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13.6.12

Também no dia de St António





13 de Junho de 2005. Fui a Lisboa, ao funeral da nossa Pessoa bonita #1 (o Companheiro Vasco, claro) e soube que tinha falecido nesse dia a nossa Pessoa bonita #3 (o Álvaro Cunhal).


A 17 de Junho esta era a capa do Avante:

Porque o Avante também sabe quão bonitas são estas pessoas.

Como sempre cabe agradecer-lhes e lembrá-las continuando o seu trabalho.


11.6.12

A felicidade

Ao pegar em livros para emprestar tenho sempre a "necessidade" de ir rever as pasagem que assinalei. Hoje encontrei esta:

"Que ninguém tenha vergonha de ser feliz. Além do mais porque a felicidade do ser humano é um dos objectivos da luta dos comunistas."
in O Partido com Paredes de Vidro, Álvaro Cunhal

10.11.11

Pessoas bonitas # 3

Quando ontem pensei numa "pessoa bonita" para vos trazer hoje não foi por esta que efectivamente trago que me decidi. Mas hoje dei conta que tenho motivo acrescido para trazer à Eira a pessoa bonita que foi (é) o Álvaro Cunhal.

Faz hoje 98 anos nasceu, em Coimbra (embora isso seja mais ou menos irrelevante) Álvaro Cunhal.



Dedicou toda a sua vida consciente (ninguém tem, nem deve ter que ter, consciência política na infância) à construção de uma sociedade que acreditava (e eu também) ser bem melhor do que aquela em que vivemos.
Lutou cá e no estrangeiro. Foi preso, torturado, exilou-se, regressou, ajudou a construir um Portugal novo e um Mundo novo também.

Foi um ser humano formado integralmente, na política, na cultura, nas artes, com o seu interesse e análise também na ciência.

Deixou-nos análises políticas impressionantes de tão correctas nas previsões e tão fundamentadas que passariam o crivo de qualquer das melhores revistas científicas do mundo. Escreveu ficção e desenhou.



Mas sobretudo, trabalhou sistematica e altruísticamente pelo colectivo nacional, sem vaidades (tantas e tantas vezes pondo em risco bem para além do bem-estar, a sua integridade física e vida), olhando sempre para a frente, preparando sempre o Futuro, sem nostalgias nem frustrações que deitassem por terra a sua firmeza ideológica.

Álvaro Cunhal foi, sem dúvida, dos mais inteligentes portugueses do século XX (e se calhar isto é dizer pouco) e dos mais generosos e patrióticos também. É, sem dúvida nenhuma, uma "pessoa bonita" extremamente bonita.

Dia 24 de Novembro é dia de Greve Geral!





Nota: Há mais quem se lembre dele com saudade e admiração (sugestão e sugestão)

13.6.10

Pequena e insignificante

Há quem pense no Universo, na sua grandeza e na sua grandiosidade para se maravilhar enquanto se sente pequenino e insignificante.

Eu não preciso de ir tão longe. Vou aos humanos. Mais precisamente nos humanos comunistas portugueses.

São tantos que fizeram tantas coisas tão grandes, grandiosas e importantes para a vida de milhões de pessoas! A maioria nem sequer conheço, nunca ouvi falar e não ouvirei. Ou dou conta do que fizeram por nós quando morrem, porque são gente simples, que mais que fazer alarde trabalha; e eu, que não tive a sorte de os conhecer só dou conta deles enquanto indvíduos quando chega a notícia da morte, essa sim justamente noticiada e sentida por alguns.

O Álvaro Cunhal é um desses grandes, inteligentes, multi-facetados, humanistas e humanos, de vida cheia e cheia de trabalho para o colectivo, para um colectivo internacional e internacionalista. Felizmente não entra na categoria dos anónimos, um ser humano íntegro e integral como Álvaro Cunhal não poderia ficar no anonimato.

O Álvaro Cunhal é um desses que me maravilham, que me fazem sentir pequenina e insignificante e profundamente feliz por estar no mundo com pessoas como ele.

11.3.10

Sobre o 11 de Março

As palavras de três grandes homens, íntegros e corajosos.

