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24.4.14

Nos 40 anos do 25 de Abril

João Abel Manta

40 anos é muito tempo! A Revolução fazer 40 anos quer dizer que metade da população não a viveu e não sabe, senão por relatos, o que ela significou. Claro que também quer dizer que metade da população viveu a Revolução e o fascismo antes dela, mesmo que muitos fossem muito novos para saberem bem o que era isso de fascismo. Sobretudo num tempo em que era proíbido falar dessas coisas a não ser que fosse para dar vivas.
Mas os que eram novinhos lembrar-se-ão, pelo menos da escola onde ao bom aluno se ordenava que desse as reguadas ao mau aluno, outros lembrar-se-ão de não terem escola. de andarem descalços e mal vestidos.

E aposto que também deram conta da mudança que foi a Escola de Abril, o Serviço Nacional de Saúde, a Segurança Social, o Salário Mínimo Nacional, o direito ao trabalho. O reconhecimento do direito à Dignidade, enfim.
João Abel Manta


Eu nasci 10 anos depois do 25 de Abril. Tive excelentes cuidados de saúde, bons estudos na escola pública, fui bem alimentada... Resumindo, tive direito ao que as crianças e os jovens devem ter direito para se tornarem adultos úteis à sociedade. Tudo isto em boa medida graças ao 25 de Abril e ao 5º Governo Provisório.


Eu, que nasci tarde demais para ver o Golpe de Estado e o PREC, ainda vivi a Revolução, tive direito aos seus frutos.

Como neste Mundo a auto-determinação parece ser um crime punível pelo Direito Internacional vou deixando de viver a Revolução. Todos os dias se perde um bocadinho, o 25 de Novembro do Vasco Lourenço (e outros ilustres da nossa sociedade) é como aqueles medicamentos de acção prolongada, vai fazendo efeito ao longo do tempo. Foram as taxas moderadoras na Saúde, a Lei Barreto e o fim da Reforma Agrária, as propinas na Educação, os cortes nos salários e nas pensões, o aumento do horário de trabaho, o quadro de excedentes, a mobilidade especial, os falsos recibos verdes, as bolsas em vez de contratos na Ciência e tantas outras coisas. A Soberania que conquistámos e afirmámos no 25 de Abril de 74 penhorámo-la quando entrámos CEE e depois para o Euro e vendêmo-la finalmente à Troika.

Este aniversário de Abril é o mais estranho que presenciei.
Nos 40 anos do 25 de Abril (data redondinha) o capital e respectivos serviçais, geralmente tão bons a ignorá-lo decidiram pô-lo a render. E é ver o Público a vender os livros proíbidos do fascismo, a
Visão com suplementos especiais (e só bons autores, nada suspeitos!), a RTP com programas sobre os retornados (coitadinhos dos retornados, sempre!), enfim... É um rol de vampiros (como os do Zeca) a sugarem a seiva do pobre cravo.
É caso para dizer que "Cravo vermelho ao peito a muitos fica bem"!

Por isso é tão importante celebrar Abril!
Não é por saudosismo, não é nostalgia, não! É necessidade e direito!
Para mostrarmos a quem nos rouba que não aceitamos ser roubados!

Porque somos um Povo de Abril e que o havemos de fazer de novo!


Ouvi banqueiros fascistas 
agiotas do lazer 
latifundiários machistas 
balofos verbos de encher 
e outras coisas em istas 
que não cabe dizer aqui 
que aos capitães progressistas 
o povo deu o poder! 
E se esse poder um dia 
o quiser roubar alguém 
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe! 
Volta à barriga da terra 
que em boa hora o pariu 
agora ninguém mais cerra 

as portas que Abril abriu!

in As portas que Abril abriu
JCAry dos Santos



P.S.:E aí que tenha cuidado esse bando de pulhas que nos tem desgovernado, que vai ser a doer!


14.7.13

A Optimus e a publicidade

Aqui há dias fiquei piursa quando vi na televisão o anúncio novo da Optimus (empresa do grupo SONAE).


O anúncio faz uma cronologia de acontecimentos importantes na História portuguesa e, curiosamente, em 1974(min 0:50 no vídeo) dá-se o regresso da Guerra Colonial, mas não se vê que tenha havido nenhuma revolução pelo meio.

Eu achei francamente brilhante! E mais alguém deve ter achado, porque o anúncio que aparece agora na televisão já está corrigido.
Não deixa de dar que pensar, que se tenham atrevido a pôr as garras tão de fora...

