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12.3.20

Boa notícia

Chove muito, é certo, mas Abril é um mês muito bonito. Vários povos parecem concordar com isto e, juntando-se à lista dos que decidem coisas grandes e importantes em Abril, os Chilenos serão chamados a decidir se querem um nova constituição e em que moldes se deve constituir a respectiva Assembleia Constituinte, já no dia 26.
A notícia é velha (aqui no El País), mas como nos últimos tempos a "nossa" comunicação social parece ter-se esquecido do Chile eu não soube antes. Soube agora, porque procurei na imprensa estrangeira.
Velha ou nova, é uma boa notícia!
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21.5.14

Quando o que se devia discutir era Portugal e a UE


Enquanto se devia discutir Portugal e a UE e Portugal na UE e talvez a UE em Portugal:

Um chama vírus ao outro
O outro chama nazi ao um

E estamos nisto nas notícias.
Eu percebo que tanto a coligação PPD-PSD/CDS-PP como o PS tenham pouca vontade de discutir o que tem sido a UE para Portugal.
O que tem significado fazermos parte do "projecto europeu" e da moeda única.
Deve ser complicado durante a campanha eleitoral admitir que as políticas que qualquer destes partidos e todos estes partidos têm apoiado e promovido no Parlamento Europeu destruiram o nosso aparelho produtivo. Nas mais diversas vertentes a produção nacional perdeu com a UE: na agricultura, nas pescas, na indústria.
Acho bastante natural que se envergonhem de que por sua causa importemos 80% do peixe que comemos. Nós, povo virado para o mar! Mas infelizmente tenho a impressão de que não se envergonham, só sabem é que essa informação não ganha votos.
A saída da crise também é melhor apresentada se se publicitarem as apreciações favoráveis de estrangeiros orgulhosos, em vez dos números do desemprego com que o "resgate financeiro" nos presenteou. Esses mesmos estrangeiros orgulhosos que lucram com os lucros dos bancos que compram dívida, diz que pública e a quem não dói nunca o desemprego de centenas de milhar de pessoas. E natural que não doa, afinal se não tiverem dinheiro para comprar sapatos de fabrico nacional compram dos feitos na China, na empresa de que estes estrangeiros orgulhosos também são accionistas.

Entretanto a CDU, que nunca traiu o Povo e o País, propõe alternativas, mas isso parece pouco importante para os jornais do nosso país.

Cooperação entre Estados iguais em direitos, defesa da Democracia e da soberania

Solidariedade e cooperação. Defesa do direito ao desenvolvimento económico

Defesa do Emprego. Pelo progresso e a justiça social

Promoção da cultura e língua portuguesas

Defesa do ambiente e salvaguarda dos recursos naturais

Paz, amizade e solidariedade com todos os povos do mundo

Dia 25 Vota CDU!


16.10.12

Quem és tu assim tão simples?

Hoje, como é habitual, acordei com a Antena 1 e ouvi uma reportagem sobre o pão caseiro no distrito de Bragança (ouvir aqui). São dois minutos de reportagem que acabam magistralmente:

"Antigos fornos de pão agora com mais actividade Numa fornada de pão as famílias economizam muito dinheiro e têm a garantia de um pão de excelente qualidade."

Esta reportagem lembrou-me um texto do meu livro de Língua Portuguesa da 4ª classe chamado "A cidade e a aldeia". É a exaltação da ruralidade empobrecida, "A alma de Portugal" que vive num casebre desprovido de electricidade. Eu gosto muito de pão caseiro, mas foi isto que a reportagem de hoje me lembrou.


"A Cidade e a Aldeia"
(Abílio Mesquita)

Cidade - Quem és tu, assim tão simples?
Aldeia - E tu, quem és a final?
Cidade - A nobreza da Cidade.
Aldeia - Aldeia de Portugal.
Cidade- Tenho lindas pedrarias,
              Jóias mil de muitas cores...
Aldeia - E eu tenho maior riqueza
              Nas minhas tão lindas flores...
Cidade - Tenho risos, alegrias
              Divertimentos constantes
Aldeia - Tenho a música dos ninhos
              E canções inebriantes.
Cidade - Tenho luz de noite a jorros,
              E não me levas a palma.
Aldeia - Tenho o Sol durante o dia,
              De noite a luz da minha alma...
Cidade - Vivo em palácios vistosos
              Que abundam pela Cidade.
Aldeia - E eu num casebre pequen0,
              Que o Sol beija com vaidade!
Cidade- A História fala de mim,
              Porque tenho algum valor...
Aldeia - Também tenho a minha História,
              Escrita com o meu suor
Cidade - Tenho o luxo que tu vês
              Próprio da minha grandeza.
Aldeia - E eu o luxo e a vaidade de gostar da singeleza!
Cidade - Sou mais rica do que tu,
              Que nada tens afinal!
Aldeia - Tenho aqui dentro do peito:

              "A ALMA DE PORTUGAL"!!!


