTP-IN

Grande
















Organizada
















Reivindicativa
















Bem-disposta

Animada

Grande outra vez























Abrangente

De protesto

Com alternativas

Com a intervenção política

e uma assistência (mais ou menos) atenta

E a fechar o "post", a reivindicação mais óbvia e mais válida!

A luta continua!

Dia 5 de Junho também! Leva a luta até ao voto!

Agora CDU!
(mais fotografias disponíveis aqui)

5.5.11

Arregaçar as mangas

Ao ler no Público de ontem as principais medidas do acordo com a troika há uma sucessão ordenada de reacções.

Primeiro espanto-me (sim, eu sei, não devia, já devia estar à espera; mas espanto-me ainda que pouco, não consigo evitar), assimilo.

Depois vem uma mistura de uma grande dose de tristeza com a pontinha da faca do desespero a começar a espetar-se. E desespero porque nos vai custar tanto, a nós colectivo do povo português e a cada um de nós, enquanto pessoa individualizada e de características e história(s) irrepetíveis (por mais semelhantes que sejam). E entristeço-me porque sei que vamos demorar muito a recuperar desta estocada (aqui só nós, porque só o colectivo e em colectivo nos levantamos desta).

A seguir respiro fundo, penso que coisas piores já nos aconteceram (nós povo português, mais uma vez) e demos a volta, e construímos um país muito melhor do que alguns abutres agoiravam (e queriam) que pudéssemos conseguir. Penso também que o mais provável é que coisas piores estejam ainda para vir e que teremos que saber sobreviver-lhes.

E quase a terminar penso que isto vai dar é mesmo muito trabalho a resolver.

Por fim, organizo-me (é claro!), arregaçamos as mangas e lutamos!


E dia 5 sei bem em quem voto, é na CDU!

30.9.10

Os apertões

Ontem fui ao Porto, à manifestação organizada pela CGTP.
Foi bom ir ao Porto, a manifestação correu bem, estava muita gente. Iamos bem dispostos, gritávamos palavras de ordem, conversávamos com os amigos que já não víamos há muito. Tirei fotografias (depois ponho cá), encontrei caras conhecidas no SPRC, apanhei os trabalhadores da Brisa em luta contra as máquinas automáticas, os dos CTT que não querem que a mais-valiam a geram encha o bolso de algum privado, enfim, muitos.

Cheguei a casa pouco depois das 20h, a tempo de ver as manifestação no noticiário, pensava eu, mas o que vi foi que as manifestações não chegaram.
Vi os anúncios das medidas de austeridade a serem aprovadas na AR como Orçamento de Estado (OE).
Vi que já nem se fala em congelar salários, são mesmo reduções salariais para a administração pública, já a sairem do forno, fresquinhas, prontas a aplicar.
Vi que o IVA aumentará outra vez, como se não tivesse aumentado há três meses.

Vi a mentira, porque nenhuma medida das anunciadas combate a recessão financeira ou gera emprego, pelo contrário. As medidas anunciadas diminuem o poder de compra, provocam o colapso das pequenas e médias empresas, que dependem do mercado interno e assim geram desemprego, que diminui o poder de compra  (estão a ver onde isto vai, não estão?).


Já não se trata de apertar os cintos, aos trabalhadores portugueses o Governo (e os compinchas que viabilizarão o OE) tentam agora apertar os pescoços.

Agora é preciso é não deixar. É preciso é resistir e Lutar!

28.5.10

Luta!

Amanhã, sem falta!