23.5.10
14.5.10
Mas que merda é esta?!
Nos últimos dias andei com a mente ocupada (não distraída), não com o Benfica, nem com a nazi, perdão, papal visita, mas sim com a minha tese e respectiva entrega preliminar. Isto fez com que hoje tivesse as notícias a chegarem-me em catadupa gerando a reacção que serve de título a este post.
A 1ª foi de que a Comissão Europeia quer aprovar orçamentos nacionais antes dos parlamentos.
Não em ofende que tenha sido um português a dizê-lo. Já me habituei a que indivíduos da laia de Durão Barroso sempre serviram e sevirão interesses que nada têm a ver com o país em que nasceram.
Como se não bastasse o ataque explícito à soberania nacional ainda soube que PPD-PSD y PS estão de acordo na subida do IVA num ponto: para 21%, para 6% nos bens essenciais e 13% na restauração e na implementação de uma taxa suplementar no IRC de 2,5% sobre os lucros para as grandes empresas e a banca.
Claro! A comida pode ter 6% de IVA, mas os lucros da grandes empresas (coitadinhas) e da banca (mais coitadinha ainda) tributam-se a 2,5%...
Só porque acho que de palavrões bastou o título é que não escrevo o que me veio à cabeça! Mas uma coisa posso dizer (ou re-dizer e sem perigo de difamação) PS e PPD-PSD são um bando de canalhas mentirosos!
Na função pública, se a situação já era má a novidade é ainda pior! Se já estávamos num processo de diminuir o nº de funcionário público para metade agora da função pública só se sai. As admissões estão congeladas e o congelamento durará "enquanto for necessário", excepto quando o sr. ministro Teixeira dos Santos achar que há fundamento.
Argh! Devia saber que preciso de receber estas notícias devagarinho, para não me irritar ao ponto de poder arranjar um aneurisma...
Agora a parte mais importante: como começar a solucionar isto? A resposta óbvia é votar melhor nas próximas eleições, mas, numa perspectiva mais imediata, é esta:
8.5.10
O Estado e a Educação
"O Estado deve apoiar as famílias que têm filhos no ensino particular e cooperativo, defende João Alvarenga reeleito presidente da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (Aeep) e que hoje tomou posse para mais três anos à frente do organismo."
Então quando li o resto da notícia...
Não é que este senhor acha que o Estado deve apoiar as famílias que têm filhos em colégios privados porque lhe ficará “muito mais barato do que se essas crianças mudarem para a escola pública”. Isto porque estando a criança no sistema público o Estado tem mesmo que gastar o dinheiro dos impostos na educação integral dela.
Diz mesmo: “Quantos mais alunos o Ministério da Educação tiver no privado menos gasta em educação”.
E não duvido que haja muita gente a ir nesta conversa. Esta história do défice tem convencido muita gentinha por esse país fora.
Mas o que diz a nossa Constituição sobre o ensino público, particular e cooperativo é:
Artigo 75.º
Ensino público, particular e cooperativo
1. O Estado criará uma rede de estabelecimentos públicos de ensino que cubra as necessidades de toda a população.
2. O Estado reconhece e fiscaliza o ensino particular e cooperativo, nos termos da lei.
Daqui retiramos que o Estado assegura que o ensino público é capaz de absorver toda a população escolar. É da Lei fundamental, da Constituição. A educação não é uma área para o Estado poupar uns tostões e também não é uma área para o (des)governo dar dinheiro aos amigalhaços.
O ensino é uma área que o Estado financia com o dinheiro dos contribuintes e que serve para a formação da população, o desenvolvimento das capacidades e a formação de cidadãos capazes e úteis à sociedade em qualquer das diversas vertentes que possam escolher.
Onde o estado tem que poupar tostões (ou milhões) é nos negócios mais escuros que as profundezas em que andam aqueles malfadados submarinos.
Onde o Estado tem que assegurar a geração de benefícios é mantendo o carácter público de sectores chave da economia, empresas estatais que geram dividendos e criam postos de trabalho. É investindo nessas empresas em vez de as vender ao melhor postor (ou ao melhor financiador eleitoral).
É tributando as transacções especulativas, improdutivas e tantas vezes trapaceiras da banca.
E há tantas outras possibilidades!
Agora poupar uns tostões dando ao ensino privado o que devia investir no público? Não, senhor João Alvarenga! Assim não!
No 65º aniversário do fim do Nazi-fascismo
É preciso porque há muitas atrocidades que, sem que sejam documentadas como as nazis, acontecem por todo o mundo e não podem ficar impunes.
A propósito, recomendo o comunicado de Federação Mundial da Juventude Democrática.
Tambén deixo aos visitantes o brilhantismo e o enorme e profundo humanismo do Chaplin que em 1940 soube fazer um dos mais bonitos, necessários e justos discursos políticos que já ouvi.
Disfrutem, lembrem e lutem!
Que nunca mais!
6.5.10
Recomendo vivamente
Excelente blog este Anónimo do séc XXI...
1.5.10
1º de Maio - 120 anos

Na luta pelas 8 horas de trabalho diário diversas organizações de trabalhadores dos EUA convocam uma greve de enormes proporções para o 1º de Maio de 1886.
Em Chicago dezenas de milhar de trabalhadores em greve reúnem-se em manifestação, a repressão policial faz-se sentir de maneira violenta em muitas empresas.
A 4 de Maio, num comício de solidariedade com os trabalhadores de uma empresa onde a repressão chegara a provocar mortos e feridos graves foi lançada uma bomba para o meio do público. A pretexto da bomba muitos quadros sindicais são presos e condenados a trabalhos forçados. Oito deles foram condenados à morte e enforcados.