Eu nasci depois de uma década de liberdade e estudei (felizmente) na escola pública de Abril. No entanto, o meu livro conservava algumas heranças do obscurantismo fascista, provando que há amarras bem difíceis de cortar...

1.8.12

Abril e o novo acordo ortográfico


Hoje escrevi "abril" ou seja, à novo acordo ortográfico, sem maiúscula, só com letras minúsculas.

Como sou um bocado bota de elástico ainda não me tinha dedicado a escrever segundo as regras do novo acordo ortográfico e é-me mesmo algo desconfortável ter que mudar a maneira como escrevo.

Por exemplo faz-me confusão que o tecto passe a ser o masculino de teta (por mais que enquanto mamífero deva gostar de glândulas mamárias) ou que os egipcios deixem de ser habitantes do Egipto para habitarem o Egito, devendo a meu ver chamar-se neste caso egícios.

Mas hoje escrevi "abril", sem maiúscula, só com letras minúsculas, como se de um minúsculo mês se tratasse. Faz-me confusão que os meses deixem de ter nomes próprios e direito a maiúscula inicial, mas "abril"... Escrever "abril" "soou-me" mesmo mal.

Eu bem sei que a maneira de escrever é do que menos mal vai com o nosso mês de Abril (com maiúscula que agora não é só um mês, é bem mais que isso), mas um mês tão absolutamente maiúsculo devia ter direito a inicial maiúscula, caramba!

1.5.10

1º de Maio - 120 anos


Na luta pelas 8 horas de trabalho diário diversas organizações de trabalhadores dos EUA convocam uma greve de enormes proporções para o 1º de Maio de 1886.
Em Chicago dezenas de milhar de trabalhadores em greve reúnem-se em manifestação, a repressão policial faz-se sentir de maneira violenta em muitas empresas.
A 4 de Maio, num comício de solidariedade com os trabalhadores de uma empresa onde a repressão chegara a provocar mortos e feridos graves foi lançada uma bomba para o meio do público. A pretexto da bomba muitos quadros sindicais são presos e condenados a trabalhos forçados. Oito deles foram condenados à morte e enforcados.

No congresso fundador da II Internacional (Paris, 14 de Julho de 1889) os "mártires de Chicago" são homenageados e a data 1º de Maio proclamada como jornada de luta por direitos laborais a nível mundial.

“Será organizada uma grande manifestação internacional numa data fixa de modo a que, em todos os países e em todas as cidades em simultâneo, num mesmo dia, os trabalhadores reclamem dos poderes públicos a redução legal da jornada de trabalho, e a aplicação das outras resoluções do Congresso Internacional de Paris.Tendo em conta que uma tal manifestação foi já convocada para o 1º de Maio de 1890 pela American Federation of Labour, no seu congresso de Dezembro de 1888 em St Louis, é esta a data adoptada para a manifestação internacional.”.

Embora com datas diferentes, o 1º de Maio foi assumindo, uma grande importância e um forte simbolismo nas lutas dos trabalhadores, sendo ponto de afirmação política extremamente importante também em Portugal, nomeadamente durante a ditadura.

Nos 120 anos do 1º de Maio continua a fazer falta sair à rua e defender e exigir direitos laborais. Tristemente. no nosso país até faz de novo sentido lutar-se pelas 8 horas de trabalho diário, direito que a flexibilidade horária e o trabalho por turnos querem distorcer ou mesmo ignorar.

O 1º de Maio é para se sair à rua, com muita, muita gente e gritar e exigir e defender os direitos que são nossos. Em Portugal é afirmar Abril, com o ideal que o liderou, como em Maio de 1974.

