13.6.12
Os assuntos do coração
- Tenho uma tendência comprovada para tomar más decisões em assuntos do coração.
-Então?
- Não consigo deixar de comer manteiga!
-Então?
- Não consigo deixar de comer manteiga!
11.6.12
A felicidade
Ao pegar em livros para emprestar tenho sempre a "necessidade" de ir rever as pasagem que assinalei. Hoje encontrei esta:
"Que ninguém tenha vergonha de ser feliz. Além do mais porque a felicidade do ser humano é um dos objectivos da luta dos comunistas."
"Que ninguém tenha vergonha de ser feliz. Além do mais porque a felicidade do ser humano é um dos objectivos da luta dos comunistas."
in O Partido com Paredes de Vidro, Álvaro Cunhal
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30.4.12
Como sabemos todos escrever
"O PS(...) não assina de cruz nenhum documento enviado para Bruxelas sem ser discutido no Parlamento.” diz António José Seguro
Mesmo que seja um atentado ao nosso povo,mesmo que nos afunde num fundíssimo lodaçal económico, desde que seja apresentado primeiro no Parlamento, cumprindo os devidos prazos, o PS fará o que tem feito até agora: assinará por baixo. Só não de cruz, afinal no grupo parlamentar do PS todos foram à escola e aprenderam a ler sem ser em centros de Novas Oportunidades...
Mesmo que seja um atentado ao nosso povo,mesmo que nos afunde num fundíssimo lodaçal económico, desde que seja apresentado primeiro no Parlamento, cumprindo os devidos prazos, o PS fará o que tem feito até agora: assinará por baixo. Só não de cruz, afinal no grupo parlamentar do PS todos foram à escola e aprenderam a ler sem ser em centros de Novas Oportunidades...
23.4.12
"A Crise do Capitalismo: Capitalismo, Neoliberalismo, Globalização"
Na Quinta-feira passada em Coimbra havia muitos programas culturais por onde escolher para animar a noite. Eu escolhi este:
Numa iniciativa conjunta entre a Editora Página a Página, a Casa da Escrita e o Ateneu de Coimbra assisti à apresentação do novo livro de António Avelãs Nunes "A Crise do Capitalismo: Capitalismo, Neoliberalismo, Globalização".
O livro foi apresentado por Sérgio Ribeiro, economista particularmente didáctico. (Podeis ler coisas dele diariamente aqui). Foi uma iniciativa particularmente interessante, como aliás é hábito das iniciativas com participação do Ateneu. Analisou-se a situação actual (económica e social) do nosso país, discutiram-se hipóteses de cenários futuros, oulhou-se lá para fora também (como não podia deixar de ser) e acalentou-se aquela esperança (quase certeza) de que um dia mudaremos "isto", ainda que nos custe muito esforço (e sofrimento).
Mais fotografias do evento aqui.
21.3.12
Pelo sonho
Amanhã é dia de Greve Geral. Já o tinha dito no último "post". Mas pareceu-me quando o terminei que, embora estivesse correcto e claro, estava algo "seco". Por isso decidi escrever outro.
Amanhã faço Greve Geral e saio à rua. Como estou em Coimbra vou à praça 8 de Maio às 11h.
Amanhã faço Greve Geral porque tenho um local de trabalho fixo, não tendo um horário fixo cumpro um horário mais ou menos certo todos os dias. Desempenho funções diversas no âmbito de um projecto de investigação financiado pelo Estado através da FCT. Assinei um contrato de dedicação exclusiva. No entanto não tenho um vínculo juridico-laboral, desconto para a Segurança Social o Seguro Social Voluntário correspondente ao ordenado mínimo. Recebo 12 meses e já era isso que ia receber antes de o governo anunciar que roubaria os trabalhadores do subsídio de férias e de Natal. Sou bolseira de investigação científica. Tenho 27 anos e não sei bem o que vou fazer quando acabar a minha bolsa (que já não pode voltar a ser renovada), mas provavelmente esperar-me-á, na melhor das hipóteses, outra bolsa (possivelmente até no mesmo local de trabalho).
Para os leitores mais necessitados de explicações mais explícitas eu desenvolvo.
Amanhã faço greve e saio à rua pelo direito a um emprego seguro e com direitos, pelo reconhecimento do meu desempenho e da minha valia laboral e pelas funções sociais do Estado. Estas condições são fulcrais no desenvolvimento da vida pessoal dos cidadãos.