No congresso fundador da II Internacional (Paris, 14 de Julho de 1889) os "mártires de Chicago" são homenageados e a data 1º de Maio proclamada como jornada de luta por direitos laborais a nível mundial.
Nos 120 anos do 1º de Maio continua a fazer falta sair à rua e defender e exigir direitos laborais. Tristemente. no nosso país até faz de novo sentido lutar-se pelas 8 horas de trabalho diário, direito que a flexibilidade horária e o trabalho por turnos querem distorcer ou mesmo ignorar.
O 1º de Maio é para se sair à rua, com muita, muita gente e gritar e exigir e defender os direitos que são nossos. Em Portugal é afirmar Abril, com o ideal que o liderou, como em Maio de 1974.
Eu, pelo 3º ano consecutivo, não irei a nenhuma manifestação, não gritarei nem exigirei. Vivo numa terra onde os caciques mandam, onde as estruturas sindicais estão minadas pelo patronato, onde as pessoas trabalham muitas vezes de sol a sol, onde os indígenas são tratados abaixo de cão e onde a propaganda consegue mesmo difundir o individualismo. Onde o exército patrulha as ruas e ninguém acha estranho, onde crianças de 3 ou 4 anos vendem cigarros, pastilhas elásticas e rosas, às 3 da manhã, em bares onde se consome cocaína.
Hoje o mercado tem os postos todos abertos e muita gente como todos os sábados, os supermercados estão abertos, os mini-mercados também, todas as lojas, restaurantes, cafés, tudo.
Chiapas pode ser muito neo-zapatista, mas está muito longe de ter 1º de Maio...
26.4.10
A Passos Coelho
"Cravo Vermelho ao peito
A muitos fica bem..."
Obrigadinha ao J. Barata Moura
Hoje também ofereci um cravo

Pois é! Outro 25 de Abril no México.
Há 3 anos preenchi a minha ficha de inscrição no Ateneu de Coimbra, na noite de 24 para 25 de Abril.
Este ano telefonei para poder semi-estar lá por um bocadinho, mas a coisa estava atrasada e à meia-noite ainda não ardia boneco nem se cantava a Grândola. Então ligaram-me de lá, já se ouvia a Grândola e depois os gritos.
"25 de Abril mais, fascismo nunca sempre!"
ups! ao contrário
"25 d Abril sempre, fascismo nunca mais!"
Ia na rua, abrandei o passo, comovi-me, agradeci levar os óculos escuros postos e pronto, dali a nada tinha-se acabado o meu bocadinho de Portugal e de Ateneu de Coimbra no 25 de Abril.
Voltei às minhas mudanças, isto de estar quase a ir embora tem os seus quês e mudar de uma casa para um quarto dá mais trabalho do que parece.
Hoje também andei de volta dessas lides, mas já ofereci um cravo.
Fui comprá-lo ao mercado com a companhia do obsequiado.
-A como los claveles?
-20 pesos la docena!
-Oralé!... (escolher cravos) ... Se cobra, por favor?
-Aqui tiene, mamita!
Uns rissóis e umas mudanças mais tarde o post.
E agora, se me dão licença, vou oferecer mais uns cravos.
Viva o 25 de Abril!
22.4.10
A noite de 24 de Abril em Coimbra
é com o Ateneu!

Como sempre, assegurando que em Coimbra se comemora o 25 de Abril no seu aniversário e se afirma o ideal da Revolução no dia a dia.
O Ateneu de Coimbra assegura, há muito tempo, que quem afirma Abril o pode comemorar em Coimbra todos os anos. Muitas vezes (devido à natureza política dos executivos da CMCoimbra) organizou a única comemoração do aniversário da Revolução da cidade. Mas essa comemoração nunca chocou com outras programadas, pelo contrário, sempre se conjugou com outras existentes. Desta feita a festa é em coordenação com o SPRC.
É no centro cultural D.Dinis porque a casa velhinha do Ateneu se foi fazendo pequena para o número crescente de participantes na festa.
No 25 de Abril, como todos os dias no Ateneu, são bem-vindos todos os que vierem por bem!
21.4.10
Da falência nacional
A Justiça demora mas chega
O último ditador argentino, o general Reynaldo Bignone (82 anos), foi condenado a 25 anos de prisão por violação dos direitos humanos.
Este é um gostinho que já ninguém tira aos argentinos. Ao contrário do que acontece no Chile, os responsáveis estão a sentar-se no banco dos réus e não morrerão impunes.
Este senhor foi, além de Presidente entre 1982 e 1983, vice-chefe da base militar Campo de Mayo, o maior centro de tortura da Argentina, entre 1978 e 1979.Foi nessa altura que teve responsabilidade directa em 56 homicídios e no rapto de 500 bebés, cujas mães foram obrigadas a dar à luz em centros de detenção clandestinos.
Claro que quem diz centros de detenção diz de tortura, violação, assassinato e qualquer das combinações possiveis. E clandestinos, para ninguém saber do que lá se fazia ou a quem se fazia ou onde estavam aqueles a quem se fazia e desfazia (sobretudo desfazia). Para aumentar o drama dos desaparecidos, o sofrimento e o desespero das famílias. Na América Latina fez escola essa forma de tortura colectiva de todo o povo de um país.
Estima-se que no Campo de Mayo terá havido 30 mil mortos e desaparecidos.
Bignone diz que não, que só se provaram 8 mil desaparecidos e 30 crianças raptadas. Eu acredito mais na estimativa que em Bignone, mas mesmo que tenha razão, merece menos ser preso, merece menos o meu ódio e o meu asco por 8 mil desaparecidos que por 30 mil? Por 30 crianças de raptadas que por 500? Acho que não.