Eu, pelo 3º ano consecutivo, não irei a nenhuma manifestação, não gritarei nem exigirei. Vivo numa terra onde os caciques mandam, onde as estruturas sindicais estão minadas pelo patronato, onde as pessoas trabalham muitas vezes de sol a sol, onde os indígenas são tratados abaixo de cão e onde a propaganda consegue mesmo difundir o individualismo. Onde o exército patrulha as ruas e ninguém acha estranho, onde crianças de 3 ou 4 anos vendem cigarros, pastilhas elásticas e rosas, às 3 da manhã, em bares onde se consome cocaína.
Hoje o mercado tem os postos todos abertos e muita gente como todos os sábados, os supermercados estão abertos, os mini-mercados também, todas as lojas, restaurantes, cafés, tudo.

Chiapas pode ser muito neo-zapatista, mas está muito longe de ter 1º de Maio...

26.4.09

Hoje ofereci um Cravo


Costumo dizer que o Ateneu de Coimbra é melhor colectividade da cidade e acredito piamente no que digo.
Foi fundado a 1 de Dezembro de 1940 e desde então que cumpre funções sociais e culturais, na Sé Velha e para toda a cidade de Coimbra. Para não fazer aqui o rol das actividades do Ateneu convido os leitores a darem uma olhadela aqui. Está um bocadinho desactualizado, mas há-de melhorar em breve.
O Ateneu de Coimbra sempre se caracterizou por ser uma associação progressista, tanto durante a ditadura como depois da conquista da liberdade para a qual também deu a sua contribuição. Entre os seus sócios (actuais e já desaparecidos) contam-se vários nomes da resistência antifascista que tem sempre honrado, ao longo dos anos, assegurando que a cidade de Coimbra comemora a Revolução e afirma os seus ideais.
Na ausência de comemorações oficiais ou frente ao absurdo de algumas das iniciativas camarárias no 25 de Abril (como foi o concerto de Netinho na praça da canção num dos mandatos de Manuel Machado(PS)) o Ateneu assegurou que todos os democratas da cidade tivessem onde e como celebrear o dia da Liberdade. Sabendo que Abril não significa individualismo igualmente o Ateneu junta os seus esforços, sem protagonismos nem sectarismos a outras entidades que queiram comemorar a Revolução, como sucedeu este ano.
Sou uma orgulhosa (apesar de temporariamente afastada geograficamente) sócia do Ateneu de Coimbra e tenho o hábito de me juntar às comemorações que organiza para o 25 de Abril. Nessa ocasião costumo oferecer cravos aos meus amigos, aos meus camaradas, àqueles de quem gosto e que eu sei que vão apreciar o presente. Àqueles que sabem que é provavelmente o presente mais bonito que posso dar a alguém, um cravo vermelho.
Já que não pude ir ao concerto no TAGV nem ver o PIDE arder nos Jardins da AAC, hoje ofereci um Cravo.

Não fazer falta

Detesto estar longe no 25 de Abril.
No ano passado aconteceu-me o mesmo e pela primeira vez.
Dia 24 às 6 menos qualquercoisa da tarde (quase meia noite em Portugal Continental) liguei para o telemóvel da minha mãe porque queria ouvir a Grândola na festa do Ateneu de Coimbra. Queria saber que se estava a queimar o PIDE e queria ouvir aquelas vozes todas a gritar "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!" no fim, mas a recepção é muito má dentro do centro cultural D.Dinis e a chamada caiu antes que pudesse ouvir sequer os primeiros versos da canção. Liguei ansiosamente para todos os números que tinha comigo de camaradas e amigos que sabia que estariam ali, mas não consegui estabelecer chamada com nenhum. Saí da "caseta telefónica" muito desconsolada, mas certa de que se não ouviam os telemóveis era porque tudo corria bem e havia muita gente.
Este ano a 24 voltei a ligar às 6 menos pouco da tarde daqui, mais uma vez para ouvir a Grândola na festa que o Ateneu co-organizou. Desta vez estavam no TAGV e depois nos Jardins da AAC e ouvi a Grândola e os gritos no fim e eram "Muitos, muitos mil para continuar Abril".
Falei com o namorado, com a mãe, com o pai, com amigos e fiquei com um sabor mais doce na boca do que no ano passado embora em nada se compare com o mel. Sabe muito bem que tanta gente tenha querido partilhar o 25 de Abril comigo. Mas mesmo bom é saber que não faço falta.