Sem elas está posto em causa o meu direito a tornar-me autónoma dos meus pais, a estabelecer-me; está em causa uma decisão tão pessoal e emocional como a de ter filhos. Está em causa o meu direito a uma maternidade consciente e feliz.
O discurso oficial é de tal modo derrotista e determinista que ultimamente me tem parecido que o objectivo é que deixemos serquer de sonhar.
Eu decidi que tente quanto tente, ninguém me fará deixar de sonhar, ninguém me vai castrar os sonhos. Os sonhos não! Mas quanto mais olho para as pessoas à minha volta, mais me parece que até de sonho andamos parcos.
Amanhã faço Greve e saio à rua pelo meu direito a ser útil à sociedade (e não só ao grande capital) e pelo meu direito de construir uma vida e a minha felicidade. Aliás, amanhã faço Greve e saio à rua pelo nosso direito a ser úteis à sociedade e pelo nosso direito de contruir uma vida e à felicidade.
E sim. Amanhã faço Greve e saio à rua também pelo nosso direito a sonhar, a sonhar os nossos pequenos sonhos individuais e os grandes sonhos colectivos também.
Amanhã é dia de Greve Geral!
Amanhã faço Greve Geral e saio à rua. Como estou em Coimbra vou à praça 8 de Maio às 11h.
Amanhã faço Greve Geral porque tenho um local de trabalho fixo, não tendo um horário fixo cumpro um horário mais ou menos certo todos os dias. Desempenho funções diversas no âmbito de um projecto de investigação financiado pelo Estado através da FCT. Assinei um contrato de dedicação exclusiva. No entanto não tenho um vínculo juridico-laboral, desconto para a Segurança Social o Seguro Social Voluntário correspondente ao ordenado mínimo. Recebo 12 meses e já era isso que ia receber antes de o governo anunciar que roubaria os trabalhadores do subsídio de férias e de Natal. Sou bolseira de investigação científica. Tenho 27 anos e não sei bem o que vou fazer quando acabar a minha bolsa (que já não pode voltar a ser renovada), mas provavelmente esperar-me-á, na melhor das hipóteses, outra bolsa (possivelmente até no mesmo local de trabalho).
Para os leitores mais necessitados de explicações mais explícitas eu desenvolvo.
Amanhã faço greve e saio à rua pelo direito a um emprego seguro e com direitos, pelo reconhecimento do meu desempenho e da minha valia laboral e pelas funções sociais do Estado. Estas condições são fulcrais no desenvolvimento da vida pessoal dos cidadãos.
Sem elas está posto em causa o meu direito a tornar-me autónoma dos meus pais, a estabelecer-me; está em causa uma decisão tão pessoal e emocional como a de ter filhos. Está em causa o meu direito a uma maternidade consciente e feliz.
O discurso oficial é de tal modo derrotista e determinista que ultimamente me tem parecido que o objectivo é que deixemos serquer de sonhar.
Eu decidi que tente quanto tente, ninguém me fará deixar de sonhar, ninguém me vai castrar os sonhos. Os sonhos não! Mas quanto mais olho para as pessoas à minha volta, mais me parece que até de sonho andamos parcos.
Amanhã faço Greve e saio à rua pelo meu direito a ser útil à sociedade (e não só ao grande capital) e pelo meu direito de construir uma vida e a minha felicidade. Aliás, amanhã faço Greve e saio à rua pelo nosso direito a ser úteis à sociedade e pelo nosso direito de contruir uma vida e à felicidade.
E sim. Amanhã faço Greve e saio à rua também pelo nosso direito a sonhar, a sonhar os nossos pequenos sonhos individuais e os grandes sonhos colectivos também.
Amanhã é dia de Greve Geral!
Já aqui à porta
Seja qual for a porta em que se "plante" o teu piquete, é amanhã, 22 de Março de 2012, dia de Greve Geral.
Parafraseando a CGTP, contra a exploração e o empobrecimento, todos à Greve Geral!
Contra a desregulamentação dos horários e os bancos de horas.
Contra o roubo nos salários e pensões.
Contra o despedimento sem justa-causa.
Contra as privatizações.
Contra a política de recesseção e afundamento económico.
Pelo pagamento da nossa dívida e não da dívida alheia.
Pela renegociação de montantes, juros e prazos de pagamento.
Pela defesa e promoção do aparelho produtivo nacional.