Demonstrando-se ainda mais revoltante, este ser ignóbil chega a dizer, como isto o desculpasse de alguma forma, que as vítimas “não eram nem tão jovens nem tão idealistas”. Será possível ser-se mais baixo?
Mas na história e nas declarações deste senhor há paralelos curiosos e tão feios que são quase obscenos. Bignone "justifica-se" dizendo que as Forças Armadas argentinas "tiveram que intervir para derrotar o terrorismo". É só a mim que isto soa familiar?
Também me soam familiares e recentes histórias de centros de detenção cladestinos e são especialidade dos mesmos que aplicam o discurso do terrorismo. Curiosamente também são os mesmos que treinaram as forças especiais de todas as ditaduras da América Latina.
Sim, O Estados Unidos da América, com mais ou menos melanina.
Um ano de Eira
Afinal acabei por ter desabafos, insurgências, irritações, aplausos, deslumbramentos e, às vezes, simplesmente lembranças mais amiúde do que pensava.
Sem dúvida tenho mais leitores/comentadores e mais assíduos do que alguma vez pensei ter.
Como faz hoje um ano que "nasceu" esta Eira de Milho e em jeito de agradecimento pela companhia blogger, ponho cá a Desfolhada, como a cantou a Simone no Festival da Eurovisão em 1969.
Letra de José Carlos Ary dos Santos.
Música de Nuno Nazareth Fernandes com orquestração do maestro Joaquim Luís Gomes.
Direcção de orquestra por Ferrer Trindade.
20.4.10
The Grapes of Wrath
"The western land, nervous under the beginning change. The Western States, nervous as horses before a thunder storm. The great owners, nervous, sensing a change, knowing nothing of the nature of the change. The great owners, striking at the immediate thing, the widening government, the growing labor unity; striking at new taxes, at plans; not knowing these things are results, not causes. Results, not causes; results, not causes. The causes lie deep and simply the causes are a hunger in a stomach, multiplied a million times; a hunger in a single soul, hunger for joy and some security, multiplied a million times; muscles and mind aching to grow, to work, to create, multiplied a million times. The last clear definite function of man muscles aching to work, minds aching to create beyond the single need this is man. To build a wall, to build a house, a dam, and in the wall and house and dam to put something of Manself, and to Manself take back something of the wall, the house, the dam; to take hard muscles from the lifting, to take the clear lines and form from conceiving. For man, unlike any other thing organic or inorganic in the universe, grows beyond his work, walks up the stairs of his concepts, emerges ahead of his accomplishments. This you may say of man when theories change and crash, when schools, philosophies, when narrow dark alleys of thought, national, religious, economic, grow and disintegrate, man reaches, stumbles forward, painfully, mistakenly sometimes. Having stepped forward, he may slip back, but only half a step, never the full step back. This you may say and know it and know it. This you may know when the bombs plummet out of the black planes on the market place, when prisoners are stuck like pigs, when the crushed bodies drain filthily in the dust. You may know it in this way. If the step were not being taken, if the stumbling-forward ache were not alive, the bombs would not fall, the throats would not be cut. Fear the time when the bombs stop falling while the bombers live for every bomb is proof that the spirit has not died. And fear the time when the strikes stop while the great owners live for every little beaten strike is proof that the step is being taken. And this you can know fear the time when Manself will not suffer and die for a concept, for this one quality is the foundation of Manself, and this one quality is man, distinctive in the universe.
The Western States nervous under the beginning change.
One man, one family driven from the land; this rusty car creaking along the highway to the west. I lost my land, a single tractor took my land. I am alone and I am bewildered. And in the night one family camps in a ditch and another family pulls in and the tents come out. The two men squat on their hams and the women and children listen. Here is the node, you who hate change and fear revolution. Keep these two squatting men apart; make them hate, fear, suspect each other. Here is the anlage of the thing you fear. This is the zygote. For here "I lost my land" is changed; a cell is split and from its splitting grows the thing you hate "We lost our land." The danger is here, for two men are not as lonely and perplexed as one. And from this first u we" there grows a still more dangerous thing: "I have a little food" plus "I have none." If from this problem the sum is "We have a little food," the thing is on its way, the movement has direction. Only a little multiplication now, and this land, this tractor are ours. The two men squatting in a ditch, the little fire, the sidemeat stewing in a single pot, the silent, stone-eyed women; behind, the children listening with their souls to words their minds do not understand. The night draws down. The baby has a cold. Here, take this blanket. It's wool. It was my mother's blanket take it for the baby. This is the thing to bomb. This is the beginning from "I" to "we."
If you who own the things people must have could understand this, you might preserve yourself. If you could separate causes from results, if you could know that Paine, Marx, Jefferson, Lenin, were results, not causes, you might survive. But that you cannot know. For the quality of owning freezes you forever into "I," and cuts you off forever from the "we."
The Western States are nervous under the beginning change. Need is the stimulus to concept, concept to action. A half-million people moving over the country; a million more restive, ready to move; ten million more feeling the first nervousness.
And tractors turning the multiple furrows in the vacant land."
16.4.10
Sociedades secretas...

Não desfazendo do Salvador Allende, figura por quem nutro um profundo respeito e grande carinho, nem dos nossos regicidas de 1908, tenho que admitir que a reunião internacional da Maçonaria en Lisboa me dá um certo receio...
