Mostrando postagens com marcador chile. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador chile. Mostrar todas as postagens

12.3.20

Boa notícia

Chove muito, é certo, mas Abril é um mês muito bonito. Vários povos parecem concordar com isto e, juntando-se à lista dos que decidem coisas grandes e importantes em Abril, os Chilenos serão chamados a decidir se querem um nova constituição e em que moldes se deve constituir a respectiva Assembleia Constituinte, já no dia 26.
A notícia é velha (aqui no El País), mas como nos últimos tempos a "nossa" comunicação social parece ter-se esquecido do Chile eu não soube antes. Soube agora, porque procurei na imprensa estrangeira.
Velha ou nova, é uma boa notícia!
Image result for apruebo chile digno

11.9.13

11 de Setembro

Ou "há 40 anos no Chile".

Há 40 anos no Chile ocorria o culminar da acção da CIA para acabar com a "ameaça marxista nas Américas".

Tentaram de tudo:greves de tranportes subornadas em dólares americanos; jornais comprados na mesma moeda; açambarcamento de bens de primeira necessidade; ricas donas de casa a pegarem em testos pela primeira vez para os virem bater para a rua; assassinato do comandante em chefe das forças armadas por ser fiel à constituição e ao Povo. Enfim tudo.

Mas nada parecia quebrar a força de um Povo que tinha decidido que tinha direito a sê-lo; que tinha decidido construir e fazer crescer o país, tomando conta da sua produção agrícola e industrial e fazendo cultura. Um Povo que tinha decidido ser Futuro e era exemplo (e que perigoso que é o exemplo!).


Por isso e porque Kissinger não percebia porque precisava de ficar parado a ver um país tornar-se comunista devido à irresponsabilidade do seu próprio povo ("I don't see why we need to stand by and watch a country go communist due to the irresponsibility of its own people.") foi preciso acabar com aquele país que se levantava e com aquele Povo que se orgulhava de o ser.

Então fez-se um golpe militar, bombardeou-se La Moneda, assassinou-se o presidente e quantos o defendessem. Prenderam-se e torturaram-se dezenas de milhar nos dias seguintes, tranformou-se o estádio nacional em centro de detenção e tortura.

O dia 11 de Setembro de 1973 é um dia negro na História, perderam-se milhares de homens e mulheres dos melhores que o Chile tinha para oferecer ao Mundo. Salvador Allende desde logo, mas também Victor Jara e Pablo Neruda e tantos que nem chegámos a saber quem eram, já nos tinham sido roubados.

A procura do lucro sempre crescente faz isto: rouba-nos do que de mais bonito podíamos ter, ver ou fazer.
Foi isto o 11 de Setembro no Chile, a retaliação do capital contra um Povo que não queria ver-se despojado das suas riquezas por empresas multinacionais de capital estrangeiro; contra um Povo que tinha decidido que a terra era sua, o cobre também e, sobretudo, a decisão e a vida eram suas.


Por este crime hediondo ainda ninguém pagou embora os culpados sejam sobejamente conhecidos.
Não nos peçam que esqueçamos!

28.9.12

Para recordar

o grande Victor Jara que devia hoje celebrar o seu 80º aniversário.

Ni Chicha ni limonada

11.9.11

No 11 de Setembro



Não ter televisão poupou-me hoje ao bombardeamento (salvo seja) de notícas sobre o 11 de Setembro de 2001. A julgar pela página inicial do Público online ainda bem...

Sinto quase sempre um cansaço considerável quando ouço notícias sobre o 11 de Setembro de 2001, com uma leve pitada de irritação.
Não é que não entenda que o desmoronar das torres representou um enorme drama humano para milhares de pessoas e famílias, isso entendo perfeitamente. O que me irrita realmente é o aproveitamento que desse drama é feito. Com esse drama se justificou o esforço de guerra adicional dos EUA por todo o mundo, mas sobretudo no Médio Oriente. Com ele se manipulou e embruteceu um povo, aproveitando e potenciando medos, o medo da guerra e o da destruição, mais do que justos e fundados, diria mesmo que óbvios (afinal, não há povo que não procure a Paz).

Com o ataque ao World Trade Center se vitimizou um governo assassino e sanguinário, na linha de outros governos igualmente assassinos e sanguinários do mesmo país. Seguidores de uma mesma política de ingerência politico-militar em estados soberanos e de uma economia em que o prato da balança em que se colocam os barris de petróleo pesa sempre mais do que o das vidas humanas.

Podemos acreditar na versão de vítima do governo dos EUA ou nas teorias da conspiração que nos dizem que tudo aquilo foi orquestrado pelo próprio governo Bush (e o Obama não desaproveitou nada), ou mesmo em nenhuma das duas. Em qualquer dos casos não podemos deixar de concluir que todo aquele drama humano, toda aquela morte e todo o horror do 11 de Setembro de 2001 (que o foi para muitas, muitas famílias) se devem à política de guerra, de desrespeito pelo direito internacional e pela auto-determinação dos povos desde sempre levada a cabo pelos governos dos EUA. Política bem evidenciada pela célebre frase do Henry Kissinger (sim, esse que foi Nobel da Paze m 1973) a propósito do Chile: "I don't see why we need to stand by and watch a country go communist due to the irresponsibility of its own people." ("Não vejo porque precisamos de ficar parados a ver um país tornar-se comunista devido à irresponsabilidade do seu próprio povo").

O 11 de Setembro de 2001 é consequência exactamente das mesmas opções politico-económicas, da mesma estratégia de relações internacionais, da responsabilidade do governo dos EUA, que o 11 de Setembro de 1973. Esse claramente um atentado da Casa Branca, um crime hediondo sobre o povo chileno, crime que não começou nem acabou nessa data nem nesse país. A manipulação da comunicação social, o untar de mãos, a agitação, as greves pagas em dólares, os atentados e os assassínios (como o do general René Schneider) começaram anos antes a preparar o golpe. Mas não ficaram pelo 11 de Setembro de 1973, os assassinatos, as prisões políticas, as torturas, e estenderam-se no tempo e no espaço (disso é exemplo o assassinato do general Carlos Prats e da sua esposa no exílio em Buenos Aires).

O tratamento que é feito pela comunicação social do 11 de Setembro de 2001 é vergonhoso! O drama humano de todas as famílias de algum modo afectadas pelo ataque às torres gémeas, consequência directa da política dos EUA é usado para apagar da memória um dos mais feios crimes dos EUA contra um povo (o chileno) e para justificar acrescidas agressões a povos soberanos (sem esquecermos que o primeiro agredido, ainda que de forma bem diferente, é o povo dos Estados Unidos da América).

No 11 de Setembro, sem menosprezar o sofrimento vivido nos EUA em 2001, lembro Salvador Allende,  homem recto e de palavra, que cumpriu o mandato que o seu povo lhe deu até às últimas consequências e fico com o exemplo do que um Homem deve ser.

12.9.10

37 anos e um dia

Uma merecida embora pequena homenagem: