26.8.10

Está quase quase a chegar!

Tenho andado fugida destas paragens há uns tempos valentes e este "post" também não vai ser grande.

Serve para dizer que grande é a excitação, grande é a antecipação, grande é a alegria!

Porque vou rever e abraçar bons amigos depois de quase um ano de separação.

Porque vou sorrir até à exaustão dos músculos da minha cara.

Porque vou ficar rouca de tanto cantar e dorida de dançar e rir nalgumas das melhores companhias do mundo (sim soa presunçoso, mas é verdade).


Porque a Festa do Avante 2010 está quase quase a chegar!


Nota: É curioso como sendo o cartaz dos artistas da Festa tão bom todos os anos, joga um papel tão pequenino na minha ânsia de chegar!

6.7.10

Céus! #5

Ana Martins, Castelo de S. Jorge, Lisboa, Portugal, Janeiro de 2010

Um amigo uma vez comentou que se a luz de Lisboa tivesse preço já alguém a teria comprado e é bem verdade!

Imbecilidades recorrentes

"As pessoas não querem trabalho, querem um emprego!"

Se calhar sou eu que sou esquisita, mas eu até acho normal que as pessoas queiram ver os seus direitos assegurados em troca do seu esforço de produção.

Eu acho normal que não queiram trabalhar feitos escravos.

Acho normal que queiram um salário digno e descontos para a segurança social. Aliás, eu acho que isso seria normal nos trabalhadores do Estado porque em troca de engordar quem está "gordo de comer a sua terra" até acho que é pedir pouco.


"Eles não querem trabalhar, querem é viver do rendimento mínimo e do subsídio de desemprego. Querem viver às nossas custas!"

Pois claro! Está-se mesmo a ver que há mais de 700 000 pessoas que não querem comprar uma casa, viver confortavelmente, nem fazer as compras do supermercado sem ter que contar os tostões.

Está-se mesmo a ver que há milhares de jovens no nosso país que não querem casar-se nem ter filhos.

E, sobretudo, está-se mesmo a ver que os beneficiários do subsídio de desemprego nunca descontaram para terem direito a esse subsídio e estão é a viver "às nossas custas"!

"Para quem quer trabalhar há sempre trabalho."

Pois há, sobretudo trabalho escravo, perdão, trabalho voluntário que explora a necessidade das pessoas de enriquecerem o curriculum na esperança de arranjarem emprego mais tarde. Assim dá-se resposta (e mal) às necessidades das organizações que antes contratavam pessoas para as funções que desempenham os "voluntários".

"Vê lá se querem trabalhar ao fim de semana, ou por turnos à noite, não querem! E depois queixam-se!"

Porque o único que tem direito a passar o fim de semana com a família é o imbecil chapado que diz isto refastelado na cadeira do café.
Agora as crianças já não precisam de ter os pais em casa para lhes darem o jantar, nem para lhes corrigirem os trabalhos de casa, nem para lhes lerem uma história antes de dormir.
Na verdade as crianças são auto-suficientes, eu nem sei porque investimos tanto em cuidados parentais, é um desperdício, deve ser alguma tendência vinda do nosso antepassado em comum com os outros símios de que a evolução ainda não nos desfez.

Eu juro que tento ter paciência, pensar que não são más pessoas, que só foram manipuladas mas há vezes em que me custa mesmo muito. Felizmente depois arranjo a terapêutica companhia dos que sacodem prontamente a areia que lhes atiram para os olhos e sei que "isto vai".

1.7.10

Volver

Carlos Gardel

25.6.10

Tão a propósito

que nem de propósito!

Meu caro Amigo

(Chico Buarque e Francis Hime)





Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando e também sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu quis até telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
E a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco

Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus


24.6.10

Céus! #4

Ana Martins, Junho de 2010 em Cholula, Estado de Puebla, México

23.6.10

As Vacances

Ora bem!
Estou de mini-férias (férias de qualquer forma e merecidas).

Prometo "postar" fotografias e relatos daqui a uns dois ou três dias. Até lá, divirtam-se que eu também farei por isso.