Não consigo perceber a existência de sociedades secretas bem intencionadas num ambiente de liberdade de associação. Não me agrada mesmo nada... (Por muito que tenha gostado, em miúda, de ler o Clube das Chaves).
Boa notícia
A justiça argentina ordenou a prisão de mais cinco suspeitos de crimes contra a humanidade durante a ditadura militar de 1976 a 1983.
As atrocidades cometidas pelas ditaduras militares na América Latina, assim como na Europa ou qualquer outro sítio do globo, não são algo que se apague ou "esqueça" por decreto. Os povos têm o direito e o dever de ter memória e não há vantagem económica que possa mudar isso.
14.4.10
No 14 de Abril
e com os olhos postos na III.
Joaquín Sabina
13.4.10
Soy un caso perdido
De vez em quando leio mais um ou dois poemas, como quem come mais um bombom da caixa qeu abriu para ir disfrutando. Hoje comi um bombom particularmente delicioso. Delicioso e ideologicamente justo como era hábito de Benedetti. Tanto que o partilho aqui:
Soy un caso perdido
Por fin un crítico sagaz reveló
(ya sabía yo que iban a descubrirlo)
que en mis cuentos soy parcial
y tangencialmente me exhorta
a que asuma la neutralidad
como cualquier intelectual que se respete
creo que tiene razón
soy parcial
de esto no cabe duda
más aún yo diría que un parcial irrescatable
caso perdido en fin
ya que por más esfuerzos que haga
nunca podré llegar a ser neutral
en varios países de este continente
especialistas destacados
han hecho lo posible y lo imposible
por curarme de la parcialidad
por ejemplo en la biblioteca nacional de mi país
ordenaron el expurgo parcial
de mis libros parciales
en argentina me dieron cuartenta y ocho horas
(y si no me mataban) para que me fuera
con mi parcialidad a cuestas
por último en perú incomunicaron mi parcialidad
y a mi me deportaron
de haber sido neutral
no habria necesitado
esas terapias intensivas
pero qué voy a hacerle
soy parcial
incurablemente parcial
y aunque pueda sonar un poco extraño
totalmente
parcial
ya sé
eso significa que no podré aspirar
a tantísimos honores y reputaciones
y preces y dignidades
que el mundo reserva para los intelectuales
que se respeten
es decir para los neutrales
con un agravante
como cada vez hay menos neutrales
las distinciones se reparten
entre poquísimos
después de todo y a partir
de mis confesadas limitaciones
debo reconocer que a esos pocos neutrales
les tengo cierta admiración
o mejor les reservo cierto asombro
ya que en realidad se precisa un temple de acero
para mantenerse neutral ante episodios como
girón
tlatelolco
trelew
pando
la moneda
es claro que uno
y quizá sea esto lo que quería decirme el crítico
podría ser parcial en la vida privada
y neutral en las bellas letras
digamos indignarse contra pinochet
durante el insomnio
y escribir cuentos diurnos
sobre la atlántida
no es mala idea
y claro
tiene la ventaja
de que por un lado
uno tiene conflictos de conciencia
y eso siempre representa
un buen nutrimeto para el arte
y por otro no deja flancos para que lo vapulee
la prensa burguesa y/o neutral
no es mala idea
pero
ya me veo descubriendo o imaginando
en el continente sumergido
la existencia de oprimidos y opresores
parciales y neutrales
torturados y verdugos
o sea la misma pelotera
cuba sí yanquis no
de los continentes no sumergidos
de manera que
como parece que no tengo remedio
y estoy definitivamente perdido
para la fructuosa neutralidad
lo más probable es que siga escribiendo
cuentos no neutrales
y poemas y ensayos y canciones y novelas
no neutrales
pero advierto que será así
aunque no traten de torturas y cárceles
u otros tópicos que al parecer
resultan insoportables a los neutros
será así aunque traten de mariposas y nubes
y duendes y pescaditos
- in Cotidianas 1979
12.4.10
Os candidatos e a Constituição
Escusado seria dizer que acho que Passos Coelho daria um péssimo primeiro ministro, assim como o PPD-PSD sempre deu origem a péssimos governos. Mas esta expressão de Pinto Balsemão...
Esta expressão irrita-me particularmente. Por ser errónea, mentirosa, deliberadamente enganadora. Em Portugal ninguém é candidato a primeiro ministro como se pode observar no artigo , do capítulo II do título IV da Constituição da República Portugesa:
Artigo 187.º
Formação
1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.
A cada eleição legislativa são incontáveis os portugueses que acham que estão a votar num candidato a 1º ministro, que não conhecem as listas de candidatos do seu círculo eleitoral, que não sabem em quem estão a votar, precisamente por causa de afirmações como esta de Pinto Balsemão.
No entanto, cabe fazer a ressalva de que, talvez, Passos Coelho queira, de facto ser candidato a 1º ministro. Assim ficava explicada a sua sanha de mudar a Constituição.
O Presidente da República mente!
"Todos lhe reconhecem a inteireza de carácter, o seu imenso amor à pátria, o seu arreigado sentido do dever, o espírito de leal camaradagem e o empenho que sempre colocou na defesa dos seus homens".
Ora eu não lhe reconheço nenhuma inteireza de carácter, aliás, a única coisa que lhe reconheço a nível de carácter é a enorme falta que nos fez ele ter um bocadinho disso.
Tampouco reconheço em Spínola um grande (pequeno também não) patriota, nenhum fascista é patriota segundo a minha definição de patriotismo.
Sentido de dever e espírito de leal camaradagem só se for para com o ditador Francisco Franco para quem recrutou homens durante a guerra civil espanhola.
Empenho na defesa dos seus homens, como bom oportunista, enquanto estes o servissem bem.