Pela criação de emprego e riqueza.
Pela estabilidade laboral e pelo trabalho com direitos.
Pela melhoria dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.
Pelo aumento dos salários e pensões de reforma.
Pelo conprimento da Constituição da República Portuguesa.
Por nós, nós todos enquanto povo de uma nação soberana é que eu faço Greve amanhã.
Parafraseando a CGTP, contra a exploração e o empobrecimento, todos à Greve Geral!
Contra a desregulamentação dos horários e os bancos de horas.
Contra o roubo nos salários e pensões.
Contra o despedimento sem justa-causa.
Contra as privatizações.
Contra a política de recesseção e afundamento económico.
Pelo pagamento da nossa dívida e não da dívida alheia.
Pela renegociação de montantes, juros e prazos de pagamento.
Pela defesa e promoção do aparelho produtivo nacional.
Pela criação de emprego e riqueza.
Pela estabilidade laboral e pelo trabalho com direitos.
Pela melhoria dos serviços públicos e das funções sociais do Estado.
Pelo aumento dos salários e pensões de reforma.
Pelo conprimento da Constituição da República Portuguesa.
Por nós, nós todos enquanto povo de uma nação soberana é que eu faço Greve amanhã.
9.3.12
Pessoas bonitas #10
Como o prometido é devido voltamos a ter "Pessoas bonitas" na Eira. E elas regressam em grande!
A pessoa bonita de hoje é o Adriano Correia de Oliveira.
Este ano cumprem-se 25 anos sobre a morte do Adriano que morreu claramente cedo demais, aos 40 anos de idade (outros há que morrendo com menor idade já morreriam tarde, mas este não).
O Adriano foi um homem completo, de vida cheia e dedicada.
Soube aproveitar como poucos o que a vida estudantil coimbrã tem para oferecer bem para além da formação académica. É da secção de volei da AAC, do Orfeon académico, do Grupo Universitário de Danças Regionais, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, da Tuna Académica, repúblico na Rás-Teparta, dos órgãos sociais da AAC e grevista em 1962.
Em 1960 entra para o Partido Comunista Português é activo na luta anti-fascista.
Canta, o Adriano canta. Canta tanto, canta tudo! O Adriano canta "Venho dizer-vos que não tenho medo!" no tempo em que o medo era rei. Canta a tristeza do fado de Coimbra, numa voz que não era de fado, era melhor. Canta a canção tradicional portuguesa, canta a revolução onde e quando fosse preciso.
Sobretudo o Adriano canta-nos.
Neste ofício em que era mestre fez imensas parcerias: com Manuel Alegre, José Calvário, José Niza, Rui Pato, António Portugal e tantos outros. Cantou por todo o lado, para grandes audiências e pequenos encontros; em Portugal e no estrageiro.
Adriano construiu a Revolução antes e depois dela.
Em 1979 ajuda a fundar a cooperativa artística Catarabril da qual acaba por ser afastado mais tarde juntando-se à Era Nova.
O último concerto do Adriano foi em Mondim de Basto em 1982, num encontro do PCP numa escola.
Nesse ano morre em Avintes, vítima de uma hemorragia esofágica e nós perdemos todos um excelente cantor e revolucionário.
O Adriano é uma das pessoas que tenho mais pena de não ter conhecido, mas já nasci tarde para isso. Ele fugiu-nos muito cedo. É uma pessoa extraordinariamente bonita,com uma voz que o espelha bem.
Para ouvir deixo-vos uma canção do seu último disco, "Quando eu cheguei ao Barreiro", tradicional Portuguesa, do Alentejo. Lembro-me dela muitas vezes quando penso na quantidade enorme de gente nova que conheço que migra para a capital ou para o estrangeiro, como se fazia há 50 anos, em busca de trabalho e outra vida.
É porque nós merecemos outra coisa, "coisa boa" que lutamos, mas também porque gente como o Adriano merece que o cantava há tantos anos não seja ainda tão terrivelmente actual.
Dia 22 de Março é dia de Greve Geral!
-Quando eu Cheguei ao Barreiro-
Vou-me embora p'ra Lisboa
Porque a vida cá é má.
À busca de, de coisa boa
Pergunto não encontro cá.
À busca de, de coisa boa
Pergunto não encontro cá.
Quando eu montei o comboio
Que assoprava pela via.
Às vezes penso comigo e digo
Não sei que sorte é a minha.