18.6.10

Saramago

Aos 16 anos li o Evangelho segundo Jesus Cristo, recém chegada do Primo Basílio, Do crime do Padre Amaro e do sempre delicioso Conde de Abranhos. Infelizmente não voltei a ler Eça (embora me faltem vários de leitura quase obrigatória), mas nunca deixei de ler Saramago.

Quando, no México, senti o português a fugir por fala de prática pedi aos meus pais livros do Saramago . Naturalmente gosto mais de uns do que de outros (tipicamente mais dos mais antigos e menos dos mais recentes). Uns deram-me grandes delícias, outros consideráveis desilusões (sobretudo ao nível da história). O que guardo sempre de Saramago e lhe agradeço profundamente é a delícia da sua escrita cuidada (embora o castelhano tenha feito os seus estragos), aliada à sua enorme e fértil imaginação. A sua mestria na cativante descrição das relações entre personagems perfeitamente monótonas e desse fluído encadear de divagações às vezes tortuosas, sem nunca perder o fio da história.

Claro que também me indignei muitas vezes com as suas palavras, a meu ver irreflectidas em diversas ocasiões. Mas de Saramago guardo a memória de muitas horas bem passadas, na companhia de marinheiros em terra, construtores de passarolas, cães que secavam lágrimas, almuadens e revisores, profetas que conversam com Deus e o Diabo, oleiros, formigas que tudo testemunham, bichos do caruncho que matam ditadores, mulheres a dias que de barcos fazem ilhas, pastores que trocam números de campas no cemitério e tantos outros, tão cinzentos e interessantes ao mesmo tempo. E, sem nada de literário, também guardo a memória de um aperto de mão muito mais firme do que a minha idade permitia corresponder.

17.6.10

Céus! #3

Ana Martins, Coapilla, Chiapas, México, Agosto 2008

16.6.10

E finalmente

Depois de vários meses de gestação e mais ou menos duas horas de parto aqui está ela!


O motivo da minha falta de leitura das notícias nacionais e internacionais!


15.6.10

Céus! #2

Ana Martins, Chiapas, México, Novembro de 2009

14.6.10

Coitados dos refugiados

Céus! #1

Ana Martins, Serra da Estrela, Setembro de 2009

Costumo dizer que os céus mais bonitos que já vi, vi nos Altos de Chiapas. Ao pensar nisto lembrei-me de que tenho diversas fotografias do céu, visto de diversos sítios e decidi partilhar.

Sem periodicidade certa "Céus!" é uma nova rúbrica recorrente da Eira. Espero que gostem.

13.6.10

Pequena e insignificante

Há quem pense no Universo, na sua grandeza e na sua grandiosidade para se maravilhar enquanto se sente pequenino e insignificante.

Eu não preciso de ir tão longe. Vou aos humanos. Mais precisamente nos humanos comunistas portugueses.

São tantos que fizeram tantas coisas tão grandes, grandiosas e importantes para a vida de milhões de pessoas! A maioria nem sequer conheço, nunca ouvi falar e não ouvirei. Ou dou conta do que fizeram por nós quando morrem, porque são gente simples, que mais que fazer alarde trabalha; e eu, que não tive a sorte de os conhecer só dou conta deles enquanto indvíduos quando chega a notícia da morte, essa sim justamente noticiada e sentida por alguns.

O Álvaro Cunhal é um desses grandes, inteligentes, multi-facetados, humanistas e humanos, de vida cheia e cheia de trabalho para o colectivo, para um colectivo internacional e internacionalista. Felizmente não entra na categoria dos anónimos, um ser humano íntegro e integral como Álvaro Cunhal não poderia ficar no anonimato.

O Álvaro Cunhal é um desses que me maravilham, que me fazem sentir pequenina e insignificante e profundamente feliz por estar no mundo com pessoas como ele.

