12.3.20

Boa notícia

Chove muito, é certo, mas Abril é um mês muito bonito. Vários povos parecem concordar com isto e, juntando-se à lista dos que decidem coisas grandes e importantes em Abril, os Chilenos serão chamados a decidir se querem um nova constituição e em que moldes se deve constituir a respectiva Assembleia Constituinte, já no dia 26.
A notícia é velha (aqui no El País), mas como nos últimos tempos a "nossa" comunicação social parece ter-se esquecido do Chile eu não soube antes. Soube agora, porque procurei na imprensa estrangeira.
Velha ou nova, é uma boa notícia!
Image result for apruebo chile digno

11.3.20

11 de Março

A 11 de Março de 1975 derrotava-se mais uma tentativa de contra-revolução com Spínola à cabeça.
Tentou virar militares contra militares, mas como também eles e sobretudo os do RAL1 tinham cabeça fria e sentido de responsabilidade às duas da tarde estava o problema tratado e Spínola fugia com o rabo entre as pernas.
Mas mais importante que isso, abria-se caminho para a tão necessária e justa nacionalização da Banca e dos seguros, efectivada a 14 de Março de 1975 (DECRETO-DEI N.º 132-A/75, DE 14 DE MARÇO). E é por isso que eu acho que devíamos celebrar o 11 de Março. (E, de caminho re-nacionalizar a Banca)


(A discussão dos minutos iniciais deste vídeo é uma pequena delícia!)



27.11.15

Deixemos de treinar, voltemos a ensinar

O Público de ontem traz uma notícia sobre o fim dos exames nacionais de português e matemática que titula:

Fim dos exames do 4.º ano: as crianças andaram três anos a treinar “para nada”?

A mim este título parece-me de sobremaneira esclarecedor. Desde a imposição dos exames nacionais no 4º ano que as nossas crianças vão para a escola treinar. Pelo menos a português e a matemática já não se aprende, treina-se.
Não se aprende a ler e interpretar, não se aprende a escrever correctamente, nem a usar bem a gramática, não se estudam histórias, poesias, nem canções. Não se aprende a contar, somar ou subtrair. Não importa que Portugal seja um rectângulo nem a Terra uma esfera. Não interessa a beleza do mar, nem os rios que aos poucos descem das montanhas e se vão lá juntar.
O que importa, tudo o que importa é fazer boa figura no exame no fim da escola primária.
Importa aos alunos que querem chegar ao 5º ano; importa aos pais que compraram todos os cadernos de exercícios porque querem gabar-se da nota do filho ao pobre coitado que contou os tostões para poder comprar tão só os manuais escolares; importa aos professores cujo desempenho é medido em função do aproveitamento escolar dos seus alunos. Não faz mal que a criança não socialize com as outras ou que não saiba nadar, dançar ou jogar à bola, nem saiba outras línguas. As actividades extracurriculares são de pouca ou nenhuma importância e a leitura recreacional de menos ainda.
O importante é treinar.

Tudo o que importa é ter boa nota no exame nacional da quarta classe!
É isto a nossa escola primária: um campo de treino.

Talvez a partir de hoje voltemos a considerar a hipótese de ensinar as nossas crianças.

13.11.15

Aviso à navegação

O Agostinho Neto dizia que as mãos dele tinham carregado pedras para os alicerces do Mundo e que merecia o seu pedaço de pão. A minha mãe queixa-se que os alicerces do Mundo são muito fundos.
Eu acho que enquanto a muitos assobiam para o lado, alguns de nós (muito até) andamos a ajudar o Agostinho Neto na tarefa de alicerçar o Mundo, o Mundo que queremos. 
Outros, no entanto, fingindo cavar as fundações, aprofundam e alargam a vala comum em que pretendem enterrar as vidas de quase todos. A esses resta-me dizer que quanto mais funda cavarem a vala, mais forte e mais alta se erguerá a torre da nossa Vitória.

14.4.15

Diz que não há duas sem três

Como hoje é 14 de Abril, na Eira lembramos a Segunda República Espanhola. Não é com saudosismo, é com os olhos postos na Terceira.
Não há-de chegar, havemos de a trazer!