Agora numa coisa Cavaco Silva tem razão:
"Portugal concedeu-lhe as mais altas distinções, mas não estou certo de que tenhamos sempre estado à altura do exemplo de vida que nos legou".
Se tivessemos aprendido alguma coisa com ter tido na nossa História um escroque como o Spínola teríamos julgado e encarcerado semelhante criminoso em vez de o condecorar e de lhe fazermos avenidas...
Este "post" vai longo, mas ficará ainda maior.
Segundo Cavaco Silva, Spínola, "lutou por um Portugal verdadeiramente democrático e pela construção de um Estado de Direito assente no respeito pela dignidade da pessoa humana".
Eu sei que não devia chocar-me com isto, afinal é o Cavaco Silva e todos sabemos o que a casa gasta, mas...
Como é que alguém em seu perfeito juízo é capaz de fazer esta afirmação sobre um homem que queria manter as colónias?
Sobre um homem que orquestrou os golpes contra-revolucionários, que era um rato oportunista que aproveitou a sua alta patente militar para se infiltrar e minar a aplicação do programa do MFA e a aliança Povo-MFA.
Sobre um homem cuja acção a partir do 25 de Abril sempre foi no sentido de impedir ou destruir as suas conquistas.
Mas a localização da nova avenida tem lógica: o prolongamento da Avenida dos Estados Unidos da América. Nessa linha de pensamento a nova avenida também podia levar o nome do Doutor Mário Soares (seria igualmente nojento e lógico).
Ainda bem que terá uma estátua. Já tenho onde vomitar a próxima vez que for a Lisboa...
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções."
-As portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos
6.4.10
Para ver
no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
É uma exposição composta de exemplares de jornais comunistas manuscritos nas prisões do Aljube, Penitenciária de Lisboa, Peniche, Angra do Heroísmo e Tarrafal.
É, como referiu Jerónimo de Sousa "um acontecimento cultural relevante e uma inegável contribuição para um melhor e maior conhecimento dessa negra e trágica realidade que foi a ditadura fascista em Portugal, realidade cada vez mais branqueada e mesmo remetida ao esquecimento" (notícia na página do PCP aqui) .
Anúncio sobre a exposição na página do Ministério da Cultura e com ligação para o arquivo aqui.
Breve mostra de exemplares comentados no Público aqui.
Estes exemplares mostram um cuidado com a transparência, com o observar de regras, com a necessidade de formação política e ideológica e com a actualização sobre a situação política exterior incrível. Mas não só. São também espelho de preocupação estética, de perfeccionismo e excelência gráfica admiráveis (sobretudo tendo em conta que eram manuscritos e clandestinos).
29.3.10
16.3.10
Estamos fartinhos de saber
O doutor Freitas do Amaral é má pessoa!
O doutor Freitas do Amaral diz que só através de uma lei de revisão constitucional é que o diploma que permitirá o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo não poderá ser considerado inconstitucional.
Ora, a palavra "casamento" aparece 4 vezes no texto da Constituição da República Portuguesa (as vantagens da opção "Find" nos browsers) e trascrevo o texto dos 3 primeiros pontos do artigo 36º - Família, casamento e filiação de dito documento:
"1. Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade.
2. A lei regula os requisitos e os efeitos do casamento e da sua dissolução, por morte ou divórcio, independentemente da forma de celebração.
3. Os cônjuges têm iguais direitos e deveres quanto à capacidade civil e política e à manutenção e educação dos filhos."
Com este texto eu teria a dúvida se se a lei do casamento ainda em vigor seria constitucional, já que viola o 1º ponto além do princípio da igualdade consagrado nos direitos e deveres fundamentais no mesmo texto.
O doutor Freitas do Amaral conhece o texto da Constituição, aliás conhece-o muito melhor que eu. E não é burro nenhum.
Portanto se não é por ignorância nem por burrice que nos mente, é seguramente por ser má pessoa.
Mas isso não é novidade para ninguém...
15.3.10
Da simpatia das mesas
Sobre a simpatia do móvel, tenho que admitir que gosto bastante de mesas.Gosto de mesas redondas, rectangulares (incluindo as quadrangulares) e irregulares até, com curvas e formas fluídas que se vêem em exposições de que percebo pouco ou nada, mas a que acho piada ainda assim.
Gosto das mesas baixinhas de café (tão prácticas para descansar os pés), das altas tipo balcão, das de jantar, das imponentes e grandalhonas que albergam muitos comensais.
Gosto das mesas apoiadas em cavaletes, mais ou menos periclitantes, que se costumam montar em exteriores com grandes toalhas que tapem as suas pernas magras e feias, mas que os miúdos pequenos acabam sempre por descobrir (e às vezes derrubar).
Gosto das mesas de pernas entalhadas das salas de jantar "da avó", para grandes reuniões familiares e que resistem estoicamente aos muitos anos de uso e aos poucos anos de idade daqueles que se lhes penduram, esticando o braço, para chegar à filhós que está lá tão longe no meio da mesa.
Gosto das mesas pequenas ao lado dos sofás, com um candeeiro para ajuda à leitura em horas de pouca luz, ou apenas sendo sítio para poisar o copo ou a chávena.
Gosto das mesas ajustáveis, a que se acrescentam tábuas quando afinal vem mais alguém para comer (tábuas dessas que se guardam no roupeiro do filho mais novo).
Gosto de mesas de pique-nique quando não chove, mesmo que a mesa seja só uma toalha no chão e o assento a erva fresquinha que nos pica as pernas.
