16.2.10

Da educação dos pais ao salário dos filhos

Tropecei nesta notícia do Público depois de ter lido um comentário sobre ela no Política Dura.

"Nos países do Sul da Europa, o facto de um pai ter frequentado o ensino superior aumenta o nível salarial do seu filho em, pelo menos, 20 por cento, por comparação com um filho cujo pai apenas obteve estudos secundários."

Neste parágrafo pode perceber-se que este estudo compara os níveis salariais de uma geração consoante os níveis de escolaridade da geração anterior. Nesta forma de apresentar as coisas até parece que a responsabilidade do nível salarial dos filhos é do nível educativo dos pais. O que é realmente curioso é como se pode fazer esta comparação sem explicar os passos todos do caminho que vai dos estudos do pai até ao salário do filho.

Em meu entender faltam aqui três etapas muito importantes:

1- A influência directa do nível de escolaridade dos pais nos salários dos pais;

2- A influência do nível salarial dos pais no nível de escolaridade dos filhos;

3- A influência do nível de escolaridade dos filhos nos seus próprios níveis salariais.

Com o acrescento destas 3 etapas ao raciocínio já se pode perceber que não é bem a tacanhice de uns pais iletrados que leva os filhos a auferirem menores salários. Pode-se mesmo concluir que se o Estado promovesse a igualdade de oportunidades no acesso à educação através da escola pública (com a gratuitidade de ensino e a atribuição de bolsas) e da justiça social (com o direito ao trabalho, a salários justos e à vida digna) o quadro seria muito diferente.

Mas é perigoso esse raciocínio (ou mesmo o raciocínio em geral) ainda começávamos praí a exigir o cumprimento dos direitos contitucionais!Era o que mais faltava!

Um comentário:

  1. Sim, porque a Constituição é só para «democrata» ver...

    Um beijo.

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