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13.11.15

Aviso à navegação

O Agostinho Neto dizia que as mãos dele tinham carregado pedras para os alicerces do Mundo e que merecia o seu pedaço de pão. A minha mãe queixa-se que os alicerces do Mundo são muito fundos.
Eu acho que enquanto a muitos assobiam para o lado, alguns de nós (muito até) andamos a ajudar o Agostinho Neto na tarefa de alicerçar o Mundo, o Mundo que queremos. 
Outros, no entanto, fingindo cavar as fundações, aprofundam e alargam a vala comum em que pretendem enterrar as vidas de quase todos. A esses resta-me dizer que quanto mais funda cavarem a vala, mais forte e mais alta se erguerá a torre da nossa Vitória.

21.5.14

Quando o que se devia discutir era Portugal e a UE


Enquanto se devia discutir Portugal e a UE e Portugal na UE e talvez a UE em Portugal:

Um chama vírus ao outro
O outro chama nazi ao um

E estamos nisto nas notícias.
Eu percebo que tanto a coligação PPD-PSD/CDS-PP como o PS tenham pouca vontade de discutir o que tem sido a UE para Portugal.
O que tem significado fazermos parte do "projecto europeu" e da moeda única.
Deve ser complicado durante a campanha eleitoral admitir que as políticas que qualquer destes partidos e todos estes partidos têm apoiado e promovido no Parlamento Europeu destruiram o nosso aparelho produtivo. Nas mais diversas vertentes a produção nacional perdeu com a UE: na agricultura, nas pescas, na indústria.
Acho bastante natural que se envergonhem de que por sua causa importemos 80% do peixe que comemos. Nós, povo virado para o mar! Mas infelizmente tenho a impressão de que não se envergonham, só sabem é que essa informação não ganha votos.
A saída da crise também é melhor apresentada se se publicitarem as apreciações favoráveis de estrangeiros orgulhosos, em vez dos números do desemprego com que o "resgate financeiro" nos presenteou. Esses mesmos estrangeiros orgulhosos que lucram com os lucros dos bancos que compram dívida, diz que pública e a quem não dói nunca o desemprego de centenas de milhar de pessoas. E natural que não doa, afinal se não tiverem dinheiro para comprar sapatos de fabrico nacional compram dos feitos na China, na empresa de que estes estrangeiros orgulhosos também são accionistas.

Entretanto a CDU, que nunca traiu o Povo e o País, propõe alternativas, mas isso parece pouco importante para os jornais do nosso país.

Cooperação entre Estados iguais em direitos, defesa da Democracia e da soberania

Solidariedade e cooperação. Defesa do direito ao desenvolvimento económico

Defesa do Emprego. Pelo progresso e a justiça social

Promoção da cultura e língua portuguesas

Defesa do ambiente e salvaguarda dos recursos naturais

Paz, amizade e solidariedade com todos os povos do mundo

Dia 25 Vota CDU!


10.1.14

A aplicabilidade das canções

Com uma frequência entristecedoramente baixa a televisão traz-me boa surpresas.
Hoje apareceu-me a canção do Pete Seeger "Turn, turn, turn" na versão dos Birds.
 Isso lembrou-me o Pete Seeger e fui ouvir uma coisinhas. Tropecei numa canção que ouvi a primeira vez na voz de um cantor escocês (O Dick Gaughan) "Waist Deep in the Big Muddy".

Foi escrita em plena guerra do Vietnam.
Infelizmente lembro-me da penúltima estrofe sempre que ouço notícias sobre o Iraque, o Afganistão, a Síria ou mesmo sobre o Orçamento de Estado ou o Orçamento retificativo no nosso país.


Deixo-vos o vídeo e a letra.

Waist Deep in the Big Muddy
Pete Seeger




It was back in 1941.
I was a member of a good platoon.
We were on maneuvers in Lou'siana one night
By the light of the moon.
The Captain told us to ford a river.
That's how it all begun.
We were knee deep in the Big Muddy,
And the big fool said to push on.