Às vezes penso comigo e digo
Não sei que sorte é a minha.
Quando eu cheguei ao Barreiro
No barco que atravessa o Tejo.
Chora por mim qu'eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.
Chora por mim qu'eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.
A pessoa bonita de hoje é o Adriano Correia de Oliveira.
Este ano cumprem-se 25 anos sobre a morte do Adriano que morreu claramente cedo demais, aos 40 anos de idade (outros há que morrendo com menor idade já morreriam tarde, mas este não).
O Adriano foi um homem completo, de vida cheia e dedicada.
Soube aproveitar como poucos o que a vida estudantil coimbrã tem para oferecer bem para além da formação académica. É da secção de volei da AAC, do Orfeon académico, do Grupo Universitário de Danças Regionais, do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, da Tuna Académica, repúblico na Rás-Teparta, dos órgãos sociais da AAC e grevista em 1962.
Em 1960 entra para o Partido Comunista Português é activo na luta anti-fascista.
Canta, o Adriano canta. Canta tanto, canta tudo! O Adriano canta "Venho dizer-vos que não tenho medo!" no tempo em que o medo era rei. Canta a tristeza do fado de Coimbra, numa voz que não era de fado, era melhor. Canta a canção tradicional portuguesa, canta a revolução onde e quando fosse preciso.
Sobretudo o Adriano canta-nos.
Neste ofício em que era mestre fez imensas parcerias: com Manuel Alegre, José Calvário, José Niza, Rui Pato, António Portugal e tantos outros. Cantou por todo o lado, para grandes audiências e pequenos encontros; em Portugal e no estrageiro.
Adriano construiu a Revolução antes e depois dela.
Em 1979 ajuda a fundar a cooperativa artística Catarabril da qual acaba por ser afastado mais tarde juntando-se à Era Nova.
O último concerto do Adriano foi em Mondim de Basto em 1982, num encontro do PCP numa escola.
Nesse ano morre em Avintes, vítima de uma hemorragia esofágica e nós perdemos todos um excelente cantor e revolucionário.
O Adriano é uma das pessoas que tenho mais pena de não ter conhecido, mas já nasci tarde para isso. Ele fugiu-nos muito cedo. É uma pessoa extraordinariamente bonita,com uma voz que o espelha bem.
Para ouvir deixo-vos uma canção do seu último disco, "Quando eu cheguei ao Barreiro", tradicional Portuguesa, do Alentejo. Lembro-me dela muitas vezes quando penso na quantidade enorme de gente nova que conheço que migra para a capital ou para o estrangeiro, como se fazia há 50 anos, em busca de trabalho e outra vida.
É porque nós merecemos outra coisa, "coisa boa" que lutamos, mas também porque gente como o Adriano merece que o cantava há tantos anos não seja ainda tão terrivelmente actual.
Dia 22 de Março é dia de Greve Geral!
-Quando eu Cheguei ao Barreiro-
-Canta Adriano Correia de Oliveira-
-Quando eu Cheguei ao Barreiro-
Vou-me embora p'ra Lisboa
Porque a vida cá é má.
À busca de, de coisa boa
Pergunto não encontro cá.
À busca de, de coisa boa
Pergunto não encontro cá.
Que assoprava pela via.
Às vezes penso comigo e digo
Não sei que sorte é a minha.
Às vezes penso comigo e digo
Não sei que sorte é a minha.
Quando eu cheguei ao Barreiro
No barco que atravessa o Tejo.
Chora por mim qu'eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.
Chora por mim qu'eu choro por ti
Já deixei o Alentejo.
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16.2.12
A Luta continua!
Porque no Terreiro do Paço éramos imensos, mas não suficientes.
Dia 22 de Março é dia de Greve Geral!
Em breve retomaremos as "Pessoas bonitas" cá na Eira. Há uma grande fila só à espera de entrar.
Dia 22 de Março é dia de Greve Geral!
Em breve retomaremos as "Pessoas bonitas" cá na Eira. Há uma grande fila só à espera de entrar.
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13.2.12
8.2.12
Um post que já cá devia estar!
Porque não há-de pesar na minha consciência
- a falta de reconhecimento do meu trabalho e da minha competência;
- a precariedade do meu trabalho;
- a exploração do nosso povo;
- a destruição do aparelho produtivo português (ou o que resta dele);
- o desmantelamento das empresas públicas de transportes;
- o empobrecimento generalizado da população;
- o roubo nos salários e nas pensões;
- a privatização do serviço nacional de saúde;
e tantas coisas mais que estes sacanas (para não lhes chamar oura coisa) andam a fazer que nem cabem cá todas é que eu vou no Sábado vamos ao Terreiro do Paço.
