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10.1.14

A aplicabilidade das canções

Com uma frequência entristecedoramente baixa a televisão traz-me boa surpresas.
Hoje apareceu-me a canção do Pete Seeger "Turn, turn, turn" na versão dos Birds.
 Isso lembrou-me o Pete Seeger e fui ouvir uma coisinhas. Tropecei numa canção que ouvi a primeira vez na voz de um cantor escocês (O Dick Gaughan) "Waist Deep in the Big Muddy".

Foi escrita em plena guerra do Vietnam.
Infelizmente lembro-me da penúltima estrofe sempre que ouço notícias sobre o Iraque, o Afganistão, a Síria ou mesmo sobre o Orçamento de Estado ou o Orçamento retificativo no nosso país.


Deixo-vos o vídeo e a letra.

Waist Deep in the Big Muddy
Pete Seeger




It was back in 1941.
I was a member of a good platoon.
We were on maneuvers in Lou'siana one night
By the light of the moon.
The Captain told us to ford a river.
That's how it all begun.
We were knee deep in the Big Muddy,
And the big fool said to push on.

The Sergeant said, "Sir, are you sure
This is the best way back to the base?"
"Sergeant, go on, I've forded this river
About a mile above this place.
It'll be a little soggy, but just keep sloggin'.
We'll soon be on dry ground."
We were waist deep in the Big Muddy,
And the big fool said to push on.

The Sergeant said, "Sir, with all this equipment,
No man will be able to swim."
"Sergeant, don't be a Nervous Nelly,"
The Captain said to him.
"All we need is a little determination.
Men, follow me. I'll lead on."
We were neck deep in the Big Muddy,
And the big fool said to push on.

All at once the moon clouded over.
We heard a gurglin' cry.
A few seconds later the Captain's helmet
Was all that floated by.
The Sergeant said, "Turn around, men.
I'm in charge from now on."
And we just made it out of the Big Muddy
With the Captain dead and gone.

We stripped and dived and found his body
Stuck in the old quicksand.
I guess he didn't know that the water was deeper
Then the place he'd once before been.
Another stream had joined the Big Muddy
About a half mile from where we'd gone.
We were lucky to escape from the Big Muddy
When the big fool said to push on.

Now I'm not going to point any moral —
I'll leave that for yourself.
Maybe you're still walking, you're still talking,
You'd like to keep your health.
But every time I read the papers, that old feeling comes on,
We're waist deep in the Big Muddy
And the big fool says to push on.

Waist deep in the Big Muddy,
The big fool says to push on.
Waist deep in the Big Muddy,
The big fool says to push on.
Waist deep, neck deep,
Soon even a tall man will be over his head.
We're waist deep in the Big Muddy,
And the big fool says to push on.

-Pete Seeger

2.11.10

Telenovela Orçamental

Em qualquer telenovela que se preze é possível prever o seu desfecho tendo visto apenas o primeiro episódio. Também o desfecho da discussão do Orçamento de Estado para 2011 era previsível desde o dia em que o PS o apresentou.
Depois de muitos episódios a dizer que talvez, depois que não, depois que de maneira nenhuma, depois que talvez outra vez, como previsto, no final, o PPD-PSD abster-se-á, viabilizando o OE.

Esta telenovela nacional inclui muitas características das telenovelas convencionais. Tem maus da fita e sofredores às suas mãos, tem chantagens, amedrontamentos e mentiras. É rica em teatralidades, gritos, apertos de coração e lágrimas de crocodilo. Tem gente de carácter e caras-de-pau; tem amigos que avisam e ingénuos que vão na conversa do vilão. Só lhe falta o ingrediente que de facto nos dava jeito que tivesse. Falta-lhe o "viveram felizes para sempre".

Tristemente na nossa telenovela do OE os vilões não morrem nem vão presos, pelo contrário, são premiados, vivem bem e às nossas custas!

30.9.10

Os apertões

Ontem fui ao Porto, à manifestação organizada pela CGTP.
Foi bom ir ao Porto, a manifestação correu bem, estava muita gente. Iamos bem dispostos, gritávamos palavras de ordem, conversávamos com os amigos que já não víamos há muito. Tirei fotografias (depois ponho cá), encontrei caras conhecidas no SPRC, apanhei os trabalhadores da Brisa em luta contra as máquinas automáticas, os dos CTT que não querem que a mais-valiam a geram encha o bolso de algum privado, enfim, muitos.

Cheguei a casa pouco depois das 20h, a tempo de ver as manifestação no noticiário, pensava eu, mas o que vi foi que as manifestações não chegaram.
Vi os anúncios das medidas de austeridade a serem aprovadas na AR como Orçamento de Estado (OE).
Vi que já nem se fala em congelar salários, são mesmo reduções salariais para a administração pública, já a sairem do forno, fresquinhas, prontas a aplicar.
Vi que o IVA aumentará outra vez, como se não tivesse aumentado há três meses.

Vi a mentira, porque nenhuma medida das anunciadas combate a recessão financeira ou gera emprego, pelo contrário. As medidas anunciadas diminuem o poder de compra, provocam o colapso das pequenas e médias empresas, que dependem do mercado interno e assim geram desemprego, que diminui o poder de compra  (estão a ver onde isto vai, não estão?).


Já não se trata de apertar os cintos, aos trabalhadores portugueses o Governo (e os compinchas que viabilizarão o OE) tentam agora apertar os pescoços.

Agora é preciso é não deixar. É preciso é resistir e Lutar!