8.6.10

Passem a palavra

A pedido do Cravo de Abril e porque isto também faz parte de ser a muralha de aço, aqui passo palavra também apesar de não poder apareçer:

VASCO GONÇALVES foi, entre todos os militares de Abril, a figura maior da nossa Revoluçãol - e sua intervenção singular em todo o processo revolucionário fez dele uma figura maior da história de Portugal.
Ele foi o primeiro - e até agora único - primeiro-ministro português que, no desempenho desse cargo, teve sempre como primeira prioridade, paralelamente à defesa da independência nacional, a defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo, ou seja, da imensa maioria dos portugueses.

Por isso, o Companheiro Vasco ficará para sempre na memória e no coração dos trabalhadores, do Povo e do País.

Por iniciativa de um grupo de amigos de Vasco Gonçalves, e de familiares deste, efectua-se, no próximo dia 11 - dia em que passa o 5º aniversário do seu falecimento - uma Romagem ao Cemitério do Alto de São João.
É às 11 horas.
E aqui fica a convocatória.


Passem palavra.
E apareçam.

5.6.10

A pedagogia da desertificação


"Nós não queremos isso, só pensamos no interesse das crianças, é um interesse meramente pedagógico, quando pensamos em encerrar essas escolas"

- José Sócrates

Entre as várias desculpas nuas (já nem esfarrapadas são) que o governo dá para o fecho de escolas estão a maior taxa de insucesso escolar nas escolas com menos de 20 alunos.

Segundo todos os psicólogos e especialistas da educação urmas mais pequenas e ensino mais dirigido dão melhores resultados de aprendizagem, mas o nosso PM tem certeza que é o número reduzido de alunos que causa o insucesso nas escolas em causa.

Não lhe ocorreu que os maus resultados se devam a colocação de professores com pouca experiência, pouca vontade de estar numa terra longe da sua, longe da sua família, permanentemente deslocalizados, mal pago e desrespeitados todos os dias. Nem lhe ocorreu que se devam a pobres condições materiais dessas escolas.

Seguramente não lhe ocorreu que anti-pedagógico e anti-social é fazer crianças percorrerem sei lá quantos quilómetros para ir à escola roubando-lhes de uma só vez tempo de estudo e de brincadeira Roubando-lhes o saudável regresso a casa a pé em companhia dos vizinhos, o almoço preparado e comido em casa. Privando toda a família do tempo de convivência e privando os miúdos de toda uma localidade do contacto com as pessoas que nela habitam, desenraízando-os e, ao fim ao cabo, mandando-os embora.

É a pedagogia da desertificação.

Saúde é o que eu lhe desejo


Agora a preocupação é com que, por mudança de localização, haja localidades sem farmácias e com a falta de voto da matéria por parte das autarquias.

"É que desde 2007 deixou de ser necessário qualquer parecer das autoridades, como sucedia até então. Desde esse ano mudaram de local 260 farmácias, metade para zonas com mais população. Em muitas zonas do interior do País, algumas localidades perderam a única farmácia que tinham obrigando os utentes, a maioria idosos, a percorrer quilómetros para obter medicamentos."

Mas digam-me lá que não é lógico! Se se podem fechar os centros de saúde, as maternidades os SAPs sem perguntar nada às autarquias, porque é que há-de haver farmácias? Se não é preciso quem prescreva medicação, porque seria precisa a medicação?

Pois... Se a Saúde fosse mesmo pública, se fosse o direito que devia ser segundo a nossa Constituição, a música era outra...

4.6.10

Israel, EUA e a Paz

O pacifismo deste Nobel da Paz já deixou de me surpreender há uns tempos, agora cansa-me profundamente ao mesmo tempo que continua a indignar-me.

2.6.10

Os bons e o Futuro


É notável como os bons, mesmo velhotes, nunca deixam de olhar em frente, para o Futuro que queremos, planeando a tarefa presente.

"Hoje já não há medo da PIDE, da censura, das perseguições políticas (à velha maneira...), mas em contrapartida criaram-se outros medos também inimigos da liberdade: medo do desemprego, medo de não ter condições para uma velhice feliz, medo de não conseguir educar os filhos, medo de não ter acesso à saúde, todos estes medos continuam a existir, e todos eles têm de ser combatidos em nome de uma liberdade que o país conseguiu com o 25 de Abril".

