Eu não gosto de afirmações que fogem para o absoluto, como "o melhor do Mundo" e outras do mesmo estilo. Mas devo dizer que o Chico é provavelmente o meu favorito dos músicos brasileiros (e isso que o Vinícius também é brasileiro!) e um dos meus favoritos do Mundo inteirinho.
Era miúda pequena quando os meus pais me apresentaram os discos do Chico, perceber a profundidade das letras era mentira, mas não adorar aquelas canções era tarefa impossível. Afinal, como não gostar do "Até ao fim", não se deixar contagiar pela imensa vaga de profunda confiança de "Apesar de você" o não se derreter com a pequena maravilha da "Valsinha".
Também o Chico me apresentou umas coisas, que é como quem diz, uns músicos.
Foi depois de ouvir a versão dele da "Pequeña Serenata Diurna" que fui ouvir Sílvio Rodrígues. Foi com o "Cálice" que descobri aquela voz que não consigo descrever do Milton Nascimento e com o "Trocando em Miúdos" que descobri o Pixinguinha.
A minha vida é sem dúvida nenhuma muito mais bonita por ter as canções do Chico na sua banda sonora.
A Banda
Chico Buarque
Estou muito contente por partilhar o Mundo com o Chiquinho mais bonito do Mundo!
(e disto não tenho dúvida nenhuma por mais Chicos que me apresentem)
Serve para lembrar que se hoje, em Portugal, achamos (se não todos quase) que as crianças têm direito à infância, nem sempre assim foi.
Há por aí de 40 anos ainda era assim, como nos conta o Soeiro Pereira Gomes nos Esteiros.
Em 1941, na 1ª edição Soeiro Pereira Gomes dizia-nos na dedicatória:
"Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro"
Que sirva para nos lembrarmos que a infância é um direito e que isso implica, entre outras coisas ter escola e não ter fome nem frio.
Hoje soube que o Pete Seeger tinha morrido aos 94 anos.
Estava no laboratório e até disse uma asneira alto.
A maioria das pessoas com quem comentei isto não percebeu porque é que ganhei tristeza que me dure pelo menos o resto da semana, mas mais do que admirar o Pete Seeger eu tenho, de facto, um carinho muito grande por esse senhor.
Não quero (pelo menos agora) fazer um resumo bibliográfico de um dos maiores folcloristas do Mundo.
Nem pretendo falar do homem das muitas e muito justas causas que espalhava a mensagem com canções ao vento, sempre do lado certo da barricada.
Sugiro que ouçam o homem que era capaz de pôr qualquer um a cantar com ele e que não gostava de cantar sozinho, gostava de fazer parte do coro. O homem que cantou tantos (e foi cantado por outros tantos) e para tantos; que começou por tocar cavaquinho e que me ensinou a gostar de ouvir banjo.
Ouçam, por exemplo os episódios do "Rainbow quest" (programa do Pete Seeger na televisão em 1965),onde tudo é explicado com aquele tom tranquilo (mas nunca desapaixonado) de quem explica o que é claro, tão claro que certamente tu vais perceber e não serão precisas exaltações.
Se, como eu não o puderam ouvir quando esteve em Lisboa, no Pavilhão dos Desportos, em 1983 desfrutem das gravações...
Resta-me dizer que tomo como uma ofensa pessoal que tenha morrido sem eu o conhecer.
Aliás, o Pete Seeger faz parte desse clube de pessoas que não é suposto desaparecerem; não lhes demos autorização para se irem embora.
Digo-vos mais, tenho a firme convicção de que a Terra anda mais devagar agora do que andava no Domingo, na falta do empurrão do Pete.
13 de Junho de 2005. Fui a Lisboa, ao funeral da nossa Pessoa bonita #1 (o Companheiro Vasco, claro) e soube que tinha falecido nesse dia a nossa Pessoa bonita #3 (o Álvaro Cunhal).
A 17 de Junho esta era a capa do Avante:
Porque o Avante também sabe quão bonitas são estas pessoas.
Como sempre cabe agradecer-lhes e lembrá-las continuando o seu trabalho.
Como o prometido é devido voltamos a ter "Pessoas bonitas" na Eira. E elas regressam em grande!
A pessoa bonita de hoje é o Adriano Correia de Oliveira.