Gosto de mesas de esplanada nas tardes de sol, para o café depois do almoço (com o copo de água da praxe) ou para o fino e o pires de tremoços da noitinha.
Gosto da mesa do bar da praia com o cheiro da maresia a misturar-se com o cheiro da molhanga dos caracóis acabados de chegar.
Gosto da mesa do café fumarento em dia de jogo de futebol, mesmo que fique com o cabelo a cheirar impossivelmente a tabaco.
Gosto das mesas de bilhar ainda que jogue mesmo muito mal.
Gosto das mesas coxas das cantinas da UC e das companhias que aí tive para comer e estudar (e do pudim molotov dos grelhados).
Gosto das mesas de cantoria qualquer que seja a forma que elas tenham. Mas admito que guardo um carinho especial para as mesas de jantar (as mesmas que do almoço, mas diferentes ainda assim) do restaurante de apoio da Festa do Avante onde era tão difícil jantar por "ter" que cantar.
Gosto das mesas de cimento do Jardim da Sereia onde os velhotes vão jogar às cartas e às damas, gosto das antigas mesas fixas dos jardins da AAC da minha adolescência.
Gosto das mesas da sala de estudo da AAC (as antigas, sem separações antisociais) e do ambiente de estudiosa solidariedade que me impedia de me distrair.
Gosto do estirador da sala que sempre teve espaço para os livros, os apontamentos das aulas, as cópias dos powerpoints e as folhas onde fazia as compilações de tudo isso. Gosto dessa sua versatilidade que faz com que seja também tão boa mesa de corte.
Gosto das mesas de trabalho e discussão quando a concórdia e a discórdia só dependem de visões diferentes e não de egoísmos nem interesses pessoais. Por isso gosto das mesas das salas de reuniões da Rua da Sofia.
Gosto da mesa do GEFAC com os pés a sairem continuamente.
Gosto das mesas onde fico à conversa depois de jantar (excepto essa que os meus pais tiveram que insistia em espetar-se-me nos joelhos).
Gosto da mesa aqui de casa que é de estudo, de trabalho, de costura, de trabalhos manuais e que, ao fim de semana se vinga das refeições solitárias com as reuniões de amigos para o almoço.
Gosto de mesinhas de cabeceira que mais que um despertador tenham um livro que seja tentação suficiente para resistir ao sono e ao cansaço, só para ler mais umas páginas cada noite.
Acima de tudo, gosto de mesas de convívio (com amigos antigos e recentes, novinhos em folha), de brincadeiras, risos, histórias e canções. E gosto mesmo muito de nunca ter ficado com fome à mesa.
14.3.10
Questionamento mediático
O tempo que invisto nas decisões, na preparação e no consumo é mais ou menos o mesmo que implica preparar um congresso do PPD-PSD e esse é acompanhado, registado e relatado até ao mais ínfimo detalhe...
Dirá o leitor "O teu almoço não tem as mesmas implicações na vida política nacional".
Mas eu digo "Se somos o que comemos, quem assegura que o que eu coma ou deixe de comer ao almoço não me leve a ser primeira ministra um dia destes?"
Sim, é verdade, não tinha nada melhor para dizer hoje e não me apeteceu ler as notícias sobre a guerra de poder dentro do PPD-PSD.
11.3.10
Sobre o 11 de Março
"dia histórico em que o capitalismo se afundou com a nacionalização da banca privada"
"a derrota da reacção no 11 de Março, o comprometimento do grande capital na conspiração, o súbito avanço das forças revolucionárias, a luta enérgica dos trabalhadores, a acção dos militares do MFA, a aliança Povo-MFA, que permitiram dar início às nacionalizações que, num curto espaço de tempo, abrangeram os sectores básicos da economia nacional"
in A Revolução Portuguesa – O Passado e o Futuro
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos."
...
"Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha."
...
"E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal."
...
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer."
8.3.10
O Dia Internacional da Mulher

Há cem anos, em Copenhaga, instaurou-se o Dia Internacional da Mulher.
Não só num reconhecimento das injustiças de género, muito mais fortes e menos badaladas então do que agora, mas também em luta contra essas injustiças.
Mas não só essas. O Dia Internacional da Mulher assinala também a luta contra as injustiças de classe. Estas existem para toda a classe trabalhadora, só a intensidade muda com a mudança de género.
O 8 de Março, reconhecido como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas desde 1975, é mais uma jornada de luta contra o capitalismo. Portanto é uma jornada de luta de todos, independentemente do género.
Porque é o capitalismo que faz e incentiva a discriminação de género.
É o capitalismo que tenta fazer crer às mulheres que os homens são os seus inimigos.
É o capitalismo que procura gerar estas cisões dentro da classe trabalhadora.
Mas é também o capitalismo que explora tanto mulheres como homens.
O 8 de Março é um dia de luta pela igualdade, portanto, é um dia de luta contra o capitalismo.
6.3.10
89 anos de Partido Comunista Português
Pareceu-me que ninguém o descreve melhor que o Ary!
Estatutos do PCP aqui.
Resolução política do XVIII Congresso do PCP aqui.
2.3.10
Os medicamentos, os médicos e a Constituição
No Público online vem noticiado um estudo sobre o consumo de genéricos, realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).Revela alguns dados interessantes, uns mais alentadores que outros.
No lado positivo está que a maioria das pessoas inquiridas sabe o que são genéricos, já foi medicada com genéricos e fê-lo por iniciativa do médico.
No lado negativo temos que 8,4% dos inquiridos dizem terem deixado de comprar os medicamentos que lhes são receitados por falta de dinheiro (note-se que sem especificar se são genéricos ou de marca).