Para pôr o Passos (e companhia) na linha.
Como o Samuel diz que quem cala consente cá em Coimbra dizemos que não nos calam!
E Sábado havemos de o dizer (e gritar bem alto) no Terreiro do Paço juntamente com muito Povo!
Todos à manif!
- a falta de reconhecimento do meu trabalho e da minha competência;
- a precariedade do meu trabalho;
- a exploração do nosso povo;
- a destruição do aparelho produtivo português (ou o que resta dele);
- o desmantelamento das empresas públicas de transportes;
- o empobrecimento generalizado da população;
- o roubo nos salários e nas pensões;
- a privatização do serviço nacional de saúde;
e tantas coisas mais que estes sacanas (para não lhes chamar oura coisa) andam a fazer que nem cabem cá todas é que eu vou no Sábado vamos ao Terreiro do Paço.
Para pôr o Passos (e companhia) na linha.
Como o Samuel diz que quem cala consente cá em Coimbra dizemos que não nos calam!
E Sábado havemos de o dizer (e gritar bem alto) no Terreiro do Paço juntamente com muito Povo!
Todos à manif!
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21.1.12
Que culpa tem o Pastel de nata(*)
(*) Com as devidas desculpas aos Quilapayún.
À conta das declarações do ministro da economia sobre o potencial económico internacional do pastel de nata e das lamúrias do (infelizmente) Presidente da República sobre a suficiência da sua reforma lembrei-me de um acanção muito pouco ortodoxa dos Quilapayún.
Desfrutem e atentem bem na última estrofe, que um dia isto vira, como a tortilla.
À conta das declarações do ministro da economia sobre o potencial económico internacional do pastel de nata e das lamúrias do (infelizmente) Presidente da República sobre a suficiência da sua reforma lembrei-me de um acanção muito pouco ortodoxa dos Quilapayún.
Desfrutem e atentem bem na última estrofe, que um dia isto vira, como a tortilla.
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21.12.11
Não é nada mau sinal
Hoje estive com um senhor (com idade suficiente para ter conhecido o tempo da outra senhora mas insuficiente para se reformar) que estava muito indignado com o convite do Primeiro Ministro à emigração dos professores, logo secundado e generalizado às outras classes profissionais por Paulo Rangel.
Ele perguntava "até quando" ía isto estar assim (a vergonha que se vê).
Eu respondi-lhe que até estalar, que eu andava a ver quando podia estalava.
Ele riu-se da expressão tão aberta do meu desejo (está habituado a ver mais resignação ou a revolta mais velada) e disse numa manifesta declaração de disponibilidade:
- Eu já fiz um 25 de Abril!
Como quem diz "quem faz um faz dois".
Ainda que eu saiba que as coisas não são assim tão simples é bom ver esta disponibilidade e este desejo.
É que há mais quem saiba que há alternativa à Austeridade e queira fazer por ela (a alternativa, claro).
Cá estaremos para a construir!
Ele perguntava "até quando" ía isto estar assim (a vergonha que se vê).
Eu respondi-lhe que até estalar, que eu andava a ver quando podia estalava.
Ele riu-se da expressão tão aberta do meu desejo (está habituado a ver mais resignação ou a revolta mais velada) e disse numa manifesta declaração de disponibilidade:
- Eu já fiz um 25 de Abril!
Como quem diz "quem faz um faz dois".
Ainda que eu saiba que as coisas não são assim tão simples é bom ver esta disponibilidade e este desejo.
É que há mais quem saiba que há alternativa à Austeridade e queira fazer por ela (a alternativa, claro).
Cá estaremos para a construir!
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Das taxas moderadoras
Sem querer entrar numa grande explicação sobre a injustiça das taxas moderadoras quero dizer o seguinte:
1- As taxas moderadoras são injustas qualquer que seja o seu valor;
2- As taxas moderadoras são injustas mesmo que sejam mais altas para ricos e mais baixas para pobres (porque essa diferença se faz nos impostos ,sobre os rendimentos e não no SNS)
3- Que a Contituição da República Portuguesa diz no seu artigo 64º que imcumbe prioritariamente ao Estado "Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação "
E dizer que espero nunca ser atendida em nenhum hospital pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros (Enf.ª Maria Augusta Sousa) porque me parece que tem um défice de inteligência maior do que o buraco financeiro da Madeira. Se assim não fosse talvez lhe ocorresse que melhorar as condições de trabalho e salariais dos enfermeiros seria uma forma muito melhor de valorizar o trabalho dessa classe profissional do que taxar (perdão, moderar) os utentes do SNS pelos seus serviços.