Este ano cumprem-se 25 anos sobre a morte do Adriano que morreu claramente cedo demais, aos 40 anos de idade (outros há que morrendo com menor idade já morreriam tarde, mas este não).
O Adriano foi um homem completo, de vida cheia e dedicada.
Soube aproveitar como poucos o que a vida estudantil coimbrã tem para oferecer bem para além da formação académica. É da secção de volei da AAC, do Orfeon académico, do Grupo Universitário de Danças Regionais, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, da Tuna Académica, repúblico na Rás-Teparta, dos órgãos sociais da AAC e grevista em 1962.
Em 1960 entra para o Partido Comunista Português é activo na luta anti-fascista.
Canta, o Adriano canta. Canta tanto, canta tudo! O Adriano canta "Venho dizer-vos que não tenho medo!" no tempo em que o medo era rei. Canta a tristeza do fado de Coimbra, numa voz que não era de fado, era melhor. Canta a canção tradicional portuguesa, canta a revolução onde e quando fosse preciso.
Sobretudo o Adriano canta-nos.
Neste ofício em que era mestre fez imensas parcerias: com Manuel Alegre, José Calvário, José Niza, Rui Pato, António Portugal e tantos outros. Cantou por todo o lado, para grandes audiências e pequenos encontros; em Portugal e no estrageiro.
Adriano construiu a Revolução antes e depois dela.
Em 1979 ajuda a fundar a cooperativa artística Catarabril da qual acaba por ser afastado mais tarde juntando-se à Era Nova.
O último concerto do Adriano foi em Mondim de Basto em 1982, num encontro do PCP numa escola.
Nesse ano morre em Avintes, vítima de uma hemorragia esofágica e nós perdemos todos um excelente cantor e revolucionário.
O Adriano é uma das pessoas que tenho mais pena de não ter conhecido, mas já nasci tarde para isso. Ele fugiu-nos muito cedo. É uma pessoa extraordinariamente bonita,com uma voz que o espelha bem.
Para ouvir deixo-vos uma canção do seu último disco, "Quando eu cheguei ao Barreiro", tradicional Portuguesa, do Alentejo. Lembro-me dela muitas vezes quando penso na quantidade enorme de gente nova que conheço que migra para a capital ou para o estrangeiro, como se fazia há 50 anos, em busca de trabalho e outra vida.
É porque nós merecemos outra coisa, "coisa boa" que lutamos, mas também porque gente como o Adriano merece que o cantava há tantos anos não seja ainda tão terrivelmente actual.
Dia 22 de Março é dia de Greve Geral!
-Quando eu Cheguei ao Barreiro-
-Canta Adriano Correia de Oliveira-
-Quando eu Cheguei ao Barreiro-
Vou-me embora p'ra Lisboa Porque a vida cá é má.
À busca de, de coisa boa Pergunto não encontro cá. À busca de, de coisa boa Pergunto não encontro cá.
Quando eu montei o comboio Que assoprava pela via.
Às vezes penso comigo e digo Não sei que sorte é a minha. Às vezes penso comigo e digo Não sei que sorte é a minha.
Quando eu cheguei ao Barreiro No barco que atravessa o Tejo.
Chora por mim qu'eu choro por ti Já deixei o Alentejo. Chora por mim qu'eu choro por ti Já deixei o Alentejo.
Alberto Vilaça nasceu em Coimbra em 1929 onde estudou Direito e exerceu a profissão de advogado.
Fez parte do Conselho Cultural da Associação Académica de Coimbra (1949-50) e da Direcção Geral da mesma (1950-51).
Desenvolveu uma intensa actividade anti-fascista tendo aderido ao PCP em 1949. Foi presidente da Mesa da Assembleia Geral do Ateneu de Coimbra (1952-55 e 1967-71); pertenceu às ccomissões centrais do MUD Juvenil e do MND assim como à Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática.
Foi preso seis vezes pela PIDE.
Após o 25 de Abril, presidiu à Junta Distrital de Coimbra (1974-75) e fez parte da Assembleia Municipal desta cidade (1978-79 e 1983-89).
Integrou a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Coimbra e foi condecorado com o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio.
Publicou vários livros pertenceu ainda aos conselhos de redacção das revistas "Via Latina" e "Vértice" e foi sócio fundador da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo.
Aqui podeis ler a intervenção de António Pedro Pita, à data Director Regional da Cultura do Centro, a 8 de Novembro de 2008, numa homenagem, realizada no âmbito do I Encontro Nacional da Toponímia, em Coimbra.