The Sergeant said, "Sir, are you sure
This is the best way back to the base?"
"Sergeant, go on, I've forded this river
About a mile above this place.
It'll be a little soggy, but just keep sloggin'.
We'll soon be on dry ground."
We were waist deep in the Big Muddy,
And the big fool said to push on.

The Sergeant said, "Sir, with all this equipment,
No man will be able to swim."
"Sergeant, don't be a Nervous Nelly,"
The Captain said to him.
"All we need is a little determination.
Men, follow me. I'll lead on."
We were neck deep in the Big Muddy,
And the big fool said to push on.

All at once the moon clouded over.
We heard a gurglin' cry.
A few seconds later the Captain's helmet
Was all that floated by.
The Sergeant said, "Turn around, men.
I'm in charge from now on."
And we just made it out of the Big Muddy
With the Captain dead and gone.

We stripped and dived and found his body
Stuck in the old quicksand.
I guess he didn't know that the water was deeper
Then the place he'd once before been.
Another stream had joined the Big Muddy
About a half mile from where we'd gone.
We were lucky to escape from the Big Muddy
When the big fool said to push on.

Now I'm not going to point any moral —
I'll leave that for yourself.
Maybe you're still walking, you're still talking,
You'd like to keep your health.
But every time I read the papers, that old feeling comes on,
We're waist deep in the Big Muddy
And the big fool says to push on.

Waist deep in the Big Muddy,
The big fool says to push on.
Waist deep in the Big Muddy,
The big fool says to push on.
Waist deep, neck deep,
Soon even a tall man will be over his head.
We're waist deep in the Big Muddy,
And the big fool says to push on.

-Pete Seeger

21.12.11

Não é nada mau sinal

Hoje estive com um senhor (com idade suficiente para ter conhecido o tempo da outra senhora mas insuficiente para se reformar) que estava muito indignado com o convite do Primeiro Ministro à emigração dos professores, logo secundado e generalizado às outras classes profissionais por Paulo Rangel.

Ele perguntava "até quando" ía isto estar assim (a vergonha que se vê).
Eu respondi-lhe que até estalar, que eu andava a ver quando podia estalava.

Ele riu-se da expressão tão aberta do meu desejo (está habituado a ver mais resignação ou a revolta mais velada) e disse numa manifesta declaração de disponibilidade:

      - Eu já fiz um 25 de Abril!

Como quem diz "quem faz um faz dois".

Ainda que eu saiba que as coisas não são assim tão simples é bom ver esta disponibilidade e este desejo.
É que há mais quem saiba que há alternativa à Austeridade e queira fazer por ela (a alternativa, claro).

Cá estaremos para a construir!

25.7.11

Céus! #11




(Ana Martins, Avis, Portugal, Julho 2011)

19.4.11

O despesismo das férias

Conta-nos o Público que:

"Os visitantes nacionais ocupam o quarto lugar no ranking das despesas realizadas com alojamento no exterior. Mas são dos que menos gastam quando fazem férias em Portugal."

Claro que a palavra que aqui está mal é "quando". Não é uma questão de "quando", é de "quem".
Os portugueses que têm dinheiro para pagar férias no estrageiro têm, tipicamente, mais dinheiro para gastar em alojamento. Os portugueses que têm dinheiro para fazer férias no território nacional e não no estrageiro terão, tipicamente menos dinheiro para gastar em alojamento.

Depois, e provavelmente mais importante que estão questiúncula da treta, é a enorme quantidade de portugueses que não tem dinheiro para ir de férias apesar de se esfalfar a trabalhar bem mais de 40 horas por semana. Isto já sem pensar nos que bem queriam trabalhar mas estão desempregados neste país que tanto precisa de aumentar a produção, neste país que tanto potencial tem e que se dá ao luxo, ainda assim, de desperdiçar a enorme riqueza de recursos humanos que possui.

Qualquer dia, qualquer dia!

27.3.11

Porque também pelos ouvidos entra a felicidade

Hoje trago-vos uma canção que o Luís Garção Nunes da Brigada Victor Jara teve a simpatia de pôr no Youtube. Mais que uma canção, esta é uma deliciosa junção de diversos pregões de Lisboa, envolvidos e harmonizados por música com a qualidade habitual da Brigada.