Adenda:
Na sequência do comentário informado do Paulo Anacleto sinto-me na obrigação de referir no post que a Ordem dos Enfermeiros efectivamente repudiou, através de uma nota de imprensa do seu Conselho Directivo, o aumento das taxas moderadoras.
No entanto, não deixa de ser verdade que a Bastonária acima referida se pôs bem a jeito para a Antena 1 empolar desmesuradamente (e talvez até distorcendo o que a senhora disse) as suas palavras (audíveis aqui). Alguém com cargos com esta importância e tempo de antena tem que pensar melhor no que diz antes de dizer.
De qualquer modo agrada-me muito (naturalmente) a posição oficial da Ordem dos Enfermeiros.
Adenda:
Na sequência do comentário informado do Paulo Anacleto sinto-me na obrigação de referir no post que a Ordem dos Enfermeiros efectivamente repudiou, através de uma nota de imprensa do seu Conselho Directivo, o aumento das taxas moderadoras.
No entanto, não deixa de ser verdade que a Bastonária acima referida se pôs bem a jeito para a Antena 1 empolar desmesuradamente (e talvez até distorcendo o que a senhora disse) as suas palavras (audíveis aqui). Alguém com cargos com esta importância e tempo de antena tem que pensar melhor no que diz antes de dizer.
De qualquer modo agrada-me muito (naturalmente) a posição oficial da Ordem dos Enfermeiros.
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12.12.11
Saiu de casa
Saiu de casa apressada ainda que sem horário fixo para chegar a lado nenhum.
Saiu de casa com pressa de sair de casa, fugindo dos afazeres.
Saiu de casa com passo rápido e a ouvir um punk-rock animado na esperança de libertar pressão.
Saiu de casa de mandíbula apertada como quem mastiga uma raiva ou um desespero.
Saiu de casa na urgência de relaxar, sentou-se na esplanada e pediu um café.
Saiu de casa com pressa de sair de casa, fugindo dos afazeres.
Saiu de casa com passo rápido e a ouvir um punk-rock animado na esperança de libertar pressão.
Saiu de casa de mandíbula apertada como quem mastiga uma raiva ou um desespero.
Saiu de casa na urgência de relaxar, sentou-se na esplanada e pediu um café.
23.11.11
Pessoas bonitas # 9
Hoje a pessoa bonita é cá de Coimbra:
Alberto Vilaça nasceu em Coimbra em 1929 onde estudou Direito e exerceu a profissão de advogado.
Alberto Vilaça nasceu em Coimbra em 1929 onde estudou Direito e exerceu a profissão de advogado.
Fez parte do Conselho Cultural da Associação Académica de Coimbra (1949-50) e da Direcção Geral da mesma (1950-51).
Desenvolveu uma intensa actividade anti-fascista tendo aderido ao PCP em 1949. Foi presidente da Mesa da Assembleia Geral do Ateneu de Coimbra (1952-55 e 1967-71); pertenceu às ccomissões centrais do MUD Juvenil e do MND assim como à Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática.
Foi preso seis vezes pela PIDE.
Após o 25 de Abril, presidiu à Junta Distrital de Coimbra (1974-75) e fez parte da Assembleia Municipal desta cidade (1978-79 e 1983-89).
Integrou a Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Coimbra e foi condecorado com o grau de grande oficial da Ordem da Liberdade pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio.
Publicou vários livros pertenceu ainda aos conselhos de redacção das revistas "Via Latina" e "Vértice" e foi sócio fundador da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo.
Aqui podeis ler a intervenção de António Pedro Pita, à data Director Regional da Cultura do Centro, a 8 de Novembro de 2008, numa homenagem, realizada no âmbito do I Encontro Nacional da Toponímia, em Coimbra.
Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!
É já amanhã!
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22.11.11
Pessoas bonitas # 8
Hoje vem cá à Eira Soeiro Pereira Gomes.