-Almirante Rosa Coutinho

Mais um adeus carregado de gratidão.

1.6.10

Alegres preocupações em bloco

Segundo Francisco Louçã

“A campanha presidencial não é uma campanha dos partidos, não depende de nenhum apoio, é a campanha de um candidato, que tem um programa, e quando Manuel Alegre tomou posição sobre o Código do Trabalho, sobre as privatizações ou sobre a Justiça ou sobre a solidariedade, ele tem uma preocupação que é partilhada pelo povo da esquerda, que é responder à desigualdade”


Dando de barato os erros de concordância e indo ao que interessa, pergunto eu:

Também teve essa preocupação quando apoiou o PS nas últimas legislativas?
Então e quando fez campanha pelo PS nessas eleições?
E ainda que seja secreto, então e quando votou PS para que os seus correlegionários levassem a bom porto o dito Código do Trabalho e as privatizações?

A mim parece-me que o Manuel Alegre partilha muito pouco com o povo português, muito menos a preocupação de responder à desigualdade.

1 de Junho


Foi essa a data adoptada pelas Nações Unidas para assinalar o primeiro Dia Mundial da Criança.. Quando me lembraram que dia era hoje lembrei-me também da Declaração Universal dos Direitos da Criança. Agarrada a esse fio de pensamento chegou a memória dos pacotes de leite escolar que bebia na Escola Primária nº 10 de Coimbra.

No fim do intervalo, suados e empoeirados do jogo de futebol recém acabado sentávamo-nos nos degraus do estrado da velha sala de aulas e bebíamos o leite achocolatado que o colega escolhido nesse dia tinha ido buscar. A minha sala de aula da escola primária era dessas antigas que ainda tinham um estrado que tornava o professor ainda mais imponente e o punham aluno chamado ao quadro ainda mais em exposição, mas também que serviam de palco para as ocasionais encenações de algum texto mais propício.

Então, dizia eu, sentávamo-nos a beber o leite achocolatado, o leite escolar, que vinha nuns pacotinhos de 20cl muito giros cada um com um princípio da Declaração Universal dos Direitos da Criança e um desenho alusivo. Eram desenhos a duas cores se não estou em erro, azulados, de bonequinhos muito geométricos. Costumávamos ver qual tinha cada um de nós, qual nos tinha "saído" como se fosse um cromo, mas a mensagem passava.

Esses pacotes de leite foram o meu primeiro contacto com a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Lembro-me que o que mais me marcou foi o direito da criança, desde o nascimento, a um nome e uma nacionalidade. Eu sabia que havia trabalho infantil, crianças que passavam fome, que não iam à escola, que não iam ao médico quando estavam doentes, que havia pessoas que eram racistas (felizmente nenhuma na minha turma). Mas desconhecia a condição de apátrida e não me cabia na cabeça que alguém pudesse não ter nome.
Lembro-me de me ter sentido muito afortunada, porque se tinha que estar escrito em algum lado era porque nem sempre se cumpria (disso eu já tinha dado conta).

Procurei imagens desses pacotes para deixar aqui, mas não encontrei. Fica uma dos Pioneiros de Portugal

29.5.10

Nova terapia

O João Proença é vomítico e será estudado para uso hospitalar em substituição das lavagens de estômago.

Compensação

Isto de apelar à participação numa manifestação à qual não vou é complicado.


Não posso dizer
"Demasiados  nunca seremos"

nem
"Mesmo que estejamos todos seremos poucos"

nem
"Quantos mais formos mais força teremos"

Enfim, não posso usar a primeira pessoa do plural, tão bonita, de que gosto tanto, tão colectiva, tão integradora, tão carregada de sentimento de pertença e união.

Os argumentos estarão na terceira pessoa, essa tão impessoal (ainda que se chame pessoa), tão distante, tão marginalizante, tão dos "outros", tão desagradável.

Sobra-me um argumento, o único que me parece lógico:

"Eu queria mesmo ir, eu tinha que ir portanto, para tentar compensar, todos os outros do "nós" em que me insiro têm que ir e têm que gritar mais um bocadinho e um bocadinho mais alto do que gritariam."