Trago cá esta em particular porque também os sons que não são bem música compõem a nossa cultura (transfronteiriçamente muitas vezes), nos dão identidade e sentimento de pertença e aquela vaga sensação de conforto quando os ouvimos como se, ao ouvi-los soubéssemos que tudo está no seu lugar.

Lembrei-me dela porque esta manhã acordei com essa vaga sensação de conforto enquanto um amolador descia a minha rua, tocando o seu tão característico apito, e de bicicleta pela mão, já que a rua tem um declive muito desencorajador. Desfrutem.




Pregões
Brigada Victor Jara

25.3.11

O que quisermos fazer dele!

"É essencial que Portugal confirme o plano desenhado e aprovado” pelas instâncias europeias
-Jean-Claude Trichet

"os partidos da oposição em Portugal não podem pensar que as condições de austeridade defendidas por Bruxelas vão ser alteradas"
-Nicolas Sarkozy

"Jean-Claude Juncker, deu eco à pressão europeia para Portugal pedir auxílio financeiro ao fundo de socorro do euro, dizendo que, no caso de haver, de facto, uma solicitação, o montante “apropriado” da ajuda rondaria 75 mil milhões de euros."

"Angela Merkel, que já de manhã dissera estar “grata” a Sócrates pelo trabalho de consolidação orçamental e lembrou, tal como Trichet, que as medidas tomadas pelo executivo português receberam o apoio da Comissão Europeia e do BCE."

"Os chefes de Estado e de Governo da UE brindaram José Sócrates com uma salva de palmas, uma tradição do Conselho Europeu para se despedir de um membro que poderá estar a ver pela última vez nas actuais funções." (e que tão bem os serviu (este àparte já é meu)).


Agora o que temos mesmo é que ensinar a estes meninos (e aos que por cá andam a achar que mandam também) é que Portugal é o que nós, povo português, decidirmos fazer dele, não o que eles mandarem.

Porque se Portugal é um país lindíssimo, de clima ameno, bonitas praias, boas florestas, excelente comida e de hospitaleiras e sossegadas gentes, é para quem vem por bem. Não é para quem vem sugar o fruto do nosso trabalho e passar férias jogando golf. Não é para ser quintal de ninguém!

Portugal não é um país pobre!

Tem uma enorme costa subaproveitada, potencial silvícola, pecuário e agrícola (desde que as barragens sirvam para a agricultura de regadio e não para os apregoados campos de golf). Tem uma enorme tradição e vasto conhecimento industrial, na metalurgia, no trabalho do vidro, nos tecidos e confecções, nos sapatos, na cutelaria, no papel, na cortiça, nos vinhos, nas conservas.

Tem boas Universidades públicas onde se faz investigação em parceria com os institutos mais conceituados, se desenvolve tecnologia de ponta e se forma profissionais qualificados (tão qualificados que são aproveitados pelas grandes potências económicas).

Mas sobretudo, tem um povo trabalhador, esmerado e brioso do resultado do seu trabalho (com as excepções que haverá sempre que considerar, claro) que trabalha afincadamente até em condições profundamente adversas.

Portugal tem todas as condições para se desenvolver, desde que nos livremos dos que há mais de 30 anos nos boicotam, desde que mudemos de políticas com a mudança de governo.

Meus caros, Portugal é o que quisermos fazer dele!

22.3.11

Os interesses do PCP

Ontem à noite ouvi alguém dizer que os interesses partidários estavam a ser postos à frente dos interesses do país e que  por isso é que estávamos em crise política.

Nessas alturas eu fico mesmo contente por fazer parte de um Partido cujos interesses, não são (como nunca foram) senão os do nosso país. Dá uma superioridade moral impressionante!


"Tomar partido é ter inteligência

é sabermos em alma e consciência

que o Partido que temos é melhor."


in Tomar Partido
-J.C. Ary dos Santos

15.3.11

As responsabilidaes dos partidos

José Sócrates diz que todos os Partidos têm que assumir as suas responsabilidades.

Que não se preocupe nada, estou certa que o PCP assumirá as responsabilidades que são suas.
Aquelas que sempre assumiu para com o nosso Povo.