11.3.11

No 11 de Março a


Nota da Comissão Política do Comité Central do PCP
Sobre a tentativa de golpe do 11 de Março

11 de Março de 1975


1. Uma vez mais, no dia 11 de Março de 1975, a reacção tentou um golpe, conseguindo desta vez lançar um ataque de forças armadas aéreas e terrestres contra uma grande unidade militar, o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1, além de outras acções militares de menor envergadura.
A tentativa de golpe falhou graças à pronta e decisiva acção do Movimento das Forças Armadas e à gigantesca mobilização popular que, em poucas horas, de norte a sul do País paralisou quaisquer iniciativas fascistas e deu poderoso apoio às Forças Armadas.
Trata-se de mais uma grande vitória do Povo português sobre aqueles que querem liquidar as liberdades e fazer regressar Portugal ao passado fascista. As grandes manifestações populares que hoje mesmo tiveram lugar por toda a parte testemunham a consciência que tem o Povo português de que, com esta nova derrota da reacção, se podem dar novos passos em frente para a construção de um Portugal democrático.

2. Não há ainda informações bastantes que permitam fazer uma ideia exacta do âmbito da conspiração e de todos os elementos conluiados. Uma coisa é certa: esta nova tentativa de golpe contra-revolucionário deve-se, em parte, à insuficiência do aparelho de segurança e à excessiva complacência com que, desde o 25 de Abril, têm sido tratados os conspiradores.
Tal complacência não pode, desta vez, repetir-se. O Povo português pretende construir a democracia, sem a incerteza e a intranquilidade que resultam da impunidade das actividades contra-revolucionárias.
É necessário que desta vez sejam apuradas responsabilidades e os conspiradores sejam severamente punidos.

3. Muitas lições haverá a tirar dos acontecimentos, tanto do dia de hoje como das últimas semanas. O PCP preveniu e insistiu em que a campanha anticomunista, o acréscimo da sabotagem económica, a vaga de calúnias, violências e provocações, os golpes de mão em escolas, sindicatos e autarquias, a agudização artificial de conflitos sociais, a tentativa de paralisar pela greve sectores importantes da vida económica, se inseriam num processo de deterioração da situação social e política, preparando terreno para um golpe reaccionário. Os factos aí estão para comprovar a razão da advertência.
O prosseguimento destes factores da deterioração da situação só podem diminuir gravemente a vitória sobre a reacção como podem criar no imediato novas dificuldades ao processo democrático.
O PCP condena firmemente certas violências e destruições anárquicas que, hoje, 11 de Março, praticadas à sombra da luta contra a reacção, só à reacção podem servir.
O PCP pronuncia-se firmemente pelo respeito da ordem democrática e pela adopção de firmes medidas contra aqueles que, desrespeitando-a, põem em perigo a própria democracia.

4. A contra-revolução tem encontrado terreno particularmente favorável para o próprio desenvolvimento em certas contradições, hesitações e debilidades na política do Governo e no funcionamento de departamentos aos quais cabe a sua aplicação.
Para a construção de um Portugal democrático é indispensável o apoio firme e dedicado do Povo português à situação democrática e o seu trabalho entusiástico e criador. Isto só pode ser alcançado desde que haja uma resposta aos grandes problemas que tocam as massas populares e que o Governo e a Administração, pela sua composição e capacidade operativa, estejam em condições de pôr em prática a sua própria política.
A derrota da reacção no 11 de Março, para que dela saia verdadeiramente reforçada a situação democrática, exige que se dê um decisivo impulso progressista à política portuguesa.
Os factos impõem, no imediato: 
1) a responsabilização e o castigo exemplar dos conspiradores da tentativa do golpe do 11 de Março; 
2) um mais profundo saneamento em todo o aparelho do Estado, civil e militar; 
3) a reorganização das forças militarizadas; 
4) um decisivo impulso à política antimonopolista e antilatifundista; 
5) medidas imediatas para contenção dos preços e para actualização de salários.
A reacção não se vence apenas com medidas de contenção, mas também com medidas económicas e sociais.

5. O dia 11 de Março evidenciou uma vez mais que o principal inimigo dos portugueses é a reacção.
Para o sucesso na luta contra a reacção e pela construção de um Portugal democrático, é indispensável o isolamento de actuações divisionistas e desagregadoras e o reforço da comunidade das forças populares em todos os sectores, da unidade dos trabalhadores, da unidade das forças democráticas, assim como o reforço da aliança do movimento popular com o Movimento das Forças Armadas.
Pelas lições que o 11 de Março comporta, o momento é particularmente favorável ao reforço dessa unidade e dessa aliança.
O PCP tudo fará para que este objectivo seja alcançado.

6. A tentativa de golpe do 11 de Março foi derrotada. Mas não é de crer que a conspiração abrangesse apenas os responsáveis já conhecidos. Alguma coisa falhou no plano, e isso significa que houve conjurados que, por qualquer razão, não entraram em acção.
A reacção tem ainda força e possibilidades. É necessário manter bem viva e actuante a vigilância popular, ao lado do Movimento das Forças Armadas, para impedir qualquer surpresa.

(o negrito é meu)