Não sei se positivo ou negativo, mas a poupança na compra de genéricos em vez de medicamentos de marca anda entre 20 e 35%.
Curiosamente, nessa arte de desviar as atenções do importante para o assessório em que o jornalismo se tornou mestre, as culpas são estrategicamente atiradas para cima dos médicos que "não perguntam aos doentes se têm dinheiro para comprar medicamentos" como diz o título da notícia.
Não pretendo ser mais esclarecida que os esclarecidíssimos jornalistas do Público, mas pretendendo ser profundamente mais honesta que (pelo menos) o seu patrão.
É por isso que sinto a necessidade de explicitar aqui que esse esquerdo humano que é a saúde é também um direito constitucional (Artigo 64º).
A constituição da República Portuguesa assegura-nos a todos
Entre outras coisas diz-nos que se realiza esse direito
Que
Tendo isto em mente pergunto eu:
Ou deveria ser o Estado a assegurar esse tratamento por exemplo através da distribuição gratuita dos medicamentos prescritos nas farmácias dos Hospitais e Centros de Saúde?
28.2.10
Nada que não soubéssemos já mas,
23.2.10
Zeca Afonso
Demorei a decidir qual pôr. O critério de ser uma canção bonita deixava muitas à escolha. Ser uma que eu gostasse também. Obedecendo a esses dois escolhi esta porque foi a primeira canção dele que ouvi e não me lembro de não a conhecer.
22.2.10
E ainda a NATO

-General Stanley McChrystal
Este é o papel da NATO, é a sua linha de acção, sempre, desde que foi formada. É matar, é destruir, é infundir o medo. É ter os povos suficientemente amedrontados, assustados ou simplesmente mortos para os poder saquear das suas riquezas sem que se revoltem ou apesar da sua revolta.
É destruir para oferecer aos amigos, em bandeja de prata, negociatas multi-milionárias com a reconstrução dos países que um dia "albergaram terroristas".
Os terroristas são como toupeiras, andam em túneis debaixo da terra e é preciso bombardear e contaminar para os destruir. Escondem-se nas casas e nos carros dos civis que, automaticamente se tornam centros de operações e transportes rebeldes, terroristas. E o terrorismo é uma epidemia que tem que ser erradicada e que não poupa ninguém. Contagia até as criancinhas que, por isso, também devem ser eliminadas.
É assim no Kosovo, no Iraque, na Colômbia... É assim ainda e mais uma vez no Afeganistão onde a NATO assassinou de novo, matando a pelo menos 33 pessoas, entre elas 4 mulheres e uma criança.
É a demonstração absoluta de que a existência da NATO é incompatível com a Paz. Porque a Paz não se consegue quando são assassinos os que ditam as regras do jogo.
Mas um dia o jogo vira...
16.2.10
Da educação dos pais ao salário dos filhos
"Nos países do Sul da Europa, o facto de um pai ter frequentado o ensino superior aumenta o nível salarial do seu filho em, pelo menos, 20 por cento, por comparação com um filho cujo pai apenas obteve estudos secundários."
Neste parágrafo pode perceber-se que este estudo compara os níveis salariais de uma geração consoante os níveis de escolaridade da geração anterior. Nesta forma de apresentar as coisas até parece que a responsabilidade do nível salarial dos filhos é do nível educativo dos pais. O que é realmente curioso é como se pode fazer esta comparação sem explicar os passos todos do caminho que vai dos estudos do pai até ao salário do filho.
Em meu entender faltam aqui três etapas muito importantes:
1- A influência directa do nível de escolaridade dos pais nos salários dos pais;
2- A influência do nível salarial dos pais no nível de escolaridade dos filhos;
3- A influência do nível de escolaridade dos filhos nos seus próprios níveis salariais.
Com o acrescento destas 3 etapas ao raciocínio já se pode perceber que não é bem a tacanhice de uns pais iletrados que leva os filhos a auferirem menores salários. Pode-se mesmo concluir que se o Estado promovesse a igualdade de oportunidades no acesso à educação através da escola pública (com a gratuitidade de ensino e a atribuição de bolsas) e da justiça social (com o direito ao trabalho, a salários justos e à vida digna) o quadro seria muito diferente.
Mas é perigoso esse raciocínio (ou mesmo o raciocínio em geral) ainda começávamos praí a exigir o cumprimento dos direitos contitucionais!Era o que mais faltava!
27.1.10
O pai da nossa democracia

Quando estava no 12º ano, não me lembro a propósito de quê, a minha professora de Biologia referiu-se a Mário Soares como o pai da nossa democracia, numa aula.
Inicialmente estranhei, mais estranhei quando reparei que ela olhava para mim enquanto o dizia. E estranhei porque tinha a professora em boa conta política e não lhe conhecia o hábito de usar a ironia em aula. Depois percebi que, de facto, era uma ironia muito dirigida, já que a minha turma era composta quase exclusivamente por analfabetos políticos (sim, desses do Brecht).
Acho que ela tem razão, Mário Soares é um dos grandes responsáveis pela desgraça da nossa democracia e pela traição das promessas e das conquistas de Abril.
É precisamente por isso que não acho nada estranho que tenham escolhido para perspectiva da nova série da RTP sobre a república portuguesa "o olhar privilegido de Mário Soares". Nem que façam dele "a personagem principal" deste... "documentário".
Está até muito bem...
