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10.2.11

Olha que isso é que é descoberta!

No Público lê-se:


"Os partidos de esquerda propuseram esta quarta-feira no Parlamento que o Governo reconheça o Estado da Palestina. Uma pretensão que rejeitada pelo PS e PSD que insistiram na continuação de negociações para a criação desse estado."


A notícia em si não é particularmente estranha. Afinal não se esperava do PS nem do PPD-PSD outra postura que não seja a de total subserviência aos interesses dos EUA e respectivos aliados geo-estratégicos. Assim, como o respeitinho (ou a miúfa) é muito lindo, não há que afrontar Israel, isso podia ter consequências nefastas para as ambições de futuro dos nossos dirigentes e respectivos protegidos. Comparando o Mundo com um escola, qualquer criança de escola sabe que uma afronta ao filho do director dá direito a uma repreensão, não do filho, mas do director. É por isso, e porque o director do PS e do PPD-PSD (assim como do CDS-PP) é o governo dos EUA que a notícia não é estranha.

O que é estranho nesta notícia é que nela, o Público, finalmente deixa de incluir o PS no conjunto dos partidos de esquerda!

17.11.09

Incubadoras sociais


A Autoridade Palestiniana solicitou à União Europeia um apoio explícito ao reconhecimento de um estado palestiniano independente com Jerusalém como capital.

A resposta da presidência da UE (Suécia) não podia ser mais hipócrita nem lamber mais as botas ao imperialismo internacional.

A justa reivindicação do povo palestiniano à auto-determinação e independência, a afirmação do seu direito a deixar de ser colónia recebeu como resposta o seguinte insulto da boca de Carl Bildt, ministro dos negócios estrangeiros sueco:
“Não me parece que tenhamos chegado já a essa fase”

"Gostava que estivéssemos em posição de reconhecer a existência de um Estado palestiniano mas antes de mais é preciso que exista um Estado palestiniano, por isso [o pedido] parece-me um pouco prematuro"

Pois é, apertar os calos ao protegido dos EUA é difícil, muito difícil! Sobretudo para uma organização que de democrática só tem a fachada como a UE!

A pergunta que fica é se a opressão colonialista, o assassinato de civis, viver num permanente cenário de guerra e em campos de refugiados que há muito deixaram de ter carácter provisório são as incubadoras sociais que levarão à maturidade que a UE exige para reconhecer a Palestina como Estado independente.

18.6.09

Colonatos israelitas

Segundo o Ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Avigdor Lieberman, "o congelamento absoluto" do crescimento dos colonatos judeus "não é aceitável" porque há que "salvaguardar o crescimento natural" (aqui no Público).
Ou seja, há que assegurar que as novas gerações israelitas tenham onde viver, tenham habitações. Mas o palestinianos dos campos de refugiados em Gaza e na Cisjordânia podem continuar a amontoar-se num espaço há décadas provisório e diminuto para a população que alberga. Isto enquanto as terras que historicamente habitaram servem para salvaguardar o "crescimento natural" israelita.
E depois os palestinianos são os terroristas...

15.6.09

Sempre a aprender


Como se está sempre a aprender ontem soube que a raíz do problema do conflito israelo-palestiniano é a insistência dos países árabes em não reconhecer o Estado de Israel. Ensinou-mo o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu quando também anunciou fará o especial favor de reconher o direito dos palestinianos a um Estado.
Dito assim até parece boa notícia. Faltou acrescentar que não reconhece o direito a um Estado soberano. O que Netanyahu "propõe" é que os palestinianos tenham um estado totalmente desmilitarizado e sem controlo do seu espaço aéreo. E agora adivinhem lá quem seria o principal polícia que garantiria essa desmilitarização! Os EUA, claro!

Quanto aos colonatos israelitas, não se construiriam mais, mas a retirada dos que já existem é uma possibilidade que nem sequer se coloca. Ah! E não esqueçamos que Jerusalém tem que ser a capital de Israel e só de Israel e que Israel tem que ser considerado como "o Estado dos Judeus".
Nunca percebi porque é que uma religião tem direito a ter um Estado (naturalmente também não percebo a existência do Vaticano).

Condensando bem as afirmações deste senhor os palestinianos têm direito a chamar Estado a um monte e pedras e areia, sem a sua capital, sem capacidade de defesa ou controlo do espaço aéreo e controlado pelos EUA. E diz isto o primeiro-ministro de um dos estados mais militarizados do planeta e que ainda por cima conta com arsenal nuclear, mas é normal! Assim fica a comunidade internacional feliz porque os palestinianos já têm um Estado e Israel tem facilitada a tarefa de genocídio de um povo a que se dedica desde a sua formação (na terra de outros, não nos esqueçamos).

As reacções a estas afirmações foram, naturalmente diferentes. A Autoridade Palestiniana, obviamente, rejeita as condições de Israel. Já Obama acha que a atitude israelita é um passo em frente no processo de paz e saúda o discurso de Netanyahu, demonstrando que a política dos EUA de protectores de Israel não vai mudar tão cedo e a UE faz coro.