Nasceu em 1909 na aldeia de Gestaçô, concelho de Baião (Douro), de uma família de pequenos agricultores. Aprende a ler com o pai ainda antes da escola primária. Tira o curso de regente na Escola Agrária de Coimbra e parte para Angola em 1930 de onde regressa insatisfeito em 1931. Nesse ano casa com Manuela Câncio Reis, fixa residência em Alhandra e emprega-se no escritório da fábrica Cimento Tejo.
No final dos anos 30 adere ao PCP e participa activamente na actividade do PCP no Baixo Ribatejo.
Soeiro Pereira Gomes foi pioneiro do movimento neo-realista, colaborou nos jornais Sol Nascente e O Diabo, organizou cursos de ginástica para os operários da Cimento Tejo, ajudou a criar bibliotecas populares em sociedades recreativas e uma piscina para o povo de Alhandra onde se formou Baptista Pereira (grande nadador, comunista e inspiração para a personagem Ginêto dos Esteiros).
Com Alves Redol e Dias Lourenço promoveu excursões de fragata no Tejo, onde se estabelecia contacto político fora da vista do regime fascista.
Entre 1940 e 1942 participa na re-organização do PCP e integra o Comité Regional do Ribatejo com Dias Lourenço e Carlos Pato.
Em 1941 a editora Sirius publica Esteiros com ilustrações de Álvaro Cunhal, de que diz Soeiro Pereira Gomes "Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro".
Pela janela aberta da moradia de Soeiro Pereira Gomes ouviam-se as notícias da rádio sintonizada na BBC (proíbida nos cafés) para dar a conhecer a evolução da II Guerra Mundial através das notícas de Londres em Português.
É obrigado a mergulhar na clandestinidade na sequência das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, ano em que escrevia Engrenagem que nunca chegou a terminar.
É eleito para o Comité Central do PCP no IV Congresso na Lousã em Julho de 1946, é destacado para o Sector de Lisboa e torna-se membro da Comissão Executiva do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (MUNAF) e acompanha a actividade dos camaradas que actuam no Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Participa ainda na campanha presidencial de Norton de Matos em 1949 mas uma doença grave destroi-lhe a resistência física, vindo a morrer em Lisboa a 5 de Dezembro do mesmo ano.
Soeiro Pereira Gomes dá nome ao centro de trabalho do PCP situado na rua com o mesmo nome em Lisboa. Para ler sobre ele textos de quem muito melhor escreve do que eu clicar aqui.
Demorei muito a começar a ler Soeiro Pereira Gomes mas recomendo vivamente.
Ao ver as datas dos contos que compõem Contos Vermelhos pensei "Ainda faltava tanto!"
O Soeiro Pereira Gomes não chegou lá (à liberdade, claro) mas deu um grande contributo para que nós (todos, sem olhar a quem) pudéssemos chegar. É claramente uma "pessoa bonita", excelente companhia para as que já cá vieram fazer visita antes.
Não menosprezando o trabalho revolucionário dos homens, hoje trago à Eira "pessoas bonitas" que são mulheres do Couço.
Trago-vos mulheres que lutaram activamente pela jornada de oito horas nos campos do Alentejo.
Trago-vos:
Madalena Henriques
Maria da Conceição Figueiredo
Maria Galveias
Maria Rosa Viseu
Custódia Chibante
Olímpia Brás
Deixo cá também um relato de Maria Rosa Viseu, de um episódio de luta bem sucedido:
"Naquele tempo trabalhávamos de sol a sol. Saiamos de casa de noite, entrávamos em casa de noite.Outras vezes trabalhávamos de empreitada. Chegávamos ao trabalho os manageiros talhavam as empreitadas, quando as acabávamos íamos para casa. O patrão para quem nós trabalhávamos, não deixava o manageiro talhar as empreitadas, era ele que as talhava. Talhava-as muito grandes que nós quase nunca as acabávamos. Era ele que ia sempre despegar-nos do trabalho. Começámos a ver que o patrão nos queria enganar.Nenhuma de nós tinha relógio. Começamos a guiar-nos pela camioneta da carreira, que passava sempre às 5 h da tarde, era branca, toda branca, pensámos que não podíamos trabalhar mais tempo. Uma das mulheres sobe ao cabeço, vê passar a camioneta e diz para as companheiras: - a noiva já lá vai.Uma delas, mais idosa, pergunta ao manageiro: - então não nos despega? Olhe que já são horas!– Não tenho ordens para as despegar!- Ah não? Pois então despegamo – “se” a gente.Ela saltou de dentro do canteiro do arroz para o “combro” (parede de suporte de terreno em socalco) e 70 mulheres fizeram o mesmo e viemos para casa.No outro dia, ao nascer do sol, lá estava o patrão e nós negociamos com ele. Se não nos viesse despegar a horas, não trabalhávamos mais. O arroz estava cravadinho de erva. O patrão, como precisava da gente, concordou.Foi sempre assim, tínhamos de lutar por tudo, até para ter a cozinha à sombra. O patrão queria que a cozinha ficasse o mais perto do trabalho, para não perdermos tempo no caminho. Não se importava que comêssemos ao sol ou à sombra. Sofremos muito!"