Claro que este esforço de compensação está condenado ao fracasso desde o princípio porque se fossem todos e eu também, se fossemos todos, a minha seria mais uma voz que lá estaria. Talvez não se notasse muito na multidão, mas era melhor que o muito que se nota que não está lá cada voz que falta.

Quem vai à manifestação trava a batalha para todos, para um colectivo. As vitórias que alcance serão de todos, mesmo dos que não levantaram o rabo do sofá. Mas se sair derrotado a culpa é exclusivamente de quem ficou no sofá.


 Amanhã às 15h todos à Manifestação!

Do Marquês aos Restauradores.



28.5.10

Luta!

Amanhã, sem falta!

26.5.10

Uma questão de Soberania Nacional


O Partido Ecologista Os Verdes apresentou hoje dois projectos de lei na AR com vista a contribuir para a nossa soberania alimentar.
Estes projectos defendem a disponibilização de produtos nacionais nos supermercados e a obrigatoriedade de informar os consumidores sobre o valor da compra ao produtor.

A abstenção do PPD-PSD, no primeiro, deixou que o PS chumbasse a proposta que teve voto favorável das restantes bancadas.

O segundo, que permitia (e bem) a demonstração de margens de lucro gigantes e injustas (de uma forma bem melhor do que o chamado mercado justo do qual também se deconhecem as margens de lucro), foi chumbado pelo PS, PPD-PSD e CDS-PP contra o voto favorável das outras bancadas.

Segundo afirmou Heloísa Apolónia (e eu acredito piamente nela) Portugal aumentou a sua dependência alimentar do exterior de 20 para 75% desde 1986 (data de entrada para a CEE).

Tendo em conta estes números eu pergunto, somos realmente soberanos?

Um país que não é capaz de alimentar o seu povo é realmente soberano?

Que Nobel tão pacífico!


Em 2008, durante a campanha presidencial nos EUA, houve muito mexicano a achar que Obama seria um presidente mais favorável para os mexicanos. Acharam que seria mais tolerante, humano, progressista, e eu sei lá que mais esperançadas estupideses baseadas na concentração de melanina e na lábia do senhor.

Ora tomem lá que já almoçaram!

"O Presidente norte-americano, Barack Obama, vai enviar mais 1200 soldados para a fronteira com o México para combater a imigração ilegal e o narcotráfico"

É uma pena, parecia tão bom rapaz, não era? Pois é, mas não lhe interessa muito se quem lhe corta a relva do jardim ou faz as camas onde se deita andou a fugir de tiros ou a morrer de sede no deserto antes de ali chegar.

Governos e govern(ad)os

É mesmo, há governos que nos governam e outros que se governam:

A 6 de Outubro de 1975 o 1º ministroVasco Gonçalves pedia "Um dia de trabalho para a Nação" e o povo respondia produzindo um resultado financeiro de 13000 contos.

A 25 de Maio de 2010 a ministra do trabalho Helena André, respondendo à possibilidade de uma greve geral convocada pela CGTP, diz que a situação é difícil no país, que é preciso “que todos possam dar as mãos para podermos ultrapassar esta dificuldade”; que “precisamos do empenho de todos os portugueses”.

Em nenhum dos casos a culpa da crise é atribuível aos trabalhadores. Mas há uma grande diferença: no primeiro caso o governo não tinha culpas no cartório e não sacudia a água do capote para cima de ninguém!

(o João Abel Manta é um sinhore!)

23.5.10

O PR e as empresas


Segundo o nosso PR (nosso, mas não graças a mim certamente)

"Nunca o país, desde 1974, precisou tanto do contributo dos empresários privados para vencer a crise em que nos encontramos"
E aconselhou mesmo os empresário com quem se reuniu (a saber todos de grandes empresas com investimentos no estrangeiro) a procurar mercados fora do país para colocar os seus productos.