Nasceu em 1909 na aldeia de Gestaçô, concelho de Baião (Douro), de uma família de pequenos agricultores. Aprende a ler com o pai ainda antes da escola primária. Tira o curso de regente na Escola Agrária de Coimbra e parte para Angola em 1930 de onde regressa insatisfeito em 1931. Nesse ano casa com Manuela Câncio Reis, fixa residência em Alhandra e emprega-se no escritório da fábrica Cimento Tejo.
No final dos anos 30 adere ao PCP e participa activamente na actividade do PCP no Baixo Ribatejo.
Soeiro Pereira Gomes foi pioneiro do movimento neo-realista, colaborou nos jornais Sol Nascente e O Diabo, organizou cursos de ginástica para os operários da Cimento Tejo, ajudou a criar bibliotecas populares em sociedades recreativas e uma piscina para o povo de Alhandra onde se formou Baptista Pereira (grande nadador, comunista e inspiração para a personagem Ginêto dos Esteiros).
Com Alves Redol e Dias Lourenço promoveu excursões de fragata no Tejo, onde se estabelecia contacto político fora da vista do regime fascista.
Entre 1940 e 1942 participa na re-organização do PCP e integra o Comité Regional do Ribatejo com Dias Lourenço e Carlos Pato.
Em 1941 a editora Sirius publica Esteiros com ilustrações de Álvaro Cunhal, de que diz Soeiro Pereira Gomes "Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro".
Pela janela aberta da moradia de Soeiro Pereira Gomes ouviam-se as notícias da rádio sintonizada na BBC (proíbida nos cafés) para dar a conhecer a evolução da II Guerra Mundial através das notícas de Londres em Português.
É obrigado a mergulhar na clandestinidade na sequência das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, ano em que escrevia Engrenagem que nunca chegou a terminar.
É eleito para o Comité Central do PCP no IV Congresso na Lousã em Julho de 1946, é destacado para o Sector de Lisboa e torna-se membro da Comissão Executiva do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (MUNAF) e acompanha a actividade dos camaradas que actuam no Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Participa ainda na campanha presidencial de Norton de Matos em 1949 mas uma doença grave destroi-lhe a resistência física, vindo a morrer em Lisboa a 5 de Dezembro do mesmo ano.
Soeiro Pereira Gomes dá nome ao centro de trabalho do PCP situado na rua com o mesmo nome em Lisboa. Para ler sobre ele textos de quem muito melhor escreve do que eu clicar aqui.
Demorei muito a começar a ler Soeiro Pereira Gomes mas recomendo vivamente.
Ao ver as datas dos contos que compõem Contos Vermelhos pensei "Ainda faltava tanto!"
O Soeiro Pereira Gomes não chegou lá (à liberdade, claro) mas deu um grande contributo para que nós (todos, sem olhar a quem) pudéssemos chegar. É claramente uma "pessoa bonita", excelente companhia para as que já cá vieram fazer visita antes.
Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!
Nasceu em 1909 na aldeia de Gestaçô, concelho de Baião (Douro), de uma família de pequenos agricultores. Aprende a ler com o pai ainda antes da escola primária. Tira o curso de regente na Escola Agrária de Coimbra e parte para Angola em 1930 de onde regressa insatisfeito em 1931. Nesse ano casa com Manuela Câncio Reis, fixa residência em Alhandra e emprega-se no escritório da fábrica Cimento Tejo.
No final dos anos 30 adere ao PCP e participa activamente na actividade do PCP no Baixo Ribatejo.
Soeiro Pereira Gomes foi pioneiro do movimento neo-realista, colaborou nos jornais Sol Nascente e O Diabo, organizou cursos de ginástica para os operários da Cimento Tejo, ajudou a criar bibliotecas populares em sociedades recreativas e uma piscina para o povo de Alhandra onde se formou Baptista Pereira (grande nadador, comunista e inspiração para a personagem Ginêto dos Esteiros).
Com Alves Redol e Dias Lourenço promoveu excursões de fragata no Tejo, onde se estabelecia contacto político fora da vista do regime fascista.
Entre 1940 e 1942 participa na re-organização do PCP e integra o Comité Regional do Ribatejo com Dias Lourenço e Carlos Pato.
Em 1941 a editora Sirius publica Esteiros com ilustrações de Álvaro Cunhal, de que diz Soeiro Pereira Gomes "Para os filhos dos homens que nunca foram meninos, escrevi este livro".