22.1.10
O FMI
"A economia portuguesa cresce apenas 0,5% este ano, após uma contracção de 2,7% em 2009; o desemprego vai chegar aos 11% da população activa, afectando 600 mil portugueses no final do ano e o défice público vai continuar a agravar-se. Para equilibrar as contas do Estado, a opção terá de passar por um aumento da taxa do IVA, "ajustamentos" nos salários públicos, com ganhos nulos até 2014, e acertos futuros nas pensões, avisa o Fundo Monetário Internacional (FMI). "
O FMI acha que a consolidação orçamental passa pela "redução da massa salarial do sector público" e das "transferências sociais" e pede a revisão do "sistema dos subsídios de desemprego".
Aconselha o "alargamento da base da tributação" e o aumento do IVA e pede que sejam "reconsiderados" os "grandes aumentos previstos para o salário mínimo".
Eu devo ser uma pessoa estranha ou não perceber mesmo nada deste tema, mas, para mim, aqui há uma grande contradição.
Eu tinha para mim que se 11% da população, 600 mil pessoas, estarão desempregadas no fim do ano, seria pelo menos humano não reduzir os subsídios de desemprego. Parece-me até que o acesso a eles devia alargar-se. Menos ainda me parece que se deva aumentar o IVA que ataca a todos por igual mas a quem dói mais é sempre a quem menos tem (que paradoxalmente também costuma ser quem mais produz).
Claro que as contas do Estado não são um assunto simples, mas parece-me que há muito por onde poupar, a começar por punir os corruptos e impedir mais desfalques e negociatas.
Mas eu não percebo nada disto e os senhores do FMI em Washington estão seguramente a zelar pelo meu bem-estar enquanto portuguesa e as suas propostas são certamente ditadas pelo grande sentido altruísta que os anima.
Agora o que de facto percebo é que 25€ de aumento no salário mínimo não é um "grande aumento". E também percebo que, não sendo um grande aumento, faz diferença no orçamento familiar ganhar 475€ em vez de 450€. Claro que os senhores do FMI não podem perceber isto porque 25€ no salário deles não é nada.
O FMI é desumano!
O FMI mete nojo!
O FMI tresanda!
O FMI que vá cagar sentenças para a p*ta que o pariu!
18.1.10
Cada vez há menos cegonhas
"Nunca nasceram tão poucas crianças em Portugal"É este o título do artigo do Público que nos dá conta que nasceram em 2009 menos 4 mil crianças que em 2008.
Parece que os 200€ do nosso 1º ministro não são muito convincentes...
O senhor médico queixa-se da crise e da "desagregação completa do conceito de família" e das "actuais prioridades dos casais".
A senhora socióloga congratula-se pelas conquistas sociais que estes dados revelam.
Ora, a senhora socióloga tem razão em muito do que diz, o planemento familiar é, de facto, uma grande conquista social, no entanto o senhor médico também tem alguma razão em queixar-se da crise. Acho é que já não tem tanta em relação à "desagregação completa do conceito de família".
Eu conheço muita gente de vinte e poucos anos que quer ter filhos, mas conheço muito pouca que queira ter filhos para eles serem criados pelos avós.
Ou que os queira ter sem saber se ainda tem emprego dalí a uns mesitos.
Ou que queira ter filhos antes de ter o primeiro emprego, já que aos 28 anos ainda está a estudar aquele doutoramento que a impede de dizer "Estou desempregada".
Ou que se decida a tê-los quando faz as contas e o salário que ganha não chegaria para as fraldas.
Ou que se decida a engravidar sabendo que isso lhe custaria a renovação do contrato precário e a prazo que tem.
Ou que...
Pois é, acho que está mais ou menos clara a causa da baixa taxa de natalidade portuguesa.
17.1.10
Hesitações de um pombo
-Vamos todas para aquele telhado além!
- Eu não quero ir! Não vou! Não vou , não vou e não vou!
- Pronto! Está bem, eu vou...
Mais fotografias de Celorico da Beira e do respectivo castelo aqui.
16.1.10
O Passeio do Raimundo
Há uns dias, tendo ido a Lisboa por outros motivos, aproveitei a tarde livre para o fazer. Não tinha levado o livro de modo que, além de arranjar um mapa tinha que ir consultar o livro para ver o percurso. Arranjei um mapa no turismo, mas não tinha o nome de todas as ruas do Bairro do Castelo. Fui à Fnac do Chiado à procura do livro, mas, apesar de ter uma enorme selecção de livros do Saramago, não tinha a História do Cerco de Lisboa. Lá encontrei o livro noutra livraria e anotei o percurso que tinha que seguir. Dirigi-me à toa para o bairro do Castelo sem saber muito bem para onde, já que as ruas que eu queria encontrar não apareciam no mapa do El Corte Inglês que me tinham dado no turismo.
Parecia que ia ser uma tarefa complicada, mas deve ter havido um rearrajo astral qualquer porque, de repente, olhei para uma placa toponímica e ela dizia "Escadinhas de São Crispim"! O princípio do percurso!
Daí desci a Calçada do Correio Velho
até ao Largo de Santo António da Sé.
Continuei pela Rua da Padaria
até à Rua dos Bacalhoeiros
Encontrei o Arco das Portas do Mar,
o Arco Escuro
e o Arco da Conceição.
O Arco da Conceição estava em obras, custou-me mais a encontrar e não vi a respectiva fonte. No Arco escuro dava para um beco e o Arco da Conceição tinha um gatito simpático de cauda cortada.
Na Rua da Padaria ainda havia uma funerária e no Largo de Santo António da Sé ia a passar o eléctrico 28.
Nas Escadinhas de São Crispim não encontrei nenhum cão magro de olhos suplicantes como encontrou o Raimundo, mas encontrei isto no corrimão:
Só por isto já valia a pena o passeio!