Claro! Estimular o mercado interno nem pensar! Produzir aqui, onde a mão de obra é baratinha, onde o governo ajuda a destruir os direitos dos trabalhadores (de braços dado com o maior partido de "oposição") e onde, com um bocadinho de sorte até a Constituição será um dia deste mais favorável a estas empresas. Às pequenas e médias não, essas devem ser corridas do panorama nacional, banidas, escorraçadas ou simplesmente esmagadas, para abrir caminho para as grandes, essas sim produtivas. Mas sim, produzir aqui como quem produz em Taiwan e depois vender nalgum lado onde os salários possam pagar os preços altos que geram o lucro.

Parece-me um excelente negócio. Para os empresários, claro. Para nós (1ª pessoa do plural, colectivo que somos o povo português) não...

Misericórdia, senhor Presidente da República!

É isso mesmo! Do que o nosso país precisa é de "instituições que prestem uma atenção particular aos filhos daqueles que são atingidos pela crise que atingiu o nosso país". Não precisamos de melhores salários, nem de políticas de fomento do emprego, nem de estabilidade laboral. Não! Do que precisamos é de Misericórdias, é de caridade! Sempre funcionou tão bem! Por que enão funcionaria agora? Aliás, porque é que o Estado se há-de meter nas questões de apoio à infância e juventude, já para não falar na terceira idade.

"Cada um de nós pode interrogar-se qual seria a situação do nosso país no domínio da pobreza, da exclusão social, dos idosos, dos deficientes se não existissem as misericórdias, as instituições de solidariedade social, os grupos de voluntariado, as redes de entreajuda que se dedicam ao apoio dos mais fracos e vulneráveis", (disse o PR) e tivesse de um Estado social que assegurasse o direito à saude, à educação e cultura, à habitação condigna, à segurança social, e sobretudo o direito ao trabalho e o direito à segurança no emprego (acrescento eu).

A efectivação dos direitos que enumerei resolveriam os problemas que levam à necessidade de instituições de como as Misericórdias. Instituições geralmente sugadouras de subsídios e dinheiros públicos, sem contas claras, afectas ao estado mais rico do mundo e que não cumprem com o princípio de laicicidade do Estado Português e que discriminam a população de acordo com crenças religiosas.

Todos os direitos que enumerei, como podem dar conta ao seguir os "links" estão consagrados na nossa Constituição, essa que o PPD-PSD tem tanta sanha de mudar.

Senhor Presidente da República, eu gostaria muito mais de um país sem Misericórdias...

"É uma vida decente, não uma ceia ou aguardente o que é justo e há que dar a toda a gente!"

-Vamos brincar à Caridadezinha-
José Barata Moura

Investigação Heróica


Noticiado no Público citando o ministro da Ciência e Tecnologia Mariano Gago.

Mariano Gago salienta ainda que estes artigos são resultado de investigações de "um, dois, três anos, investigações de cinco anos que terminam” e que os investigadores que os publicam “de facto são heróis nacionais”.

Esqueceu-se de dizer que uma boa parte deste heróis é composta por bolseiros, a trabalhar há vários anos como bolseiros, numa precariedade enorme, sem perspectiva de serem contratados porque não há financiamento para contratações novas, sem que nenhum desses anos de trabalho conte para a reforma e sem direito a subsídio de desemprego porque as bolsas não são colectáveis.

Esqueceu-se de dizer que se organizam na Associação de Bolseiros de Investigação Científica, que reivindicam e se manifestam além de levarem a cabo um extraordinário trabalho de investigação.

Sim, são de facto heróicos...

Bacalar #7

Cenote Azul



Bacalar #6

Piratas e corsários
Caveiras e tíbias cruzadas





Bacalar #5

O Forte e os instrumentos







(Sim, o reflexo na bússula foi propositado)

Bacalar #4

O Forte e os canhões




Bacalar #3

A lagoa e os balneários



Bacalar #2

A lagoa e o molhes

Bacalar #1

A lagoa e as cabanas




14.5.10

Mas que merda é esta?!

