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30.8.11
Tão natural como a sua sede... a privatização, claro!
Hoje dou a todos uma dica de investimento seguro, no fabrico e comerciaçlização de algo que será indispensável em praticamente todos os lares do país num futuro muito próximo.
Não, não estou a falar da Televisão Digital Terrestre. Refiro-me a sistemas de recolha e armazenamento da água da chuva.
Hoje ficámos a saber (através de uma agência noticiosa estrangeira, como convém) que o governo pretende privatizar as Águas de Portugal até ao final de 2012. Demos um passo importante, passámos de privatizar empresas e bens dos sectores chave da economia para privatizar bens essenciais à vida.
No nosso país vamos privatizar a água, esse composto que permitiu que surgisse a vida no planeta.
Sugiro a todos que invistam nos tais sistemas de recolha e armazenamento da água da chuva, precisaremos todos em breve, é um investimento seguro, pelo menos a avaliar pelo comportamento dos preços dos combustíveis depois da privatização da GALP e da liberalização dos preços.
Há dias chamei bandalhos aos membros do Bloco de Esquerda por quererem referendar a privatização da água (e continuo a achar que o são) e até deixei cá uma "Pequena delícia da nossa Constituição" a propósito.
Privatizar a água é criminoso e sê-lo-ia mesmo que não estivesse na Constiuição (mas estão a ver porque é tão importante mudá-la, não estão?).
Privatizar um bem essencial à vida só pode ser qualificado como crime e todo e qualquer indivíduo que levante essa hipótese devia ir para a cadeia ver se conseguia sobreviver com a água que lhe desse a chuva no Verão; mas afinal, que somos governados por criminosos já não era novidade nenhuma, pois não?
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2.7.09
Época de chuvas #4
Figos de cacto ou, como lhes chamam cá, Tunas.
Também há roxas, mas eu gosto mais das verdes.
Também é tempo delas agora, na época de chuvas.
Também há roxas, mas eu gosto mais das verdes.
Também é tempo delas agora, na época de chuvas.
Época de chuvas #3
Guaya, mamoncillo, mamón.
Como lhe queiram chamar... É bom!
A Natalia quase teve um ataque de histeria quando os viu no mercado de Ocosingo em Junho de 2007 e eu descobri um fruto novo e muito viciante.
É época deles agora, no início da época de chuvas. Sim, aqui ainda há fruta da época e uma época para determinadas frutas!
1.7.09
14.5.09
El agua que viene del cielo trae mucha bendición
Na verdade. para este texto, o que importa mesmo é a relva. Naturalmente não tenho um cortador de relva e apará-la com uma catana de mato dá cabo das costas. Por isso, de vez em quando (com uma periodicidade variável dependendo da época do ano, se seca, se de chuvas) vem um senhor cortar a relva e chama-se Alfonso.
O don Alfonso é um senhor bem disposto e conversador, dos seus 40 e tal, 50 anos que uma vez, conversando sobre como as plantas cresciam muito mais depressa na época de chuvas, me disse:
"Las plantas siempre crecen mejor con la lluvia que cuando las riega uno. Es que el agua que viene del cielo trae mucha bendición!"
Na altura achei que era uma boa tirada e que, de facto, a água das chuva parecia fazer crescer melhor as plantas que quando eu as regava. Claro que há-que considerar que a época de chuvas coincide com o maior fotoperíodo neste caso, mas de qualquer modo era uma boa frase. Pelo menos tive essa opinião até há uns dias. Há uns dias estava quase a chegar a casa de bicicleta e caiu uma granizada valente. Acelerei enquanto os pedaços absurdamente grandes de gelo me magoavam cara e mãos e cheguei a casa. No dia seguinte constatei que a bendição tinha sido tanta que cebolas, cravos túnicos e alfaces tinham ficado com as folhas irremediavelmente partidas (as alfaces tinham talvez metade da área foliar que tinham desenvolvido até ali). A partir de então voltei à minha presunçosa sobranceria em relação aos ditados dos crentes...
22.4.09
Abril nos Altos de Chiapas
Está a acabar a época seca e aparecem os primeiros chuviscos que mais que produtivos são incómodos. Não serve ainda, ainda hão-de vir dias em que não chove. Ainda não se pode semear o milho, senão ele vai germinar e secar e terá que se semear outra vez em Maio.
Mas saindo um pouco de San Cristóbal rumo às comunidades agrícolas e madeireiras dos Altos, já por toda a parte se vê a terra a ser preparada, desde o fumo que se eleva das chamas baixas das queimadas até às terras já sulcadas pelo arado, prontas para receber o milho. Daqui a um mês deixar-se-á cair o precioso cereal em grupos de três ou quatro grãos em cada buraquinho que dista um metro do anterior e outro metro do seguinte. Assim, certinha e a eito, a primeira sementeira do ano.
Assim se começa a “milpa”. Roça-se o que ficou da colheita anterior ou cortam-se os troncos finos dos arbustos se a terra esteve em pousio e deita-se-lhe fogo, “roza-tumba-quema”, e depois o arado, motorizado se há sorte e descendo em grau de indústria até à enchada se a sorte só bateu a outras portas. Depois a sementeira, de milho branco, branquinho é que se quer, ou desse arroxeado que vi cá pela primeira vez. Amarelo não, esse, aprendi eu cá também, é para ração, para os animais. Como haveriam eles de fazer broa se desprezam assim essa delícia? Mas é preciso ter em atenção que o México é centro de origem do milho, que tem inúmeras variedades diferentes desta gramínea (Poaceae para os mais exigentes) e uma cultura milenar do seu uso na alimentação. Eles hão-de saber melhor que nós que só há uns séculos é que o começámos a usar. Mas eu cá tenho saudades da broa de milho amarelo, tenho tenho, quentinha e com manteiga.