Viva a República!

26.6.14

Com as garras de fora



O PPD-PSD apresentou uma proposta de revisão constitucional.
O JN diz que foram os deputados do PSD eleitos pelo círculo da Madeira, mas, para mim, o PPD-PSD é o PPD-PSD com ou sem Alberto João. É tudo farinha do mesmo saco ainda que mais ou menos grotesca.

O JN dá ênfase à vontade de extinção do Tribunal Constitucional expressa na proposta de revisão. É assim na linha de "como estorva acabamos com ele, corta-se o mal pela raíz e o problema fica resolvido".
Segundo Guilherme Silva que o TC se pronuncie sobre a constitucionalidade do Orçamento de Estado  "não é edificante para a justiça constitucional".

Se isto fosse tudo já era mau demais, como as ameaças também são como as cerejas na mira do PPD-PSD também estão:

- O aumento do mandato da Presidência da República para 10 anos e a limitação a 1 mandato. Está bem que o Cavaco foi eleito segunda vez, mas eu pessoalmente gosto bastante de não passar uma década sem ser consultada sobre quem deve, ou não estar à frente do país!

- A redução do nº de deputado da Assembleia da República e da Assembleia Legislativa da Madeira, bem como a alteração do sistema eleitoral criando um círculo nacional e círculos uninominais. Pois é, quando os partidos pequenos e incómodos começão a ganhar força e mandatos é preciso tratar de travar o processo. Mas não julguem que isto fica assim!

- A extinção da Comissão Nacional de Eleições e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e a eliminação das comissões de moradores. Uma maravilha! Esfrangalhamos as estruturas de fiscalização e as de organização dos cidadãos também! Assim é que se constrói uma Democracia que mereça a letra maiúscula!

A acção destes sujeitos mostra bem como o PPD-PSD não representa os interesses do povo português.

Andam todos com as garras de fora, mas não julguem que vão sair impunes desta sujeira!

Costuma-se dizer, assim em jeito de praga, "a História vos julgará!" quando não se vê luz ao fundo do túnel mas se deseja muito que haja castigo.
Eu, que vejo por aí muito braços capazes e muitas cabeças pensantes (é só quererem), digo que ainda os julgará um tribunal por crimes de lesa-pátria. E  bem mais cedo que tarde!

22.6.14

Céus! #15

















Ana Martins, Uniacke Estate, Nova Scotia, Junho 2014

A Família dá imenso jeito

A família dá imenso jeito e os bebés também.
Isto é, durante a campanha eleitoral para se ser filmado a beijar criancinhas que, coitadinhas, ainda não têm voto na matéria e são chegadas às beiças de um qualquer Passos Coelho, Paulo Portas ou António José Seguro de serviço.
A família dá imenso jeito e os bebés e o quanto precisamos de bebés para querer mandar no corpo das mulheres que é delas e com o qual têm que ter o direito de fazer o que bem entenderem. E, ai Jesus! Abortar,... isso é pecado! Cruzes, credo! Deus nos livre! (passe por aqui menina que o doutor vai já atendê-la por causa do desmancho)
A família dá montes de jeito quando o filho de 30 anos não tem emprego e vive com os pais que, por enquanto e só por enquanto, ainda têm.
É a tal rede de suporte e fica tão bem encher a boca quando se diz "Família" que até sabemos que foi com letra maiúscula e tudo.

Mas quando é para fazer com que as mães possam ser mais mães e os pais possam ser mais pais; quando é para efectivamente podermos ter a família a que temos direito aí a família já não dá tanto jeito.
Se calhar quando estão em cima da mesa propostas para como:
- o reforço do abono de família,
- o aumento da protecção às trabalhadoras grávidas, puérperas e lactantes,
- o pagamento de 100% da remuneração de referência durante a licença de parentalidade

a baixa natalidade já não é um problema assim tão grande. Se calhar a família até é um bocado impecilho.

Claro que as propostas foram do PCP e do PEV e claro que os partidos da maioria tencionam chumbá-las.

E tu? Em quem achas agora que devias ter votado?
Vê lá se te lembras disso nas próximas legislativas!

Governo RUA!