25.4.09

Revolução dos Cravos




A fotografia é de Eduardo Gageiro, a transformação é minha e tem alguns anos. A frase é da Canção "Força Força, Companheiro Vasco" do Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo.
Espero que gostem.
É das minhas fotografias preferidas das Forças armadas, acho que ilustra bem as origens dos soldados da Guerra Colonial.

No 25 de Abril

É pouco para um post do 25 de Abril e se não estivesse tão longe podem ter a certeza que ainda seria menos. Porque o 25 de Abril não é para se passar em frente ao computador escrevendo para a blogosfera. É para se passar na rua afirmando-o, em luta e em festa, porque a liberdade implica ambas e os ideais de Abril são bonitos demais para não se lutar por eles e para não provocarem alegria.

Bom 25 de Abril!

22.4.09

Abril nos Altos de Chiapas

Está a acabar a época seca e aparecem os primeiros chuviscos que mais que produtivos são incómodos. Não serve ainda, ainda hão-de vir dias em que não chove. Ainda não se pode semear o milho, senão ele vai germinar e secar e terá que se semear outra vez em Maio.
Mas saindo um pouco de San Cristóbal rumo às comunidades agrícolas e madeireiras dos Altos, já por toda a parte se vê a terra a ser preparada, desde o fumo que se eleva das chamas baixas das queimadas até às terras já sulcadas pelo arado, prontas para receber o milho. Daqui a um mês deixar-se-á cair o precioso cereal em grupos de três ou quatro grãos em cada buraquinho que dista um metro do anterior e outro metro do seguinte. Assim, certinha e a eito, a primeira sementeira do ano.
Assim se começa a “milpa”. Roça-se o que ficou da colheita anterior ou cortam-se os troncos finos dos arbustos se a terra esteve em pousio e deita-se-lhe fogo, “roza-tumba-quema”, e depois o arado, motorizado se há sorte e descendo em grau de indústria até à enchada se a sorte só bateu a outras portas. Depois a sementeira, de milho branco, branquinho é que se quer, ou desse arroxeado que vi cá pela primeira vez. Amarelo não, esse, aprendi eu cá também, é para ração, para os animais. Como haveriam eles de fazer broa se desprezam assim essa delícia? Mas é preciso ter em atenção que o México é centro de origem do milho, que tem inúmeras variedades diferentes desta gramínea (Poaceae para os mais exigentes) e uma cultura milenar do seu uso na alimentação. Eles hão-de saber melhor que nós que só há uns séculos é que o começámos a usar. Mas eu cá tenho saudades da broa de milho amarelo, tenho tenho, quentinha e com manteiga.
Mais tarde hão-de deitar à terra o feijão, junto do milho, para que se agarre à sua cana forte e alta, sem precisar de mais suporte, mas ainda estamos em Abril, ainda as chuvas não são certas e nem o milho está ainda na terra.
Os bosques ainda estão meios acastanhados, excepto os de pinheiro claro, mas quase todos ficam assim, acastanhados, baços, contrastando com as margens dos ribeiros, essas sempre vestidas de verdes vivos e tenros. Quando olhamos as montanhas elas estão escuras, cheias de copas de árvores sedentas, quase quase no limite da sua resistência à seca, mas aguentando-se ainda, à espera do tempo em que a chuvinha é diária, o fotoperíodo é grande e se pode crescer e crescer à vontade! Em vez de sobreviver e largar folhas para não perder água. Algumas aproveitam já estas chuvas iniciais e incertas para pintar de um verde menos apagado as suas folhas e dos Quercus saem rebentos tenros e vermelhos, macios e aveludados, com aspecto de adorno natalício em plena Primavera.
Abril nos Altos de Chiapas é para ser disfrutado. São os dias mais quentes do ano e também os últimos em que pode ser que não chova toda a tarde até chegar Novembro e nessa altura, mesmo que saia o Sol, vai estar um frio de rachar. Aqui Abril é o último mês do ano em que não se sente congelar os dedos quando se pega na bicicleta pela manhã e em que ainda se pode esquecer o impermeável em casa e não voltar a ela encharcado ao fim da tarde. Também é o último mês do ano em que se pode fazer trabalho de campo durante a tarde sem passar o tempo a olhar o céu de soslaio, com medo que nos caia em cima de repente e deite a perder os apontamentos que tirámos a manhã toda.
Sim, Abril é um mês porreiro aqui, mas devo admitir que, apesar de ser algo incómoda, a época de chuvas também tem o seu encanto, mas eu depois conto, quando ela chegar eu conto.