Pela janela aberta da moradia de Soeiro Pereira Gomes ouviam-se as notícias da rádio sintonizada na BBC (proíbida nos cafés) para dar a conhecer a evolução da II Guerra Mundial através das notícas de Londres em Português.
É obrigado a mergulhar na clandestinidade na sequência das greves de 8 e 9 de Maio de 1944, ano em que escrevia Engrenagem que nunca chegou a terminar.
É eleito para o Comité Central do PCP no IV Congresso na Lousã em Julho de 1946, é destacado para o Sector de Lisboa e torna-se membro da Comissão Executiva do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (MUNAF) e acompanha a actividade dos camaradas que actuam no Movimento de Unidade Democrática (MUD).
Participa ainda na campanha presidencial de Norton de Matos em 1949 mas uma doença grave destroi-lhe a resistência física, vindo a morrer em Lisboa a 5 de Dezembro do mesmo ano.
Soeiro Pereira Gomes dá nome ao centro de trabalho do PCP situado na rua com o mesmo nome em Lisboa. Para ler sobre ele textos de quem muito melhor escreve do que eu clicar aqui.
Demorei muito a começar a ler Soeiro Pereira Gomes mas recomendo vivamente.
Ao ver as datas dos contos que compõem Contos Vermelhos pensei "Ainda faltava tanto!"
O Soeiro Pereira Gomes não chegou lá (à liberdade, claro) mas deu um grande contributo para que nós (todos, sem olhar a quem) pudéssemos chegar. É claramente uma "pessoa bonita", excelente companhia para as que já cá vieram fazer visita antes.
Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!
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18.11.11
Pessoas bonitas # 7
Não menosprezando o trabalho revolucionário dos homens, hoje trago à Eira "pessoas bonitas" que são mulheres do Couço.
Trago-vos mulheres que lutaram activamente pela jornada de oito horas nos campos do Alentejo.
Trago-vos:
Madalena Henriques
Maria da Conceição Figueiredo
Maria Galveias
Maria Rosa Viseu
Custódia Chibante
Olímpia Brás
Deixo cá também um relato de Maria Rosa Viseu, de um episódio de luta bem sucedido:
"Naquele tempo trabalhávamos de sol a sol. Saiamos de casa de noite, entrávamos em casa de noite.Outras vezes trabalhávamos de empreitada. Chegávamos ao trabalho os manageiros talhavam as empreitadas, quando as acabávamos íamos para casa. O patrão para quem nós trabalhávamos, não deixava o manageiro talhar as empreitadas, era ele que as talhava. Talhava-as muito grandes que nós quase nunca as acabávamos. Era ele que ia sempre despegar-nos do trabalho. Começámos a ver que o patrão nos queria enganar.Nenhuma de nós tinha relógio. Começamos a guiar-nos pela camioneta da carreira, que passava sempre às 5 h da tarde, era branca, toda branca, pensámos que não podíamos trabalhar mais tempo. Uma das mulheres sobe ao cabeço, vê passar a camioneta e diz para as companheiras: - a noiva já lá vai.Uma delas, mais idosa, pergunta ao manageiro: - então não nos despega? Olhe que já são horas!– Não tenho ordens para as despegar!- Ah não? Pois então despegamo – “se” a gente.Ela saltou de dentro do canteiro do arroz para o “combro” (parede de suporte de terreno em socalco) e 70 mulheres fizeram o mesmo e viemos para casa.No outro dia, ao nascer do sol, lá estava o patrão e nós negociamos com ele. Se não nos viesse despegar a horas, não trabalhávamos mais. O arroz estava cravadinho de erva. O patrão, como precisava da gente, concordou.Foi sempre assim, tínhamos de lutar por tudo, até para ter a cozinha à sombra. O patrão queria que a cozinha ficasse o mais perto do trabalho, para não perdermos tempo no caminho. Não se importava que comêssemos ao sol ou à sombra. Sofremos muito!"
Levadas pela PIDE, espancadas e torturadas por lutarem pelo direito à família, ao descanso, ao convívio, à recompensa do seu trabalho, à igualdade, à dignidade ao fim ao cabo.
Eram todas operárias agrícolas do Couço. Todas menos letradas do que quase toda a população portuguesa, mas com consciência de classe e com a certeza de que tinham direitos e tinham razão! Todas muito mais sabedoras do que a maioria da população portuguesa!
São todas "pessoas bonitas". São lindas!
Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!
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