11.3.11

Depois de ouvir o noticiário

Helena André vomita declarações sobre o subsídio de desemprego, Sócrates hipoteca o futuro dos portugueses e do nosso país e a União Europeia fica feliz com o esforço do governo do PS por assassinar a economia portuguesa.
De passagem as agências de rating fazem a avaliação que bem entendem , porque são empresas privadas com interesses económicos muito claros e contrários aos do nosso povo, os juros da emissão da dívida aumentam especulativamente e o FMI esfrega as mãos de contente.

30.1.11

Céus! #9

Ana Martins, Lisboa, Janeiro de 2011

6.1.11

Isto é só temporário

"Isto é só temporário." dizia-me um colega meu, assim que aparecer uma coisa melhor, de que ele goste mais, que seja da sua área de especialidade e preferência ele muda-se.
Pois é, hoje em dia esperamos que esta situação que não é ideal, que é o que se arranja, seja temporária. Hoje em dia o que se arranja é tão pouco recompensante que em vez de desejarmos estabilidade no emprego desejamos encontrar qualquer coisa melhor rapidamente.
Mas como arranjar o qualquer coisa remotamente parecida com a nossa área  já é uma enorme sorte, mudamos de cidade e deixamos a família, o companheiro, a maioria dos amigos os laços e as rotinas sociais para aceitar um emprego que não é, nem de perto nem de longe, o dos nossos sonhos. E esperamos que seja por pouco tempo.
Os jovens licenciados e mestres de diversas áreas asseguram muita da investigação que se faz em Portugal num regime de bolseiro de investigação, sem descontos para a Segurança Social, sem contar para a idade da reforma, sem direito a subsídio de férias ou de Natal, sem direito a subsídio de desemprego no fim da bolsa. Asseguram-se funções permanentes nos centros de investigação ligados às Universidades, com o financiamento do Estado através da FCT, mas sem contratar ninguém, sem vínculos.
Agora quando encontramos algo bom esperamos que seja por um bom tempo, mas a noção de "um bom tempo" também está a mudar. Agora achamos que uma bolsa de investigação de um ano é "um bom tempo" então se puder ser extensível a 2 anos é uma maravilha. Mas nessa maravilha só entra sobreviver com um nível de vida razoável. Não entram "luxos", nem direitos, muito menos regalias. Sobretudo não entra comprar uma casa, nem ter um filho (até porque, se a bolsa é de um ano, quando a criança tiver 3 meses já estamos na rua outra vez).

É triste o "é só temporário" e é triste que o longo prazo seja tão curto.

É o Portugal que temos. Seguramente não é o que queremos...


Mas felizmente, não é só o emprego que é temporário!

6.7.10

Imbecilidades recorrentes

"As pessoas não querem trabalho, querem um emprego!"

Se calhar sou eu que sou esquisita, mas eu até acho normal que as pessoas queiram ver os seus direitos assegurados em troca do seu esforço de produção.

Eu acho normal que não queiram trabalhar feitos escravos.

Acho normal que queiram um salário digno e descontos para a segurança social. Aliás, eu acho que isso seria normal nos trabalhadores do Estado porque em troca de engordar quem está "gordo de comer a sua terra" até acho que é pedir pouco.


"Eles não querem trabalhar, querem é viver do rendimento mínimo e do subsídio de desemprego. Querem viver às nossas custas!"

Pois claro! Está-se mesmo a ver que há mais de 700 000 pessoas que não querem comprar uma casa, viver confortavelmente, nem fazer as compras do supermercado sem ter que contar os tostões.

Está-se mesmo a ver que há milhares de jovens no nosso país que não querem casar-se nem ter filhos.

E, sobretudo, está-se mesmo a ver que os beneficiários do subsídio de desemprego nunca descontaram para terem direito a esse subsídio e estão é a viver "às nossas custas"!

"Para quem quer trabalhar há sempre trabalho."

Pois há, sobretudo trabalho escravo, perdão, trabalho voluntário que explora a necessidade das pessoas de enriquecerem o curriculum na esperança de arranjarem emprego mais tarde. Assim dá-se resposta (e mal) às necessidades das organizações que antes contratavam pessoas para as funções que desempenham os "voluntários".

