Mostrando postagens com marcador igreja católica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador igreja católica. Mostrar todas as postagens

4.11.09

Crucifixos e salas de aula


Na minha escola primária, como em tantas outras de idades semelhantes, havia nas salas de aulas crucifixos com o profeta dos católicos por cima do quadro negro. No Natal decorávamos a sala e, num dos anos, colocou-se uma grande estrela dourada em cima do crucifixo. Era mesmo gira e grande e tapava o crucifixo todo! Não sei quem foi, mas quem a colou teve a brilhante ideia de o fazer com cola em vez de fita-cola. Assim se acabou a cara de sofrimento atroz do Senhor pendurado lá no alto, furado, a olhar para as criancinhas que aprendiam a ler e a fazer contas. Já não era sem tempo!

Lembrei-me disto ao ler esta notícia do JN.

A notícia dá a conhecer que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos opina que:

"A presença de crucifixos nas salas de aulas nega aos pais o direito de educarem os filhos de acordo com as suas crenças religiosas."

e também informa que

"O tribunal de Estrasburgo pronunciou-se unanimemente sobre a queixa de uma cidadã italiana, Soile Lautsi, que pediu a retirada dos crucifixos das salas de aulas da escola pública onde os seus filhos, de 11 e 13 anos, estudavam."

Claro que já deu falatório! O Vaticano queixou-se, a neta do Mussolini indignou-se, etc.

Quase no fim da notícia ficamos a saber que:

"Aparentemente, só os comunistas estão satisfeitos com a decisão do tribunal, sublinhando que ela "reafirma o valor de laicismo nas escolas e do Estado como uma garantia fundamental da igualdade de direitos".

Isto explica eu gostar tanto desta decisão. Mas se eu fosse o jornalista que escreveu a peça preparar-me-ia para receber uma boa reprimenda. Afinal, onde é que já se viu chamar comunisas aos integrantes do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos?! Que ofensa sem igual!

24.10.09

Bispos

É pá! Agora estou mesmo chateada com o PS! Então não é que conseguem fazer com que eu concorde com uma afirmação do bispo de Viseu?!

""É triste e lamento que o Governo se vá ocupar de temas que não fazem parte dos problemas fundamentais das pessoas", critica o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, considerando que o tema "não é de relevo para o País", mas útil para "fazer acordos" na Assembleia da República."
-in Diário de Notícias

Claro que não é premência do tema na agenda governamental que preocupa os bispos do país e claro que eu não partilho a opinião da igreja católica sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Eu cá, acho que as pessoas se devem poder casar com a pessoa que entenderem independentemente do género de uma e da outra, inclusivamente concordo com a adopção de crianças por casais gays.
E sobretudo acho que as diversas religiões têm tanto direito de opinar sobre a vida política portuguesa como eu de mandar bitaites sobre a escolha do próximo Papa. Mas de faco é obra um bispo dizer alguma coisa com a qual eu concordo políticamente!

17.7.09

O poder de um vírus bem publicitado

Poderia falar do pânico, dos lucros das farmacêuticas e de montes de coisas sérias dessas, mas o que eu acho mesmo fabuloso do virus da gripe A H1/N1 é ter conseguido fazer com que uma das instituições menos higiénicas do mundo se visse na obrigação de tentar mudar de hábitos:


"Igreja altera regras das missas para prevenir contágio da gripe"


Como farão na visita pascal? Que acontecerá à beijoca no pé do senhor? O padre desinfectará o crucifixo entre cada devoto ósculo? Ou deixarão de dar beijos à sádica representação do profeta?

É giro ver como confiam em Deus para os salvar da SIDA mas não confiam para os salvar da gripe!
Mas coerência é coisa que não espero de nenhuma religião...

29.5.09

E não param!

Os arcebispos de Madrid também devem andar à procura de desculpas para comportamentos ilícitos, devem, devem!

Então não é que vêm dizer esta barbaridade:

"Cuando se banaliza el sexo, se disocia de la procreación y se desvincula del matrimonio, deja de tener sentido la consideración de la violación como delito penal"

na revista Alfa y Omega do Arcebispado de Madrid!?

O cardenal arcebispo Antonio María Rouco Varela, presidente da Conferência Episcopal acrescenta ainda: "Ése es el ambiente cultural en el que vivimos, y, sin embargo, la inmensa mayoría de los españoles consideraría una aberración que se sacara la violación del Código Penal, aunque, a sólo cien metros, uno tuviera una farmacia donde comprar, sin receta, la pastilla que convierte las relaciones sexuales en simples actos para el gozo y el disfrute". (Aqui no El País)

Entendamo-nos! Precisamente porque as relações sexuais devem ser actos em que se goze e disfrute, vivendo uma sexualidade saudável, consciente e plena é que a violação é um acto tão horroroso! Não é obrigar alguém a divertir-se, como diz esse asqueroso senhor! É uma situação traumática, que deixa marcas demasiado profundas e por demasiado tempo nas pessoas que a sofrem.

Pessoas destas deviam ter vergonha de abrir a boca! Não consigo perceber o que acham que conseguem ganhar com este tipo de discurso! E não percebo porque não acredito que ninguém possa ser suficientemente estúpido para cair neste conto!

Tipicamente é muito complicado que não desgoste do que dizem os senhores representantes religiosos, mas desta vez deixaram-me mesmo enojada! Chiça!

Mais uma vez, ateia, sim senhor!

Ateia, sim senhor!


Pelos vistos agora a gravidade de um crime é medida em função da pretensa destruição que provoca um comportamento legal. Descobri isso ao ler o El País.

E dei-me ao trabalho de ver a entrevista à TV3 em que, a propósito dos episódios de abusos sexuais ocorridos nas escolas católicas da Irlanda, o Cardeal Antonio Cañizares diz que são "conductas totalmente condenables y tenemos que pedir perdón". No entanto, como se lhe fizesse mal tanto arrependimento repentino, sente a necessidade de minorar o caso dizendo: "no es comparable lo que haya podido pasar en unos cuantos colegios" com "los millones de vidas destruidas por el aborto".

Eu acho que não me choco facilmente, mas esta afirmação parece-me perfeitamente abjecta! Então tem lá comparação a subjugação sexual de uma criança por um adulto em função da satisfação dos seus pervertidos desejos (não costumo julgar a práticas sexuais das pessoas, mas os casos da pedofilia e do abuso são excepcionais) com a decisão difícil e traumatizante de uma mulher de fazer um aborto, em função da sua vida, das suas capacidades económicas, dos seus desejos e aspirações?

Talvez seja discriminatório, mas só mesmo da cabeça doente de um representante religioso podia sair uma ideia assim! Se alguma comparação entre os dois temas fosse possivel numa mente sã seria entre o trauma do abuso sexual e o trauma de um aborto clandestino.

Onde é que já se viu tentar minimizar o impacto das perversões dos seus pares, dos seus crimes com a situação de legalidade do aborto?!

Este senhor disse também que a lei do aborto "debilita los fundamentos de nuestra sociedad", vem falar das bases para a democracia e sobre o que deve ou não deve fazer o governo. Eu cá digo que senhores como este e como os abusadores que não são só irlandeses é que os debilitam! Debilitam o respeito, impedem a aprendizagem sã e feliz da sexualidade e privam as pessoas do direito fundamental sobre o seu próprio corpo. E como se fosse pouco nada autoritária instituição que é a igreja vem dar-nos lições de democracia! Como se lhe competisse imiscuir-se nos assuntos de Estado! Ele há cada um!

E ainda há quem não perceba que eu seja ateia! Irra!