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5.5.09

Listas e Consciências

No pasado dia 30 de Abril os EUA voltaram a classificar Cuba como nação que fomenta o terrorismo, assim como o Sudão, o Irão e a Síria, numa dessas listas que eles gostam de fazer para etiquetar e estigmatizar países que não se alinham com as práticas e as ideologias dominantes.


Um reporter da France Presse perguntou ao Ministro de Relações Exteriores Cubano, Bruno Rodríguez, a sua opinião a respeito. A resposta merece ser publicada na íntegra.


"Nosotros no reconocemos ninguna autoridad política ni moral al Gobierno de EE.UU. para hacer lista alguna, en ningún tema, ni para ‘certificar’ buenas o malas conductas.

"El Gobierno de Bush fue ‘certificado’ por la opinión pública mundial como un gobierno violador del derecho internacional, agresivo, guerrerista, como un gobierno que tortura, como un gobierno responsable de ejecuciones extrajudiciales.

"Bush ha sido el único Presidente que se ha jactado en público, en el Congreso norteamericano, de haber realizado ejecuciones extrajudiciales, un gobierno que secuestró personas y las trasladó de manera ilegal, que creó cárceles secretas, que nadie sabe si todavía se mantienen, que creó un campo de concentración donde se tortura en la porción de territorio que usurpa a la República de Cuba.

"En materia de terrorismo, el Gobierno de los EE.UU. históricamente ha tenido un largo expediente de acciones de terrorismo de Estado, no sólo contra Cuba.

"En Estados Unidos se pasean libres Orlando Bosch y Posada Carriles, responsables de numerosos actos terroristas, incluida la voladura de un avión civil cubano en pleno vuelo. No se responde la solicitud de extradición de Venezuela con relación a Posada Carriles, a quien se juzga por cargos diversos, pero no como un connotado terrorista internacional.

"El Gobierno de Estados Unidos realizó un proceso amañado contra los cinco jóvenes luchadores antiterroristas cubanos que hoy permanecen como presos políticos en sus cárceles.

"El Gobierno de Estados Unidos ampara actos de terrorismo de Estado, cometidos por Israel, contra el pueblo palestino y los pueblos árabes. Guardó silencio ante los crímenes ocurridos en la Franja de Gaza.

"De manera que a Estados Unidos no habría que reconocerle la menor autoridad moral y yo, francamente, creo que nadie hace caso ni lee esos documentos, entre otras cosas, porque su autor es un delincuente internacional en muchos de los temas que critica.

"La posición de Cuba contra toda manifestación y forma de terrorismo, dondequiera que se cometa, contra cualquier Estado que se cometa, en cualquier forma que se realice, con cualquier propósito que se proclame, es clara y consistente con su actuación.

"Cuba ha sido víctima del terrorismo por muchos años y tiene una hoja de servicios totalmente limpia en esta materia. Jamás el territorio cubano se ha utilizado para organizar, financiar o ejecutar actos terroristas contra los Estados Unidos de América. El Departamento de Estado, que emite esos informes, no podría decir lo mismo."


Esta declaração foi emitida da reunião de chanceleres do Movimento dos Países Não Alinhados.

Apesar de vir com uns dias de atraso parece-me que não deixa de ser válido publicar aqui esta declaração, já que não a acho suficientemente divulgada. As pseudo-epidemias ofuscam (tão convenientemente) muitas coisas importantes no Mundo.


Já tinha feito algumas considerações sobre a postura do presidente Obama em relação a Cuba, parece-me que se tornou mais clara desde dia 30.


Por algum motivo os discursos de consciência tranquila soam sempre muito mais convincentes que os dos hipócritas com telhados de vidro, por muita lábia que tenha o hipócrita desavergonhado.

24.4.09

EUA e a estratégia para Cuba

Hoje fui ao meu café do costume em San Cristóbal. É o meu preferido porque os que lá trabalham têm sempre um sorriso e um atendimento simpático (é um dos motivos pelos quais acho que não podem ser tão mal pagos como a maioria), têm bom café, bons sumos e algo que me faz sentir mais em casa. Têm o jornal, um jornal nacional de pseudo-esquerda, que, bem vistas as coisas já não é mau no panorama da comunicação social mexicana. Embora em Portugal qualquer café que se preze tenha pelo menos um jornal local à disposição do cliente (tipicamente com o nome do café escrito no topo da primeira página a esferográfica bic cristal ou alguma de oferta de campanha eleitoral, PS ou PPD-PSD geralmente), isso não é prática comum no México, ou pelo menos em Chiapas.

O jornal que compram neste café é La Jornada. Publica artigos dos mais diversos assuntos e os artigos de opinião, uns mais responsáveis, reflectidos e mais justos que outros, são tipicamente de tendência de esquerda. Não posso dizer que seja o meu jornal preferido e posso mesmo dizer que é perfeitamente vendido em diversos temas e tendencioso de forma muito pouco revolucionária a maioria das vezes. Mas é, ainda assim, dos menos maus e através dele fiquei a conhecer as declarações do novo potencial embaixador dos EUA no México sobre Cuba.

O ilustre senhor, Carlos Pascual de seu nome, dizia que Brasil, México, Espanha, Canadá e União Europeia são países com os quais os EUA mantêm diálogo e que esse diálogo sobre os direitos humanos em Cuba tinha que continuar “Se podemos definir o princípio de que temos o mesmo objectivo de dar poder aos cubanos para mudar a política do seu país temos uma melhor oportunidade”.

Diz isto o nomeado para embaixador do país que ficou de fora do conselho para os direitos humanos da ONU, preterido por esse mesmo país onde segundo o EUA não se respeitam os direitos humanos.

Igualmente diz, ao bom estilo estadunidense, falando da estratégia a adoptar em relação a Cuba: “Essa estratégia tem que ser baseada em dar apoio e recursos aos cubanos dentro da ilha e em que a mudança tem que vir de dentro”. Apoio, recursos, eu entendo logística, dólares, não sei bem porquê mas lembra-me a estratégia que usaram contra o governo da Unidade Popular,democraticamente eleito no Chile.

Mas não se poderia esperar muito mais do escolhido pelo mesmo governo que antes da conferencia das américas tem a medida populista e de fachada de “aliviar” o bloqueio contra Cuba em vez de o levantar como compete a qualquer verdadeiro defensor dos direitos humanos. Mas levantar o bloqueio seria demais para alguém que não procura uma mudança mais profunda do que uma simples operação plástica, seria vontade política a mais para o senhor Obama assim como para qualquer dos seus nomeados.

A única coisa que eu não percebo é como é que ainda anda tanta gente enganada com este senhor. Afinal, assim como o hábito não faz o monje, a melanina não é fonte de bondade nem de sentido justiça.