Mostrando postagens com marcador Honduras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Honduras. Mostrar todas as postagens

28.7.09

Solidariedade com o povo das Honduras


Li este artigo hoje no café, na edição de ontem do diário mexicano La Jornada.

É um bom artigo que mostra bem o que já se está a passar e que se passará nas Honduras com o afastamento de Manuel Zelaya. E é mais do mesmo. Do mesmo que assolou a América latina no século XX, no Chile, na Argentina, no Uruguai, na Nicarágua, no Brasil... História de um continente.

Já há e haverá mais prisões arbitrárias e outras muito direccionadas como a de rafael Alegría, líder camponês e revolucionário da Via Campesina.

Já há e haverá torturas e assassinatos seguidos de "desaparições" como com Pedro Magdiel Muñoz, de 23 anos e encontrado morto com marcas de tortura e 42 punhaladas num terreno baldio.

A administração dos EUA cumpre o seu papel classificando de provocações e de imprudências as tentativas do presidente constitucional das Honduras de tentar voltar ao seu país e manipulando o seu fantoche costarricense Arias.

O governo interino de Micheletti faz ameaças veladas a Zelaya:

"La loca del pueblo dice que Mel (sobrenombre de Zelaya) tiene las horas contadas, porque si opone resistencia al arresto, será sometido por las fuerzas de seguridad y no precisamente con balas de goma"
-El Heraldo

Mas o povo hondurenho resiste e resiste Zelaya com o apoio da ALBA (Alianza Bolivariana para las Américas) e toda a solidariedade internacional que pode encontrar.

É por isso que é tão importante estar dia 28 (amanhã) às 19 horas em frente ao consulado das Honduras na praça do Rossio!

(Ver convocatória da CGTP)

14.7.09

A generosidade dos traidores

Roberto Micheletti, traidor profissional do povo hondurenho, teve um ataque de generosidade.

Se Manuel Zelaya abdicar do mandato que o povo lhe confiou em eleições livres e democráticas e voltar às Honduras para se entregar às autoridades golpistas Micheletti não tem nenhum problema em que lhe seja dada uma amnistía.

É uma situação no mínimo irónica.
O presidente de um governo interino que se originou na sequencia de um golpe militar, depondo, prendendo e expulsando um presidente democraticamente eleito.
O presidente de um governo interino que nenhum outro país do mundo reconhece como legítimo.
O presidente de um governo interino contestado todos os dias nas ruas pelo seu povo que se resiste a ser privado do seu direito de auto-determinação.
O presidente de um governo interino que responde a essa resistência usando a força bruta contra os seus compatriotas e contra os jornalistas estrangeiros que insistem em noticiar dita repressão.
O presidente de um governo interino que, apesar de se esconder atrás de supostas questiúnculas legais só pode ser ilegal está disposto a conceder uma amnistía ao legítimo presidente do país que pretende usurpar e este estiver disposto a deixar que isso aconteça.

Que falta de vergonha na cara!

29.6.09

Solidariedade com as Honduras

Este blogue condena o golpe de Estado nas Honduras e solidariza-se com o povo hondurenho e com o legitimo presidente Manuel Zelaya. Nesta madrugada, um grupo de militares golpistas invadiu a Casa Presidencial e sequestraram o presidente daquele país. A ministra hondurenha dos Negócios Estrangeiros e os embaixadores de Cuba, da Venezuela e da Nicarágua foram sequestrados à margem da convenção internacional que protege e dá imunidade aos diplomatas. Os militares ocuparam as ruas e avenidas das Honduras. Ocuparam os meios de comunicação social e cortaram a distribuição de electricidade.

Esta foi a resposta da oligarquia à vontade do governo de convocar uma consulta popular para abrir uma Assembleia Constituinte que tomasse o povo hondurenho como protagonista da sua própria história. Manuel Zelaya pagou o preço de ter decidido seguir o caminho de uma verdadeira democracia. O golpe de Estado é tão ilegítimo que a Organização dos Estados Americanos e a União Europeia já condenaram aquela acção. Manuel Zelaya foi eleito pelo povo hondurenho em 2005 e o seu mandato termina no próximo ano.

Todos recordamos o golpe de Estado contra Salvador Allende e o povo chileno. Os militares liderados por Pinochet e pela CIA afogaram o Chile em sangue. Todos recordamos o golpe de Estado executado pela oligarquia venezuelana com o apoio do imperialismo contra Hugo Chávez e o processo bolivariano. Foi derrotado pela acção do povo venezuelano. E esse exemplo ecoou por todos os países da América Latina que nestes últimos dez anos decidiram segui-lo.

Portanto:

1. Exigimos o respeito pelo mandato do presidente Manuel Zelaya
2. Respeito pela vida e liberdade do governo, de todos os seus apoiantes e dos diplomatas
3. Respeito pela decisão de abrir um processo de consulta popular para constituir um referendo para constituir uma Assembleia Constituinte
4. Um apelo a que os militares estejam do lado do povo, do governo por ele eleito e não do lado da oligarquia e do imperialismo
5. Um apelo à unidade latino-americana em torno de processos democráticas que tenham os povos no centro do poder
6. Que o governo português condene de forma clara o golpe de Estado
7. Que a comunicação social portuguesa apresente as informações sobre os acontecimentos nas Honduras de uma forma objectiva

(Este texto foi-me enviado por mail. Em jeito de abaixo-assinado aqui o deixo na Eira)

Honduras - História de um continente...

Há coisas que demoram muito para mudar...

A tradição dos golpes militares para derrubar governos democraticamente eleitos que fincou os pés na América Latina no século XX continua nas Honduras.

O presidente Manuel Zelaya, eleito em 2006 e que pretendia fazer um referendo sobre a reeleição presidencial, está na Costa Rica depois de ter sido detido em sua casa por militares.

O governo dos EUA foi inquirido sobre o seu possível envolvimento no golpe de estado e nega-o. A única coisa boa que se pode tirar desta situaçao é precisamente esta suspeita. Demonstra que a memória histórica colectiva não sofreu tanto como gostariam os paladinos das novas democracias pos-ditatoriais latino-americanas. Esquecer em nome do desenvolvimento económico, amnésias à la carte, mas pelos vistos o povo não embarca assim tão facilmente nessas tretas neo-liberais.

Os por tantos chamados ditadores, Chavéz e Morales, condenaram a detenção do Presidente, Obama diz-se preocupado e foge com o rabo à seringa no que toca a tomar posição...

Que continente! Tão belo e rico e tão mal tratado...

Mas o povo cansa-se de ser maltratado. E quando se cansa faz revoluções...