1.11.09

Día de muertos

Os mexicanos têm uma tradição de culto dos mortos que é particularmente do meu agrado. Fazem-lhes altares com ofrendas de comida e bebida nas suas casas, num ritual caseiro, familiar e interno. Não é a rumagem ao cemitério que se faz em Portugal para, uma vez por ano, os familiares vivos da aldeia nos verem arranjar a campa dos familiares falecidos. Não inclui os beijinhos hipócritas de quem quase armou uma guerra familiar aquando das partilhas, mas agora diz recordar os mortos com grande saudade.
Geralmente não gosto do culto dos mortos, acho que dificulta o sarar das feridas, mas aqui é uma tradição familiar. Celebra-se o morto como numa festa, com comida, bebida e muitos cravos túnicos nos altares. Os miúdos disfarçam-se e pedem doces cantando de porta em porta e há festa, música, dança e alegria, numa celebração dos mortos que me parece infinitamente melhor do que os olhares contristados e as vozes ao mesmo tempo chorosas e suplicantes costumeiros em Portugal.

Como este fim de semana há ponte pelo dia de finados trago à Eira a belíssima representação mexicana da morte, a Catrina. Com a voz de Eugénia León, uma criação de René Castillo, Hasta los Huesos, disfrutem:

Um comentário:

  1. Para dançar com uma voz daquelas até eu bebia o que fosse!

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