(Desculpem-me a linguagem os mais sensíveis, mas foi mesmo espontâneo)

Nos últimos dias andei com a mente ocupada (não distraída), não com o Benfica, nem com a nazi, perdão, papal visita, mas sim com a minha tese e respectiva entrega preliminar. Isto fez com que hoje tivesse as notícias a chegarem-me em catadupa gerando a reacção que serve de título a este post.
A 1ª foi de que a
Comissão Europeia quer aprovar orçamentos nacionais antes dos parlamentos.

Não em ofende que tenha sido um português a dizê-lo. Já me habituei a que indivíduos da laia de Durão Barroso sempre serviram e sevirão interesses que nada têm a ver com o país em que nasceram.

Como se não bastasse o ataque explícito à soberania nacional ainda soube que
PPD-PSD y PS estão de acordo na subida do IVA num ponto: para 21%, para 6% nos bens essenciais e 13% na restauração e na implementação de uma taxa suplementar no IRC de 2,5% sobre os lucros para as grandes empresas e a banca.
Claro! A comida pode ter 6% de IVA, mas os lucros da grandes empresas (coitadinhas) e da banca (mais coitadinha ainda) tributam-se a 2,5%...

Só porque acho que de palavrões bastou o título é que não escrevo o que me veio à cabeça! Mas uma coisa posso dizer (ou re-dizer e sem perigo de difamação) PS e PPD-PSD são um bando de canalhas mentirosos!

Na função pública, se a situação já era má a novidade é ainda pior! Se já estávamos num processo de diminuir o nº de funcionário público para metade agora da função pública só se sai. As admissões estão congeladas e o congelamento durará "enquanto for necessário", excepto quando o sr. ministro Teixeira dos Santos achar que há fundamento.
Argh! Devia saber que preciso de receber estas notícias devagarinho, para não me irritar ao ponto de poder arranjar um aneurisma...

Agora a parte mais importante: como começar a solucionar isto? A resposta óbvia é votar melhor nas próximas eleições, mas, numa perspectiva mais imediata, é esta:

8.5.10

O Estado e a Educação

Quando li o sub-título fiquei logo chateada

"O Estado deve apoiar as famílias que têm filhos no ensino particular e cooperativo, defende João Alvarenga reeleito presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (Aeep) e que hoje tomou posse para mais três anos à frente do organismo."

Então quando li o resto da notícia...

Não é que este senhor acha que o Estado deve apoiar as famílias que têm filhos em colégios privados porque lhe ficará “muito mais barato do que se essas crianças mudarem para a escola pública”. Isto porque estando a criança no sistema público o Estado tem mesmo que gastar o dinheiro dos impostos na educação integral dela.

Diz mesmo: “Quantos mais alunos o Ministério da Educação tiver no privado menos gasta em educação”.

E não duvido que haja muita gente a ir nesta conversa. Esta história do défice tem convencido muita gentinha por esse país fora.

Mas o que diz a nossa Constituição sobre o ensino público, particular e cooperativo é:
Artigo 75.º
Ensino público, particular e cooperativo

1. O Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população.

2. O Estado reconhece e fiscaliza o ensino particular e cooperativo, nos termos da lei.


Daqui retiramos que o Estado assegura que o ensino público é capaz de absorver toda a população escolar. É da Lei fundamental, da Constituição. A educação não é uma área para o Estado poupar uns tostões e também não é uma área para o (des)governo dar dinheiro aos amigalhaços.

O ensino é uma área que o Estado financia com o dinheiro dos contribuintes e que serve para a formação da população, o desenvolvimento das capacidades e a formação de cidadãos capazes e úteis à sociedade em qualquer das diversas vertentes que possam escolher.

Onde o estado tem que poupar tostões (ou milhões) é nos negócios mais escuros que as profundezas em que andam aqueles malfadados submarinos.

Onde o Estado tem que assegurar a geração de benefícios é mantendo o carácter público de sectores chave da economia, empresas estatais que geram dividendos e criam postos de trabalho. É investindo nessas empresas em vez de as vender ao melhor postor (ou ao melhor financiador eleitoral).

É tributando as transacções especulativas, improdutivas e tantas vezes trapaceiras da banca.

E há tantas outras possibilidades!