"dia histórico em que o capitalismo se afundou com a nacionalização da banca privada"


- General Vasco Gonçalves
________________

"a derrota da reacção no 11 de Março, o comprometimento do grande capital na conspiração, o súbito avanço das forças revolucionárias, a luta enérgica dos trabalhadores, a acção dos militares do MFA, a aliança Povo-MFA, que permitiram dar início às nacionalizações que, num curto espaço de tempo, abrangeram os sectores básicos da economia nacional"
-Álvaro Cunhal,
in A Revolução Portuguesa – O Passado e o Futuro

________________

"Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos."

...

"Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha."

...

"E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal."

...

"E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer."

-J.C. Ary dos Santos
in As portas que Abril abriu

11.11.09

10 de Novembro de 1913


Na segunda-feira mudei de casa e, na casa nova, ainda não tenho internet. Pôr a casa habitável tomou-me, nos dois últimos dias muito tempo e não pude publicar "postas" entretanto.

Este "post" era para ter sido escrito ontem:

A 10 de Novembro de 1913 nasceu Álvaro Cunhal, conhecido sobretudo pelo seu papel na política portuguesa, onde foi um revolucionário exemplar na rectidão e na competência que devem caracterizar os comunistas e as pessoas de bem em geral, era, pelo menos em meu entender, um ser humano integral. Com actividade política, artística, literaria, dotado de humanismo, honestidade inteligência e clarividência dificilmente igualáveis.

É uma das pessoas que mais admiro (sem limitações geográficas).

31.7.09

Saramaguices ou a arte de cagar sentenças

Fiquei particularmente desagradada com este texto do Saramago.

Mas a resposta que vos deixo é do Sérgio Ribeiro no Anónimo do séc XXI, blog que visito assíduamente e recomendo vivamente.

13.6.09

Mais uma vez há quatro anos

Há quatro anos levantei-me por aí das 8h da manhã e liguei o rádio para ir ouvindo as notícias (provavelmente da Antena 1) enquanto pegavas nas coisas para ir tomar banho. Às 10h teria exame de Biologia Celular e Molecular e estava a pensar na coordenação horária do meu dia. O exame estava previsto para duas horas, mas era latamente provável que o terminasse em hora e meia o que me daria tempo de comprar o bilhete do comboio do meio dia e pico para Lisboa e chegar à estação, para ir ao funeral do Vasco Gonçalves. Na rádio a notícia ia a meio: "...desaparecimento de um personagem histórico da política nacional..." pensei "É por causa do funeral do Vasco Gonçalves", mas a notícia continuou: "...faleceu o Dr. Álvaro Cunhal...".
Olhei para o rádio, como se o pequeno objecto irregularmente paralelipipédico tivesse alguma informação visual para me dar e pensei "Os dois, foram-se os dois... As duas pessoas que mais admiro politicamente em Portugal foram embora e quase ao mesmo tempo!" e depois pensei "Já tinham esse direito há muito tempo". Admito, também tive um pensamento um pouco mais humorístico no meio disto tudo (nisso os portugueses somos mestres), pensei "Combinaram!".

Enfim... Lá tomei banho, fiz o exame numa hora e pouco, correu bem (mais tarde soube que tive boa nota), comprei o bilhete de comboio no multibanco e fui para a estação, Coimbra-b. O taxista que me levou era simpático. Ao chegar à estação ia a pensar que tinha que ligar aos meus pais, não lhes tinha dito que ia a Lisboa, imaginei que teria que ouvir coisas como "Vê lá não faças o exame à pressa por causa disso!" e outras legítimas preocupações do estilo. Mas não precisei de ligar porque na estação encontrei a minha mãe que levava o mesmo destino que eu e tinha bilhete para o mesmo comboio. Também não tinha dito nada porque não sabia se ia poder ir. Foi uma boa coincidência, embora por um triste motivo.

O funeral foi pequeno e militar, mais pequeno do que eu gostaria que fosse, mas em dia e horário de trabalho era complicado. Ainda assim reconheci muitas caras de camaradas do Partido e da JCP, esses terríveis orgulhosa e convictamente gonçalvistas que estranhamente ainda há no nosso País.

Tristemente há quem não tenha vergonha na cara e coube ao Coronel Vasco Lorenço falar no funeral do Vasco Gonçalves. Mas a superioridade moral é uma coisa incrível e, portanto, não pôde, esse "moderado", estragar a última homenagem que fomos prestar ao Companheiro Vasco.

O Governo decretou um dia de luto nacional e não pôs os pés no funeral, não me parece que tenha tido mais vergonha na cara que Vasco Lorenço, talvez só medo. Medo da comparação, Medo do exemplo.