Levadas pela PIDE, espancadas e torturadas por lutarem pelo direito à família, ao descanso, ao convívio, à recompensa do seu trabalho, à igualdade, à dignidade ao fim ao cabo.
Eram todas operárias agrícolas do Couço. Todas menos letradas do que quase toda a população portuguesa, mas com consciência de classe e com a certeza de que tinham direitos e tinham razão! Todas muito mais sabedoras do que a maioria da população portuguesa!
Quebrando a linhagem masculina que dominou as primeiras 5 pessoas bonitas aqui da Eira, hoje surge uma mulher. A Virgínia Moura.
Foi a primeira engenheira civil portuguesa e impedida de exercer na função pública por se opôr à ditadura.
Estudou Matemáticas e frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Era uma intelectual activa; foi presa políticamente 16 vezes e passou a sua vida a lutar pela transformação social.
Para conhecer um pouco mais da sua vida sugiro a leitura do seu livro "Virginia Moura, mulher de Abril - Álbum de Memórias". Para saber mais em pouco tempo sugiro a leitura deste documento.
Virgínia Moura foi imparável na luta pela melhoria de todas as nossas vidas.
Como andei por fora nos últimos, tenho muitas pessoas bonitas que já deviam estar por cá.
Vou começar pelo reconhecidíssimo matemático Bento de Jesus Caraça.
Bento de Jesus Caraça nasceu em 1901 e faleceu muito cedo, em 1948, mas não se pense que fez pouco.
Além de ser professor universitário participou em diversas publicações, das quais distingo a Gazeta da Matemática, a Seara Nova e a Vértice; fundou a Biblioteca Cosmos da qual foi o único director;
Militante anti-fascista e do Partido Comunista Português, participa activamente na Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo e no Socorro Vermelho Internacional. É co-fundador do MUNAF, em 1943, e do MUD, em 1945. É preso pela PIDE e demitido do seu lugar de professor catedrático do I.S.C.E.F., em Outubro de 1946.
Entre os seus escritos mais conhecidos está a conferência, a Cultura Integral do Indivíduo - Problema Central do Nosso Tempo.
Mais uma pessoa bonita que vem embelezar a Eira e, com o seu exemplo, chamar à participação na Greve Geral.
Quando ontem pensei numa "pessoa bonita" para vos trazer hoje não foi por esta que efectivamente trago que me decidi. Mas hoje dei conta que tenho motivo acrescido para trazer à Eira a pessoa bonita que foi (é) o Álvaro Cunhal.
Faz hoje 98 anos nasceu, em Coimbra (embora isso seja mais ou menos irrelevante) Álvaro Cunhal.
Dedicou toda a sua vida consciente (ninguém tem, nem deve ter que ter, consciência política na infância) à construção de uma sociedade que acreditava (e eu também) ser bem melhor do que aquela em que vivemos.
Lutou cá e no estrangeiro. Foi preso, torturado, exilou-se, regressou, ajudou a construir um Portugal novo e um Mundo novo também.
Foi um ser humano formado integralmente, na política, na cultura, nas artes, com o seu interesse e análise também na ciência.
Deixou-nos análises políticas impressionantes de tão correctas nas previsões e tão fundamentadas que passariam o crivo de qualquer das melhores revistas científicas do mundo. Escreveu ficção e desenhou.