"Vê lá se querem trabalhar ao fim de semana, ou por turnos à noite, não querem! E depois queixam-se!"

Porque o único que tem direito a passar o fim de semana com a família é o imbecil chapado que diz isto refastelado na cadeira do café.
Agora as crianças já não precisam de ter os pais em casa para lhes darem o jantar, nem para lhes corrigirem os trabalhos de casa, nem para lhes lerem uma história antes de dormir.
Na verdade as crianças são auto-suficientes, eu nem sei porque investimos tanto em cuidados parentais, é um desperdício, deve ser alguma tendência vinda do nosso antepassado em comum com os outros símios de que a evolução ainda não nos desfez.

Eu juro que tento ter paciência, pensar que não são más pessoas, que só foram manipuladas mas há vezes em que me custa mesmo muito. Felizmente depois arranjo a terapêutica companhia dos que sacodem prontamente a areia que lhes atiram para os olhos e sei que "isto vai".

1.5.10

1º de Maio - 120 anos


Na luta pelas 8 horas de trabalho diário diversas organizações de trabalhadores dos EUA convocam uma greve de enormes proporções para o 1º de Maio de 1886.
Em Chicago dezenas de milhar de trabalhadores em greve reúnem-se em manifestação, a repressão policial faz-se sentir de maneira violenta em muitas empresas.
A 4 de Maio, num comício de solidariedade com os trabalhadores de uma empresa onde a repressão chegara a provocar mortos e feridos graves foi lançada uma bomba para o meio do público. A pretexto da bomba muitos quadros sindicais são presos e condenados a trabalhos forçados. Oito deles foram condenados à morte e enforcados.

No congresso fundador da II Internacional (Paris, 14 de Julho de 1889) os "mártires de Chicago" são homenageados e a data 1º de Maio proclamada como jornada de luta por direitos laborais a nível mundial.

“Será organizada uma grande manifestação internacional numa data fixa de modo a que, em todos os países e em todas as cidades em simultâneo, num mesmo dia, os trabalhadores reclamem dos poderes públicos a redução legal da jornada de trabalho, e a aplicação das outras resoluções do Congresso Internacional de Paris.Tendo em conta que uma tal manifestação foi já convocada para o 1º de Maio de 1890 pela American Federation of Labour, no seu congresso de Dezembro de 1888 em St Louis, é esta a data adoptada para a manifestação internacional.”.

Embora com datas diferentes, o 1º de Maio foi assumindo, uma grande importância e um forte simbolismo nas lutas dos trabalhadores, sendo ponto de afirmação política extremamente importante também em Portugal, nomeadamente durante a ditadura.

Nos 120 anos do 1º de Maio continua a fazer falta sair à rua e defender e exigir direitos laborais. Tristemente. no nosso país até faz de novo sentido lutar-se pelas 8 horas de trabalho diário, direito que a flexibilidade horária e o trabalho por turnos querem distorcer ou mesmo ignorar.

O 1º de Maio é para se sair à rua, com muita, muita gente e gritar e exigir e defender os direitos que são nossos. Em Portugal é afirmar Abril, com o ideal que o liderou, como em Maio de 1974.

Eu, pelo 3º ano consecutivo, não irei a nenhuma manifestação, não gritarei nem exigirei. Vivo numa terra onde os caciques mandam, onde as estruturas sindicais estão minadas pelo patronato, onde as pessoas trabalham muitas vezes de sol a sol, onde os indígenas são tratados abaixo de cão e onde a propaganda consegue mesmo difundir o individualismo. Onde o exército patrulha as ruas e ninguém acha estranho, onde crianças de 3 ou 4 anos vendem cigarros, pastilhas elásticas e rosas, às 3 da manhã, em bares onde se consome cocaína.
Hoje o mercado tem os postos todos abertos e muita gente como todos os sábados, os supermercados estão abertos, os mini-mercados também, todas as lojas, restaurantes, cafés, tudo.

Chiapas pode ser muito neo-zapatista, mas está muito longe de ter 1º de Maio...