Mais tarde hão-de deitar à terra o feijão, junto do milho, para que se agarre à sua cana forte e alta, sem precisar de mais suporte, mas ainda estamos em Abril, ainda as chuvas não são certas e nem o milho está ainda na terra.
Os bosques ainda estão meios acastanhados, excepto os de pinheiro claro, mas quase todos ficam assim, acastanhados, baços, contrastando com as margens dos ribeiros, essas sempre vestidas de verdes vivos e tenros. Quando olhamos as montanhas elas estão escuras, cheias de copas de árvores sedentas, quase quase no limite da sua resistência à seca, mas aguentando-se ainda, à espera do tempo em que a chuvinha é diária, o fotoperíodo é grande e se pode crescer e crescer à vontade! Em vez de sobreviver e largar folhas para não perder água. Algumas aproveitam já estas chuvas iniciais e incertas para pintar de um verde menos apagado as suas folhas e dos Quercus saem rebentos tenros e vermelhos, macios e aveludados, com aspecto de adorno natalício em plena Primavera.
Abril nos Altos de Chiapas é para ser disfrutado. São os dias mais quentes do ano e também os últimos em que pode ser que não chova toda a tarde até chegar Novembro e nessa altura, mesmo que saia o Sol, vai estar um frio de rachar. Aqui Abril é o último mês do ano em que não se sente congelar os dedos quando se pega na bicicleta pela manhã e em que ainda se pode esquecer o impermeável em casa e não voltar a ela encharcado ao fim da tarde. Também é o último mês do ano em que se pode fazer trabalho de campo durante a tarde sem passar o tempo a olhar o céu de soslaio, com medo que nos caia em cima de repente e deite a perder os apontamentos que tirámos a manhã toda.
Sim, Abril é um mês porreiro aqui, mas devo admitir que, apesar de ser algo incómoda, a época de chuvas também tem o seu encanto, mas eu depois conto, quando ela chegar eu conto.
Mas saindo um pouco de San Cristóbal rumo às comunidades agrícolas e madeireiras dos Altos, já por toda a parte se vê a terra a ser preparada, desde o fumo que se eleva das chamas baixas das queimadas até às terras já sulcadas pelo arado, prontas para receber o milho. Daqui a um mês deixar-se-á cair o precioso cereal em grupos de três ou quatro grãos em cada buraquinho que dista um metro do anterior e outro metro do seguinte. Assim, certinha e a eito, a primeira sementeira do ano.
Assim se começa a “milpa”. Roça-se o que ficou da colheita anterior ou cortam-se os troncos finos dos arbustos se a terra esteve em pousio e deita-se-lhe fogo, “roza-tumba-quema”, e depois o arado, motorizado se há sorte e descendo em grau de indústria até à enchada se a sorte só bateu a outras portas. Depois a sementeira, de milho branco, branquinho é que se quer, ou desse arroxeado que vi cá pela primeira vez. Amarelo não, esse, aprendi eu cá também, é para ração, para os animais. Como haveriam eles de fazer broa se desprezam assim essa delícia? Mas é preciso ter em atenção que o México é centro de origem do milho, que tem inúmeras variedades diferentes desta gramínea (Poaceae para os mais exigentes) e uma cultura milenar do seu uso na alimentação. Eles hão-de saber melhor que nós que só há uns séculos é que o começámos a usar. Mas eu cá tenho saudades da broa de milho amarelo, tenho tenho, quentinha e com manteiga.
Mais tarde hão-de deitar à terra o feijão, junto do milho, para que se agarre à sua cana forte e alta, sem precisar de mais suporte, mas ainda estamos em Abril, ainda as chuvas não são certas e nem o milho está ainda na terra.
Os bosques ainda estão meios acastanhados, excepto os de pinheiro claro, mas quase todos ficam assim, acastanhados, baços, contrastando com as margens dos ribeiros, essas sempre vestidas de verdes vivos e tenros. Quando olhamos as montanhas elas estão escuras, cheias de copas de árvores sedentas, quase quase no limite da sua resistência à seca, mas aguentando-se ainda, à espera do tempo em que a chuvinha é diária, o fotoperíodo é grande e se pode crescer e crescer à vontade! Em vez de sobreviver e largar folhas para não perder água. Algumas aproveitam já estas chuvas iniciais e incertas para pintar de um verde menos apagado as suas folhas e dos Quercus saem rebentos tenros e vermelhos, macios e aveludados, com aspecto de adorno natalício em plena Primavera.
Abril nos Altos de Chiapas é para ser disfrutado. São os dias mais quentes do ano e também os últimos em que pode ser que não chova toda a tarde até chegar Novembro e nessa altura, mesmo que saia o Sol, vai estar um frio de rachar. Aqui Abril é o último mês do ano em que não se sente congelar os dedos quando se pega na bicicleta pela manhã e em que ainda se pode esquecer o impermeável em casa e não voltar a ela encharcado ao fim da tarde. Também é o último mês do ano em que se pode fazer trabalho de campo durante a tarde sem passar o tempo a olhar o céu de soslaio, com medo que nos caia em cima de repente e deite a perder os apontamentos que tirámos a manhã toda.
Sim, Abril é um mês porreiro aqui, mas devo admitir que, apesar de ser algo incómoda, a época de chuvas também tem o seu encanto, mas eu depois conto, quando ela chegar eu conto.
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