Mas sobretudo, trabalhou sistematica e altruísticamente pelo colectivo nacional, sem vaidades (tantas e tantas vezes pondo em risco bem para além do bem-estar, a sua integridade física e vida), olhando sempre para a frente, preparando sempre o Futuro, sem nostalgias nem frustrações que deitassem por terra a sua firmeza ideológica.
Álvaro Cunhal foi, sem dúvida, dos mais inteligentes portugueses do século XX (e se calhar isto é dizer pouco) e dos mais generosos e patrióticos também. É, sem dúvida nenhuma, uma "pessoa bonita" extremamente bonita.
Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!
Nota: Há mais quem se lembre dele com saudade e admiração (sugestão e sugestão)
A próxima personagem que quero lembrar como "pessoa bonita" do nosso país é uma das mais caluniadas e apagadas na nossa História recente.
A "pessoa bonita" lembrada e homenageada hoje na Eira é o Coronel Costa Martins.
O coronel Costa Martins não foi "só" um dos capitães de Abril, foi quem sozinho tomou o Aeroporto de Lisboa num dos mais arriscados (e necessários) bluffs de que alguma vez ouvi falar.
Para conhecer a biografia do Coronel Costa Martins e o seu papel tanto no 25 de Abril de 1974 como no 25 de Novembro de 1975 convido a que visitem este post do blog Reflexos da Vida (de onde também "roubei" a fotografia no nosso Coronel).
A biografia que sugiro só peca por omissão do período em que Costa Martins foi Ministro do Trabalho dos Governos Provisórios do General Vasco Gonçalves (a nossa pessoa bonita #1).
É bom lembrar que foi nos governos em que Vasco Gonçalves era 1º Ministro e Costa Martins Ministro do Trabalho que o nosso povo alcançou as maiores conquistas no plano dos direitos laborais de que há História.
Costa Martins teve também parte activa na "Campanha Mobilizadora de Sentimentos Nobres da População Activa"conhecida por "Dia do Salário para a Nação". Este foi um dos temas que usaram para o caluniar. Particularmente António Arnault, deputado do PS a 15 de Janeiro de 1976, na Assembleia Constituinte acusou Costa Martins de se ter apropriado indevidamente de dinheiro proveniente de dita campanha.
Este assunto só foi esclarecido na década de 80 e por inicativa do próprio Coronel, tendo sido ilibado de todas as acusações.
Costa Martins é provavelmente das mais maltratadas das nossas "pessoas bonitas". Depois de ter um papel fulcral na libertação do nosso povo da ditadura e na construção da liberdade de que todos usufruímos foi obrigado a exilar-se na sequência do 25 de Novembro e durante mais de 2 anos.
A sua carreira militar foi reconstruída muitos anos mais tarde, na sequência de um processo judicial que moveu contra o Estado. Viu então considerada a sua antiguidade, sendo promovido a Coronel. Em 1996 passa à reserva e em 2000 à situação de reforma.
Faleceu a 6 de Março de 2010 num desastre de aviação.
O Coronel Costa Martins é uma das mais bonitas destas "pessoas bonitas" da Eira. Levou uma vida inteira a lutar pelo colectivo nacional (e a sofrer as consequências de o fazer). Façamos nós agora a nossa parte.
Sim! Mais de um mês depois da última entrada é criada uma nova rubrica na Eira.
Intitula-se "Pessoas bonitas" e como é da Eira está bom de ver que sendo modelos não é por causa do seu bom aspecto físico (ou pelo menos não só).
Esta rubrica nova é de apelo à luta e em concreto e mais no imediato à Greve Geral de dia 24 de Novembro. Serve para lembrar pessoas que lutaram e fizeram coisas importantes pelo colectivo nacional (por este povo inteirinho) ou que foram rosto dessas coisas, dessas mudanças. Não posso pôr cá todas, afinal eu nem conheço a maioria delas, nem sei que existem ou existiram.
Num tempo em que nos exigem sacrifícios parece-me bom lembrar os sacrifícios que valeram a pena (e ainda valem).
A primeira pessoa bonita que cá trago é actor habitual no palco da Eira e das mais bonitas do nosso país.
É o General Vasco Gonçalves.
Poucos Generais serão conhecidos por "Companheiro" por esse mundo fora. Nós temos o privilégio de o ter tido como 1º ministro. Para mais informações sobre o "Companheiro Vasco" ver aqui.
Pessoas assim tão bonitas que travaram batalhas por tantos de nós merecem bem que travemos as nossas.