Agora poupar uns tostões dando ao ensino privado o que devia investir no público? Não, senhor João Alvarenga! Assim não!


No 65º aniversário do fim do Nazi-fascismo

Tenho, tipicamente, pouca noção de que foi há tão pouco tempo que os povos se livraram do Nazi-fascismo. Acho que gostava que as atrocidades que o caracterizaram pertencessem a uma sociedade mais antiga, mais retrógrada, medieval quase. Que não fosse algo tão próximo. Mas é, e convém ter isso presente, por desagradável que seja.

É preciso porque há muitas atrocidades que, sem que sejam documentadas como as nazis, acontecem por todo o mundo e não podem ficar impunes.

A propósito, recomendo o comunicado de Federação Mundial da Juventude Democrática.

Tambén deixo aos visitantes o brilhantismo e o enorme e profundo humanismo do Chaplin que em 1940 soube fazer um dos mais bonitos, necessários e justos discursos políticos que já ouvi.

Disfrutem, lembrem e lutem!




Que nunca mais!

1.5.10

1º de Maio - 120 anos


Na luta pelas 8 horas de trabalho diário diversas organizações de trabalhadores dos EUA convocam uma greve de enormes proporções para o 1º de Maio de 1886.
Em Chicago dezenas de milhar de trabalhadores em greve reúnem-se em manifestação, a repressão policial faz-se sentir de maneira violenta em muitas empresas.
A 4 de Maio, num comício de solidariedade com os trabalhadores de uma empresa onde a repressão chegara a provocar mortos e feridos graves foi lançada uma bomba para o meio do público. A pretexto da bomba muitos quadros sindicais são presos e condenados a trabalhos forçados. Oito deles foram condenados à morte e enforcados.

No congresso fundador da II Internacional (Paris, 14 de Julho de 1889) os "mártires de Chicago" são homenageados e a data 1º de Maio proclamada como jornada de luta por direitos laborais a nível mundial.

“Será organizada uma grande manifestação internacional numa data fixa de modo a que, em todos os países e em todas as cidades em simultâneo, num mesmo dia, os trabalhadores reclamem dos poderes públicos a redução legal da jornada de trabalho, e a aplicação das outras resoluções do Congresso Internacional de Paris.Tendo em conta que uma tal manifestação foi já convocada para o 1º de Maio de 1890 pela American Federation of Labour, no seu congresso de Dezembro de 1888 em St Louis, é esta a data adoptada para a manifestação internacional.”.

Embora com datas diferentes, o 1º de Maio foi assumindo, uma grande importância e um forte simbolismo nas lutas dos trabalhadores, sendo ponto de afirmação política extremamente importante também em Portugal, nomeadamente durante a ditadura.

Nos 120 anos do 1º de Maio continua a fazer falta sair à rua e defender e exigir direitos laborais. Tristemente. no nosso país até faz de novo sentido lutar-se pelas 8 horas de trabalho diário, direito que a flexibilidade horária e o trabalho por turnos querem distorcer ou mesmo ignorar.

O 1º de Maio é para se sair à rua, com muita, muita gente e gritar e exigir e defender os direitos que são nossos. Em Portugal é afirmar Abril, com o ideal que o liderou, como em Maio de 1974.

Eu, pelo 3º ano consecutivo, não irei a nenhuma manifestação, não gritarei nem exigirei. Vivo numa terra onde os caciques mandam, onde as estruturas sindicais estão minadas pelo patronato, onde as pessoas trabalham muitas vezes de sol a sol, onde os indígenas são tratados abaixo de cão e onde a propaganda consegue mesmo difundir o individualismo. Onde o exército patrulha as ruas e ninguém acha estranho, onde crianças de 3 ou 4 anos vendem cigarros, pastilhas elásticas e rosas, às 3 da manhã, em bares onde se consome cocaína.
Hoje o mercado tem os postos todos abertos e muita gente como todos os sábados, os supermercados estão abertos, os mini-mercados também, todas as lojas, restaurantes, cafés, tudo.

Chiapas pode ser muito neo-zapatista, mas está muito longe de ter 1º de Maio...